Por Rev. Hernandes Dias Lopes

Paulo disse para Timóteo ter cuidado da doutrina e da vida. A doutrina é a base da vida e a vida consequência da doutrina. Doutrina sem vida desemboca em legalismo religioso; vida sem doutrina deságua em relativismo moral. A igreja não pode separar o que Deus uniu. Precisamos avançar na vida espiritual mantendo sempre o binômio doutrina e vida.

Precisamos ter zelo pela doutrina. Precisamos conhecê-la, amá-la, subscrevê-la e proclamá-la. Precisamos dar razão da esperança que há em nós. Uma igreja que fecha as portas para o conhecimento da verdade, abre seus portais para toda sorte de novidades estranhas e perigosas. Uma igreja que desconhece os fundamentos da sua fé, torna-se vulnerável e presa fácil das aleivosas heresias que assaltam os incautos. O povo de Deus, muitas vezes, perece por falta de conhecimento. Desprezar o conhecimento é a mais consumada loucura, o passaporte certo para a derrota espiritual.
É bem verdade que muitos pregadores, embalados pelos ventos do engano, desprezam a sã doutrina e se embrenham nas experiências mais arrebatadoras, para compensar sua superficialidade espiritual e sua ignorância doutrinária. Esses pseudo-espirituais dizem que doutrina é coisa de homens e que ela divide mais do que une. Precisamos rechaçar essa posição com veemência, afirmando em alto e bom som que não existe unidade verdadeira fora da verdade. Se não edificarmos sobre o fundamento construíremos para o desastre.


Com a mesma intensidade com que defendemos a sã doutrina precisamos também erguer o estandarte de uma vida santa e piedosa. Assim como a fé sem obras é morta, a doutrina sem vida é inútil. O conhecimento que não gera vida é estéril. A verdade precisa atingir nosso cérebro, quebrantar nosso coração e mover nossa vontade na direção de uma vida digna de Deus. Há muitas pessoas que têm doutrina, mas não têm vida; têm conhecimento, mas não piedade; têm informação, mas não transformação.

Chegou o tempo de unirmos aquilo que nunca deveria ter sido separado. Doutrina e vida são irmãs gêmeas, nascidas do mesmo ventre; são afluentes que se unem para percorrer o mesmo leito.

Concluo dizendo que precisa existir um claro equilíbrio entre doutrina e vida. Quando nossa ênfase recai na doutrina em detrimento da vida, a igreja se torna fria, legalista e sem o vigor da graça. Por outro lado, quando a igreja carrega a mão na ênfase à vida em detrimento da doutrina torna-se superficial, rasa e sem consistência. A bem da verdade, precisamos alertar que a doutrina precede a vida e é sua base. Não é a doutrina que decorre da vida, mas esta daquela. Da mesma forma não é a emoção que produz o conhecimento, mas é o conhecimento que leva à emoção. A doutrina não pode ser um fim em si mesma. Estudamo-la com o propósito de conhecer a verdade e essa verdade precisa ser transformadora.

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