Hoje eu estava lendo um pouco sobre a História da Igreja e resolvi atacar de filósofo, lendo Boécio (475 – 524 d.c.), esse patrício que, segundo dizem, (também) é o pai da filosofia cristã medieval. Ele fala um pouco sobre a importância da razão para sermos realmente livres; ou seja, quanto melhor o conhecimento que você possui mais livre você é (quantidade não representa nada, mas sim a qualidade do conhecimento). Segue uma importante reflexão de Boécio sobre essa liberdade que nos traz a tão almejada felicidade:

“Só os seres dotados de razão possuem Liberdade.Todo ser racional possui a faculdade de julgar, que o capacita a discernir entre o bem e o mal; agir com liberdade. Mas, do fato de a razão incluir a Liberdade, não se segue que todos os seres racionais gozem do mesmo grau de liberdade, visto que nem todos se servem igualmente bem de sua vontade. Deus e as substâncias intelectíveis superiores gozam de um julgamento infalível, de uma vontade inquebrantável e de um poder de ação eficaz e constante. Por isso a sua liberdade é perfeita e completa.

A alma humana, ao contrário, é tanto mais livre quanto mais se conforma (tomar a mesma forma) à vontade divina, e tanto menos, quando mais se afasta dela, para voltar-se às coisas sensíveis (ás coisas que nos fazem sentir emoções boas, ao invés de ficarmos naquilo que é correto segundo a Palavra de Deus); menos livre ainda é a alma que se deixa dominar pelas paixões terrenas. O grau extremo de servidão está em escravizar-se a alma aos vícios, a ponto de perder a própria razão. O supremo grau de liberdade e, portanto, de felicidade, está em se querer o que Deus quer e em se amar o que Ele ama: “O felix hominum genus – si vestros animos amor – Quo caelum regitur regat!” (Minha tradução livre: Oh, feliz o homem que se enche de amor, que o SENHOR o comanda) Longe de se excluírem, a Providência de Deus e a liberdade dos homem se complementam harmoniosamente.

BOÉCIO

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