Post Original por Andolar Gangorra sob o título “Do Mestre, sem carinho”

Em 1945, em Genebra, Suíça, foi organizado secretamente o 1º Congresso Mundial de Pedagogia por um obscuro professor austríaco conhecido como Mordecai Sacknulsen. Esse encontro teve como único objetivo a formulação de um mecanismo de coerção verbal-psicológica para ser usado contra alunos dos cursos primários e secundários de todo o mundo.

Sacknulsen reuniu pedagogos, psiquiatras, publicitários, atores, camelôs, políticos, titiriteiros, bruxos, policiais, agiotas, charlatões, militares travestis (puxa, faltou a vírgula!) e corretores imobiliários. Ali foram definidas e distribuídas 7 frases capitais para professores e diretores das mais renomadas instituições de ensino do mundo. Logo estas frases seriam incorporadas ao currículo de todos os cursos de pedagogia daí em diante.

O “Heptálogo do Controle Discente”, como ficaram conhecidos esses motes, é decorado, desde então, por normalistas e educadores com o objetivo de ameaçar, manipular, desestabilizar, confundir, humilhar, ludibriar e sacanear escrotamente milhões de estudantes indefesos. Todos futuros professores sabem de cor essas locuções e eles as usam covardemente quando começam a perder o controle disciplinar de suas turmas. Assim, não importa onde você estude, em um determinado momento, vai ouvir as mesmas frases ameaçadoras de seus mestres. O aluno acha que é exclusivamente para ele quando ouve do professor tais ameaças, mas, na mesma hora, em Kuala Lumpur, um outro professor está berrando para seus pupilos: “Vocês não sentam assim na casa de vocês!!!” ou coisa parecida.

Eis então as 7 maquiavélicas frases compiladas pelo professor Sacknulsen:

1 – ” VOCÊS ESTÃO CONFUNDINDO LIBERDADE COM LIBERTINAGEM… ”

Em tom de ameaça, o professor usa essa popularíssima frase para desorientar os incautos estudantes e neles instalar uma culpa atroz. Traz em seu bojo um termo de baixíssimo calão – libertinagem – atribuindo injustamente essa qualidade aos pobres alunos. Aliás, garoto nenhum de 13 anos sabe o que significa a palavra “libertinagem”… a única chance de alguém confundir “liberdade” com “libertinagem” seria, por exemplo, um escravo fugir da senzala pra um quilombo e, na pressa, se atrapalhar e entrar num puteiro no meio do mato e acabar fazendo uma suruba com três piranhas e um sósia albino do Tiririca. Isso que é confundir “liberdade” com “libertinagem”, rapaz!
Como um meninote de tão tenra idade pode ser um libertino? Nem o jovem Bocage o era! Ah, tá… então temos uma sala com 30 crianças depravadas? Até no Centro de Ensino Integrado nº 5 de Sodoma e Gomorra não rolava uma parada dessas! Que termo mais escabroso! O professor está ofendendo mancebos inocentes chamando-os de devassos, lascivos, sensuais, depravados ou até de partidários da seita dos Anabatistas que fazia oposição a Calvino (duvido que algum deles saiba essa última!).
O pai paga caro o colégio para o sacana do tutor ainda xingar o filho… e são esses são os “educadores” que nós temos…

2 – ” A 6ª SÉRIE B É A PIOR TURMA DO COLÉGIO! ”

Clássico da chantagem sentimental, essa frase visa mexer com os brios da turma. O professor acha que ao proferir esse dramático anúncio, a classe toda enrubescerá de vergonha, prenderá as lágrimas e parará imediatamente com a partida de porradobol que está em andamento junto com a aula de análise sintática. Ledo engano… ele não se lembra, mas a média de idade de todas as 6ªs séries é de 12 anos, período no qual o pré-adolescente, digamos assim, pouco se fode, para tudo que não seja a mais absoluta zona!!! O tempo médio de retenção de qualquer informação no cérebro de um garoto dessa idade é de aproximadamente 7,4 segundos. Após isso, ele já estará pensando em atirar um pesado dicionário de inglês-português na cara do coleguinha de óculos novo ao seu lado.
É o mesmo que dizer que a 6ª série B é a MELHOR turma do colégio! Não adianta porra nenhuma! Ou seja, não há 6ª série no mundo que vá ser uma turma mais decente após ouvir essa frase…
E é sempre a 6ª série… não importa em que colégio seja e que essa turma tenha ótimos alunos, lotada de futuros prêmios Nobel e monges budistas, sempre a tal 6ª série B é taxada como a pior turma de todo o sistema solar e dali só irão surgir futuros mendigos, assassinos, porra-loucas, colunistas sociais e deputados.
Sacknulsen sempre odiou a 6ª série, pois foi nela em que foi vítima traumatizada de brincadeiras intelectuais como “Corredor Polonês”, “Nescau”, “Babau” e “Acender o Isqueiro na Bunda do Colega da Frente Para Ver em Quanto Tempo Ele Grita e dá um Pulão”. Mais tarde, descobriu-se que ele fôra vítima dessas brincadeiras não em sua época de estudante e sim quando adulto, ao lecionar para essa mesma classe.

3 – ” VOCÊS NÃO FAZEM ISSO NA CASA DE VOCÊS! ”

Essa afirmação tenta apelar para o mito que os alunos irão se controlar imediatamente ao serem lembrados dos cavalheiros britânicos que na verdade são no âmbito de seus lares… engano crasso… é o mesmo que pedir para um chimpanzé guardar para você um cacho de bananas para devolver depois.
Frase inócua, pois se há uma diferença entre o comportamento no lar e na escola é que em casa, a conduta do garoto, em média, é até um pouco melhor, devido ao fato de os pais poderem descer o cacete na molecada por qualquer indisciplina, enquanto o professor não, o que faz dele um indivíduo frustrado, infeliz, com o olhar perdido, com pressão alta e hemorróidas gigantescas.

4 – ” MAIS DO QUE UM PROFESSOR, EU QUERO SER UM AMIGO DE VOCÊS! ”

Conversa das mais moles. É mentira. Mentira escrota. O adulto se aproveita da enorme inocência e do coração aberto de adolescentes e pré-adolescentes para ganhar sua confiança e assim conduzir as aulas em um clima dócil e amoroso. Ele não quer ser amigo de ninguém. Ele quer é ser conhecido pela diretoria como um professor boa praça e querido por todos para manter seu emprego, somente isso.
Como um adulto vai poder ser realmente amigo de 60, 120, 240 garotos? Todos nós sabemos que é impossível… nem o Bozo conseguiu isso, apesar de toda a droga que ele botava pra dentro! Se o “fessor” fosse amigo mesmo, não perguntaria quais são os afluentes da margem esquerda do Rio Volga na prova! Porque, amigo mesmo, não tira ponto quando sai uma porradaria normal em sala de aula! Amigo mesmo, não quer conversar com os pais do outro amigo quando vê ele colando na prova. Amigo mesmo, não faz cara de “Quem é esse cara aí?” quando você encontra ele no Shopping e diz “E aí, fessor, beleza?” E amigo nenhum mesmo, está noivo há dois anos!
Se o adulto aí quer se entrosar com a galera, pra começar, viria todos os dias de bermuda, ensinaria pelo menos a 8ª série toda a dirigir no carro dele e contaria um monte de piadas boas, cheia de palavrões, em vez de ficar queimando o filme ao forçar neguinho a decorar porra de tempo verbal.

5 – ” NINGUÉM VAI SAIR DAQUI ENQUANTO NÃO APARECER UM CULPADO! ”

Tática de tortura psicológica empregada em interrogatórios de criminosos renitentes e que nunca poderia ser usada só para descobrir quem enfiou o pirulito Zorro no cu do cachorro e depois deu para o Fabinho de presente.
Essa frase horrorosa só instiga uma desunião discriminatória entre um grupo em ainda em formação. Reter alunos em sala de aula? Que vergonha! Vim aprender o bê-á-bá e acabei preso! Assim, de aluno a presidiário, é um pulo!
Olhem só: a educação vigente quer produzir delatores! Que ótimo! O professor (geralmente os de Moral e Cívica e de Religião) se compraz ao instituir esse joguete maquiavélico para instigar o ódio e a desconfiança entre meninos de pura alma! Sim, ele quer que os dedinhos de seus pupilos comecem a endurecer que nem granito, numa descontrolada sanha macartista até conseguir arrancar um sofrido “Foi ele, tio!” de, agora, um confuso delator pueril. Aí sim, ele vai poder se sentir um educador de verdade! Esse tipo de coisa nem no Centro de Ensino Joaquim Silvério dos Reis!
Isso tudo por causa de sua incompetência em descobrir quem resolveu usar a caixa d’água do colégio para fazer um viveiro de piranhas amazonenses, alimentadas religiosamente, de dois em dois dias, com algum gato de rua adoentado.

6 – ” VOCÊS DOIS AÍ: PRA FORA! ”

“Que que eu fiz? Que que eu fiz? Velho, eu só tava rindo… caralho, eu nem conheço direito esse zoneiro filho da puta do Claudio Ricardo! Eu só achei graça quando ele passou super bonder na lente de contato da Juliana! Caralho, eu não fiz nada! Eu só tava rindo! Eu não fiz nada! Velho, isso é injustiça! Essa puta dessa professora não põe moral na turma e eu que acabo me fudendo… se der merda lá em casa por causa dessa ida pra diretoria aí, eu é que não vou mais trazer porra nenhuma de super bonder nunca mais pra ninguém nessa escola, velho…”

7 – ” A ESCOLA É A SEGUNDA CASA DE VOCÊS! ”

Outra inverdade descarada que apela para o emocional indefeso dos alunos. Os professores falam isso para ver se até o final do ano letivo ninguém derruba uma parede à pesadas ou deixa todas as torneiras abertas do banheiro na sexta-feira no final da tarde… repressores de merda…
Convenhamos: escola nenhuma é segunda casa de ninguém! Se você pegar um mendigo e perguntar para ele se aquela escola recém inaugurada, limpa e cheirando à tinta é tão boa quanto o apertado caixote de papelão molhado no qual ele mora, ele afirmará peremptoriamente: “Nem fudendo!”
Escola é escola, casa é casa! Escola é território inimigo, todo mundo sabe disso! Escola é para destruir; já a casa é só quando nossos pais não estão vendo!
Se a escola é minha segunda casa, cadê o meu segundo videogame? Se a escola é mesmo minha segunda casa, então porque o diretor não anda só de cueca como o meu pai faz? Não tem sentido…

Com o tempo, outras frases derivadas das 7 originais foram surgindo como: ” Os inocentes vão pagar pelos pecadores! “, ” Eu não pedi para dar aula para vocês! “, ” Vocês estão se escondendo atrás do anonimato.” , “Vamos parar com essa conversa paralela!” ” Vocês estão jogando fora o dinheiro do pai de vocês!”, “Eu vou fazer todos vocês cagarem sangue até o final do ano!” e “Quem pode me emprestar 80 reais pra eu comprar um enrolado de salsicha?”

Hoje sabe-se que o professor Sacknulsen começou sua carreira como domador de jacarés em um obscuro circo na Prússia. Depois, foi vendedor ambulante, hipnotizador, curandeiro e vendedor de automóveis. Simpatizante da filosofia de controle de massas de Joseph Goebbles, lecionou anos em uma escola para alunos ligeiramente nervosos. Pedagogo polêmico, lançou livros famosos sobre a reeducação radical de jovens estudantes como “Deixe de Ser Burro”, “O Pequeno Cretino”, “Guerra Sem Fim: Discentes x Docentes” e o best seller “Cuidado, Repetente!” Foi um dos inventores do marketing político. Fundou uma das primeiras agências de publicidade da Europa e foi grande criador de gado em países do 3º mundo.Terminou seus dias como jurado de televisão de um famoso programa de auditório em Luxemburgo.

Adolar Gangorra, 93 anos, é editor do site http://www.adolargangorra.com,br e era obrigado a levar uma maçã todo dia para sua professora de arco e flecha

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