*Eu escrevi este texto quando era calvinista. Hoje não sou mais e não creio em justificação por qualquer tipo de obra, entendo que não há obra humana em nenhuma parte do processo de justificação e de santificação diante de Deus, então Deus nos perdoa a todos os pecados e para Ele não há diferença. A diferença entre “pecadinho” e pecadão” não é diante de Deus, mas sim diante dos homens. Por exemplo, você pisar sem querer no pé de uma pessoa é uma erro pequeno, um pecadinho; você dar um soco na cara da pessoa porque ela reclamou de você ter pisado no pé dela é um erro grave, um “pecadão”. Eu cheguei a essa conclusão fazendo o que indico abaixo, estudando a bíblia e a comparando com ela mesma. Por isso estou em revisão desta posição. Vou deixar o texto aqui para registro de um passado que eu tive e para lembrar do que já acreditei antes e como fui mudando de pensamento conforme vou estudando melhor as coisas.. Para mim não é vergonha admitir que errei e ensinei errado por um tempo. Quero dizer, sinto vergonha sim de induzir pessoas a um erro e por meus pecados, mas me sinto privilegiado em ter a Bíblia, a Palavra de Deus, para me orientar melhor, ou, como diz São Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça,para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra. 2 Timóteo 3:16,17”.

Então fica pública a minha retratação e o registro para avaliar meu andamento na vida cristã e no entendimento teológico pessoal.  Se você quiser saber como tenho crido ultimamente, leia outros posts do meu blog e fique à vontade para fazer perguntas nos comentários. Deus abençoe.

Todo pecado é igual diante de Deus?

Bom, primeiro precisamos ter em mente a regra máxima de interpretação da Bíblia, que é: A Bíblia se interpreta com a própria Bíblia! Então para interpretar as passagens mais “difíceis” temos que conferir outras da própria Bíblia que tratam do próprio assunto.

Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. (2 Pedro 1:20) Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; (2 Timóteo 3:16)

Tendo isso em mente, eu não concordo com essa idéia popular de que todo pecado é igual diante de Deus. Creio que há pecados que tem sim mais peso. A Bíblia diz:

1 João 5:17 – Toda a iniqüidade é pecado, e há pecado que não é para morte.

Em 1 Corínthios 5 mesmo Paulo fala para excluir um membro da Igreja de Corinto que estava cometendo um pecado grave, que escandalizava o nome do Evangleho e esse pecado era exatamente uma imoralidade sexual. Eu concordo que pegam pesado demais, em muitas vezes, quando alguém comete um pecado sexual, e deixam coisas mais importantes de lado, por interesses politicos, familiares ou sei lá o quê, mas creio que certas imoralidades devem ser sim ter um tratamento diferenciado, pois podem manchar o nome do Evangelho e podem prejudicar a muitos por causa da péssima influência que têm. Mas existem situações muito piores que a imoralidade sexual, segundo a Bíblia, como o ódio, por exemplo, que a bíblia trata como homicídio, mas nem é considerado existente na maioria das igrejas cristãs, porém se uma menina aparece grávida é aquele escândalo. Enfim, dois pesos e duas medidas injustas segundo os padrões bíblicos do que é grave e do que é mais ameno.

Quando digo “tratamento diferenciado” na imoralidade que muitas vezes é cometida entre nós, quando o caso é grave, não penso que é punir a pessoa que comete um deslize, mas aconselhar e ajudar a pessoa a reerguer. Mas também creio que é super importante disciplinar e, se necessário, punir com exclusão da igreja sim se a pessoa apronta e não tá nem aí para as consequências e acha que está certo fazer a coisa errada. Penso que a maioria das igrejas são bem negligentes nessa área, pois não tratam desse assunto, não fazem acompanhamento, não trazem à tona estudos e debates sobre os temas que elas tratam como graves, com aspereza e sem misericórdia, mas tratam realmente isso como um “tabu” que não pode ser discutido e não há misericórdia, não há tratamento, só escândalo e retaliação e colocam a salvação no tempo, não no Senhor Jesus. Isso é errado e é nosso papel mudar isso. Prevenção é importante também, mas não resolve os problemas das comunidades cristãs com a imoralidade, pois eles já existem e estão a cada dia crescendo mais. Prevenir ajuda as futuras gerações, mas e nós que já estamos no meio desse combate? Precisamos sim de acompanhamento. Sobre a punição, creio também ser necessária, em casos mais extremos onde a pessoa não se arrepende do que faz. Sei que vai contra o que é “politicamente correto”, contra a “ética” atual e essas coisas, mas é o modelo bíblico para esses casos onde já se tentou de tudo e não se obteve sucesso.. Em 1 Corínthios 5 , onde Paulo autoriza, inspirado pelo Espírito, a disciplinar conforme o pecado do indivíduo. Ele diz, do vers 10-13, que se for para evitarmos pecadores teríamos que sair do mundo, mas ele diz que devemos afastar de nós, ou nos afastar, daqueles que PECAM VOLUNTARIAMENTE, ou seja, daqueles que acham que “não tem nada a ver” o pecado deles. Só que Jesus ensina que para chegarmos nesse ponto de disciplinar nosso irmão, primeiro temos que oferecer ajuda. Ou seja, primeiro tentamos ajudar nosso irmão que tem problemas com certo pecado, pois todos temos problemas com pecado e a Igreja é para isso mesmo: para nos ajudarmos em nossas imperfeições; mas se ele se recusar e continuar pecando com vontade de pecar, sabendo que é errado, sem achar que o que ele faz é errado, recusar conversa e tratamento desse pecado, então esse tipo de pecado (qualquer que seja) se torna grave e a recomendação Bíblica é que não aceitemos tal atitude e muito menos como irmão quem faz esse tipo de coisa.. Temos que ter em mente que carregamos o nome de Cristo como embaixadores e nossa responsabilidade com isso é MUITO GRANDE, pois Deus vela pelo nome dEle. (Jer 1:12)

O que estou dizendo é que essa desculpa do “não existe pecadinho, nem pecadão”, que serve mais para amenizar pecados graves do que para dar mais peso a pecados pequenos, não encontra base escriturística. Na Bíblia se diz que há pecados passíveis de disciplina e até mesmo de expulsão da Igreja. Em I João é dito também que há pecados que são para morte e outros que não são. A Bíblia fala até de um pecado imperdoável.

Aonde na Bíblia se diz que todos os pecados são iguais diante de Deus? Ela diz que somos como o imundo e a nossa justiça como trapo de injustiça, que todo pecado nos afasta de Deus, mas não dá base para se acreditar que todos os pecados são iguais, pois na verdade eles têm consequências humanas e espirituais diferentes, segundo o que demonstra as Escrituras.. Davi teve muitos homicídios nas costas, mas um deles, no caso de Urias, não houve o perdão e foi tratado de maneira diferente por Deus. Se todos os pecados fossem iguais, então porque a diferenciação no tratamento por parte de Deus? Judas traiu Jesus, e teve também um tratamento diferente da parte de Deus, será que a traição dEle com Jesus é igual quando mentimos nosso salário para nossos pais? Uzá, na melhor das intenções, segurou a Arca da Aliança e foi fulminado por Deus. Muitos invasores pegaram a Arca, muitos profanaram o templo e a arca, mas Deus somente puniu a Uzá na história por encostar indevidamente na Arca. Mais uma demonstração que o Senhor faz sim diferenciação de pecados. Ou seja, todo pecado é pecado, mas nós devemos ser responsáveis para não amenizar a consequência dos nossos pecados mais graves através dessa desculpa extra-bíblica de que “não existe pecadinho, nem pecadão diante de Deus, mas todo pecado é igual”.. O que é o pecado grave? O que é o pecado para morte? O que é o pecado para exclusão do nosso meio? A Bíblia explica:

Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo. E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. (Heb 6:3-6) Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo. Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus. (I João 3:7-9) Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. (1 Cor 5:9-11)

Ou seja, o pecado que é para morte, segundo o que dá para se concluir examinando a Escritura, é o pecado voluntário, é o pecado da incredulidade. É aquele cometido sem o devido respeito a Deus, sabendo das consequências e, mesmo assim, praticando, sem arrependimento posterior, ou com um falso remorso que Deus sabe muito bem identificar, já que Ele sonda os nosso corações. Quando eu e você pecamos conscientemente, estamos desconsiderando os avisos de Deus sobre o retorno de nossas ações e que Ele é vingador das nossas más obras, estamos cuspindo em Cristo e querendo viver do nosso jeito. Todo pecado é grave porque toma como base a incredulidade e a incredulidade é exatamente o motivo de as pessoas irem para o Inferno, ou seja, quando pecamos, agimos como seres do inferno, não como salvos. Infelizmente nossa carne caída ainda continua conosco e ainda vamos pecar muito, mas quando desistimos de crer, abraçamos desculpas teológicas ou filosóficas para andar no pecado e negar os princípios fundamentais da fé, para vivermos a nossa vida do nosso jeito, sem Deus e sua Lei e alteramos o Evangelho para nosso próprio proveito, então estamos cometendo o pecado para morte, estamos matando a fé e nos desviando de Deus. Não há mais esperança para nós, porque nos tornamos conscientemente rebeldes e teimosos contra Deus. Não cabe mais “evangelismo”, mas sim entregar nas mãos de Deus, que Ele se apiede e traga o desviado de volta para seus braços.. Encerro lembrando que o fato de ter pecados menos graves não é uma licença para pecar, mas pelo contrário:

Porque os meus olhos estão sobre todos os seus caminhos; não se escondem da minha face, nem a sua maldade se encobre aos meus olhos. Jeremias 16:17 Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela impiedade destas nações o SENHOR teu Deus as lança fora, de diante de ti, e para confirmar a palavra que o SENHOR jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó. (Deuteronômio 9:5)

É assim que acredito.. Deus abençoe.

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