Olá pessoal, eu estava conversando ontem á noite com um vizinho, que acaba de ser demitido do seu emprego, e ele estava revoltado com o sistema capitalista que domina o pensamento profissional hoje. Claro que todos tem suas revoltas internas contra isso e acham que ainda existe muito do feudalismo no capitalismo imperialista moderno, mas o capitalismo é o sistema que rege o pensamento e o comportamento profissional hoje. Não dá para fugir disso. Temos que nos comportar coerentemente com isso, claro que cada um respeitando suas crenças, ética e idealismos; mas é inevitável a necessidade de nos adequarmos a esse sistema, para até mesmo assegurarmos nossa sobrevivêncial.

Na conversa com meu amigo, eu lhe dei algumas dicas sobre o que tenho aprendido sobre criatividade e marketing empresarial e pessoal. Ficamos conversando sobre a situação atual de algumas grandes corporações e me recordei de uma leitura recente que fiz do Livro “Um ‘TOC’ na CUCA”, do Roger Von Oech.

Me levantei meditando sobre o assunto hoje cedo e, após o banho, fui refrescar minha memória, passei a folhear novamente o livro. Apesar de relativamente “antigo”, ainda há conceitos indispensáveis para o pensamento criativo no mundo pós-moderno, resolvi resumir e comentar o que achei legal de um determinado capítulo do livro que trata sobre a “SEGUNDA REPOSTA CERTA”. Recordo-me dos anos em que trabalhei em farmácia e aprendi muita coisa sobre a área da saúde. Fazendo uma comparação com o pensamento criativo, penso que temos um pensamento muito “alopático” na hora de solucionar problemas (Alopatia é um termo que implica o uso do contrário para curar o contrário, ou seja, partir do final do problema para solucioná-lo na raiz, liquidá-lo no efeito e prevenir a causa). Eis aqui a minha linha de raciocínio (com várias citações do livro, só que não-identificadas) sobre o assunto:

Dois homens se desentenderam. Para resolver a contenda, foram a um juiz sufi e pediram que ele servisse de árbitro. O reclamante apresentou sua reivindicação. Foi muito eloqüente e convincente na argumentação. Quando terminou, o juiz acenou com a cabeça em sinal de aprovação e disse: “Tem razão”.
Ao ouvir isso, o acusado pulou do banco e falou: “Espere um pouco, senhor juiz. O senhor nem sequer ouviu meu lado na questão”. O juiz, então, disse ao acusado que apresentasse seus argumentos. Ele também foi muito persuasivo e eloqüente. Quando terminou, o juiz disse: “Tem razão”.
Quando o escrevente viu aquilo, saltou do banco por sua vez e ponderou ao juiz: “Senhor juiz, os dois não podem estar certos”. O juiz olhou para o escrivão e disse: “Tem razão”.

Moral: A verdade está em toda parte, o que interessa é para onde você olha.

Uma vez, um professor de inglês fez uma pequena marca de giz no quadro-negro. Ele perguntou à turma o que era aquilo. Passados alguns segundos, alguém disse: “É uma marca de giz no quadro-negro”. O resto da turma suspirou de alívio, pois o óbvio foi dito e ninguém tinha mias nada a dizer. “Vocês me surpreenderam”, o professor falou, olhando para o grupo. “Fiz o mesmo exercício ontem, com uma turma do jardim da infância, e eles pensaram em umas cinqüenta coisas diferentes: o olho de uma coruja, uma ponta de charuto, o topo de um poste telefônico, uma estrela, uma pedrinha, um inseto esmagado, um ovo podre e assim por diante. Eles realmente estavam com a imaginação a todo vapor”.

O hábito de procurar a “resposta certa” pode acarretar sérias conseqüências para a nossa maneira de pensar e de enfrentar problemas. Em geral, as pessoas não gostam de problemas. Quando dão de cara com um, normalmente reagem pegando a primeira saída para fugir dele. Não há coisa mais perigosa. Se você só tem uma idéia, também só tem uma linha de ação para utilizar – e isso é bastante arriscado num mundo onde a flexibilidade é requisito indispensável à sobrevivência.

Uma idéia é como uma nota musical. Da mesma forma como uma nota de música só pode ser compreendida em relação a outras notas (seja num trecho de melodia ou num acorde), uma idéia é mais compreendida no contexto de outras idéias. Assim, se você só tem uma idéia, não tem com que compará-la. Não sabe reconhecer suas vantagens e fragilidades. Para mim, o filósofo francês Emile Chartier pôs o dedo exatamente na ferida quando disse:

“Nada é mais perigoso do que uma idéia quando ela é a única que você tem.”

Para pensar melhor, precisamos de diferentes pontos de vista.

Portanto, não devemos nos conformar com apenas uma “resposta certa” diante dos nossos problemas, devemos buscar outras respostas que atendam as necessidades que o problema traz, para solucioná-lo mais eficientemente e de maneira mais criativa. Talvez a primeira resposta certa seja realmente a mais adequada para nossos problemas, mas só provaremos isso, antes de partirmos para o empírico, se acharmos outras respostas certas também.

Para chegarmos à 2º reposta certa, que é a mais criativa e provavelmente a mais eficiente, não podemos apenas nos conformar com os pensamentos concretos, técnicos, automáticos, mas temos que dar vazão aos pensamentos ambíguos, difusos, criativos. Temos que dar asas à nossa imaginação.
Nisso as crianças ganham de nós. O próprio Mestre divino elogiou o jeito de ser das crianças e nos ensinou a ser iguais a elas.

No nosso cotidiano pessoal, afetivo e profissional, temos que prover soluções criativas e versáteis sempre, para podermos nos destacar onde atuamos. A raiz da palavra medíocre é médio; ou seja, se estamos na média, se nos comportamos iguais aos outros, se usamos as técnicas e pensamentos iguais aos dos outros, somos medíocres na nossa maneira de pensar, de agir, de viver. Se quisermos nos destacar nesse mundo pós-moderno, a regra é: “NÃO EXISTEM REGRAS!” Isso implica em não respeitar os paradigmas instituídos pelo senso comum, mas criarmos nossa própria maneira de pensar e trabalhar. Quando digo que não existem regras, não estou defendendo o niilismo, nem incitando à rebeldia ou anarquia. Temos regras sociais, afetivas, éticas, religiosas, morais e profissionais onde são fundamentais o respeito das mesmas para uma convivência harmoniosa no ambiente onde estamos inseridos, mas me refiro aos paradigmas e ao senso comum que nos limitam na hora de nos provermos de soluções criativas.

Podemos fazer as seguintes perguntas diante dos problemas supra citados ou outros que nos surgem, o primeiro estilo de perguntas são as perguntas básicas que sempre nos surgem diante das situações complicadas:

· Por que aconteceu?
· Como aconteceu?
Qual o efeito?

· O que eu faço agora?
· Como resolver?
· Onde consigo ajuda?

Há ainda outras que surgem naturalmente, mas sempre no mesmo estilo alopático de pensar, no pensamento que fomos treinados desde pequenos a ter – o pensamento médio.

O segundo estilo de perguntas é mais pluralista. São perguntas como:
· Quais as respostas? (PLURAL, HÁ MAIS DE UMA RESPOSTA)
· Quais os significados disto?
· Quais os resultados?
· Quais as lições disso?

Por fim, nem sempre as primeiras respostas certas, adequadas, corretas, alopáticas são as melhores. Podem ser eficientes, mas podem ser medíocres, sem criatividade.

Oração do dia: Senhor, obrigado pela capacidade de raciocínio e crítica. Abençoe minha vida profissional, me ajude a explorar ao máximo possível minha capacidade criativa, que me foi herdada de Ti, pois as coisas que Tu fizeste revelam a tua criatividade, e a provisão adequada de todas as tuas coisas revelam que podemos também solucionar nossos problemas de maneira criativa. Obrigado por tudo. Amém.
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