As Escrituras não pretendem ser o conhecimento único das coisas, mas o conhecimento suficiente de Deus. São uma carta escrita de Deus para nós. Lá estão as coisas que Ele quis revelar sobre Ele:
As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei. (Deut 29:29)

Ou seja, as Escrituras encerram o que se pode dizer sobre Deus. O que for dito sobre Deus deve ter as Escrituras (cânon = vara de medir) como fonte de medição e avaliação. Veja só:
Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; (2 Timóteo 3:16)

Como se chegou a esse cânon? O Concílio de Nicéia, que, sim, teve o apôio de Constantino, graças a Deus, (muitos não gostam desse fato e inventam mentiras a respeito da participação de Constantino na elaboração do Cânon) assim se puderam faer em paz, sem ameaças de morte, esse concílio, foi uma oportunidade dos irmãos cristãos do mundo inteiro se encontrarem e conversar sobre o que crer ou não crer, pois existiam várias visões diferentes da mesma coisa (cristianismo) e que confundiam a muitos, por exemplo o Arianismo, Monarquianismo, Gnosticismo, Alogoi, Sabelianismo, e várias outras heresias que não diferem muito do que existe hoje.

Cada representante das igrejas cristãs trouxeram o que tinham escrito dos próprios apóstolos e evangelistas para serem apreciados e, assim, verem quem tinha razão no meio daquela bagunça toda..

Os gnósticos tinham um cânon próprio, com até um Evangelho atribuído ao próprio Jesus Cristo, mas, que na verdade, era uma obra psicografada. Eles acreditavam que podiam receber os espíritos dos apóstolos e até mesmo de Jesus (pois não acreditavam que Jesus tinha vindo em carne) e escreviam o que era dito por esses “espíritos”. Assim que nasceu o “Evangelho de Judas Iscariotes”, por exemplo..

Creio que Deus é o Senhor da história e de todas as coisas. Sendo assim, esse concílio foi provdenciado por Ele. Lá os cristãos de diversas partes compartilharam o que tinham de verdadeira autoria dos apóstolos e evangelistas e lá oraram buscaram contradições e diferenças para que pudessem ter mensagens fidedignas e verdadeiramente preservadas, sobre a doutrina dos apóstolos e o Evangelho de Jesus. Foi assim que chegaram ao Cânon que chamamos hoje de Novo Testamento. Eu creio que isso foi uma obra divina e que essa decisão não foi humana, mas foi algo inspirado por Deus, assim como as Escrituras Sagradas. Mas aí é uma questão de fé. Muitos não acreditam e preferem apostar (todos fazemos nossas apostas) em outras fontes e no próprio intelecto como “cânon” sobre o conhecimento de Deus.

O conceito de inspiração não é o mesmo que psicografia. Muitos confundem isso (não sei se esse é o seu caso). Em muitos casos houve uma revelação de Deus para o autor (como no caso de Gênesis, ou no caso de Isaias, que foi revelado acerca de Ciro 400 anos antes do nascimento dele), mas a maioria do que foi escrito foi colocado como consequência de experiências e testemunhos dos autores, além de outras fontes que eles tiveram contato. Deus, como soberano da História, conduziu tais experiências, providenciou que tais autores fossem testemunhas e conduziu ao contato e conclusão de obras que tiveram trechos colocados na Sua Palavra. Isso está em perfeita harmonia com Sua soberania e com o que vemos ao trabalhar a hermenêutica da Palavra de Deus. Por isso chamamos o conteúdo de inspirado, não de psicografado.

Pedro explica isso:

E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada;

Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. (2 Pedro 3:15,16)

“Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. (Por isso a regra básica de hermenêutica é que a Bíblia se interpreta com a própria Bíblia)

Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1:20,21)

Thiago Surian

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