Uma dúvida que as vezes surge em conversas é sobre a participaçāo de cristãos em trabalhos com conotação sensual ou erótica. Qual o limite para se registrar o corpo de uma pessoa? Aproveitando o ensejo, como se livrar do legalismo em cima de vestimentas que muitos cristãos impõem, combatendo o que eles interpretam como “carnalidade”, segundo eles, roupas que promovem desejos carnais, com carnalidade, ou seja, o legalismo que se põe na frente da ação espiritual de Deus na santificação para estabelecer usos e costumes de mentes carnais como se fossem obrigatórios aos cristãos (Co 2.23)?

Vamos lá. Eu concordo que sensualidade é pecado, pois é você fazer a pessoa “sentir” algo, no caso, o sexo. É vc “simular” a sensação sexual, estimular os sentidos através de poses, roupas, imagens, conversas, etc.. A bíblia é muito clara:

Você sofrerá as conseqüências da sua lascívia e das suas práticas repugnantes. Palavra do Senhor. (Ezequiel 16:58)

Mas fica complicado quando inventamos padrões de vestimentas e do que é ou não sensual. Nós julgamos pela aparência, Deus olha o coração. As vezes é fácil identificar uma piriguete, as vezes julgamos mal uma pessoa que apenas está “mal vestida”, segundo nossos padrões hipócritas. A “sensualidade” é um valor cultural. Uma índia nua numa tribo é diferente de uma modelo nua na playboy, por exemplo. Temos que saber sempre separar o relativo do absoluto. A Bíblia ensina que sensualidade é pecado. O sexto mandamento (não adulterar) e o décimo (não cobiçar a mulher, os empregados e as posses do próximo) mostram que não devemos nos deixar levar, nem provocar sensações que não são para nós, como a mulher que não é nossa, ou o homem com quem você, garota, não tenha um relacionamento. A Bíblia ensina esse respeito ao relacionamento, por isso São Pulo e São Pedro ensinam sobre modéstia  (1 Tim 2.9 e 1 Pe 3.3), mas ela não dá padrões de modéstia e discrição, aí entra o relativismo cultural como métrica para este assunto. Temos que saber identificar e avaliar sem preconceitos e amar até as “piriguetes” (estou falando de amor cristão, Brasil!!), saber olhar para uma mulher sem safadeza, ou virar o olho para o outro lado, se você não consegue conter sua imaginação, mesmo que elas se vistam para serem olhadas e desejadas, você é avaliado por Deus pelos seus pensamentos, palavras e ações, não pelos pensamentos, palavras e ações de terceiros. Entenda também que às vezes a forma de se vestir que consideramos “indecente” é apenas uma cultura diferente da nossa, o coração da menina está limpo nessa área, aí a culpa da sensualidade é do safado que tá olhando diferente, não da moça, que está com a mente e o coração limpos na hora de se vestir.

Como entusiasta e às vezes profissional no ramo da fotografia, andei pesquisando bastante esses meses sobre esse tema e como posso trabalhar com isso de maneira lícita, em concordância com a palavra de Deus. Quando fiz história da arte o professor mostrava cada poema e pintura antiga (mesmo rupestre) que parecia saindo de alguma coisa pornô. Por exemplo nossa letra A veio de um pictograma que simbolizava a genitália feminina.. As culturas têm muito de sexo e erotismo e cada cultura uma visão diferente sobre isso, muitas vezes a retratação do sexo e do corpo humano é apenas num intento artístico que só quer expor, expressar o pensamento do artista sobre isso, não na intenção de estimular as pessoas a fazerem sexo, ou trazer sensações para o espectador. Não é algo pornográfico, apenas uma expressão artística, como eram pinturas da Idade Média, colocadas até dentro de igrejas..

Segundo a Bíblia, lascívia é pecado, sexo é para ser desfrutado com quem você estabelece um compromisso permanente, monogâmico e para a vida toda, ou seja, não é certo consumir pornografia e erotismo pecaminoso, é algo que temos que evitar. Somos todos pecadores. Hoje em dia a grande maioria consome sexo, seja na pornografia ou nas vias de fato sem a seriedade do casamento envolvida com muita frequência, mas isso não é desculpa para manter um estilo de vida libertino. Nosso dever é tentar viver uma vida que preze pela responsabilidade cristã, mesmo falhando, não devemos parar de tentar, nem ficar arrumando desculpas para nossos pecados. Mas isso não significa aderir ao legalismo e por causa das nossas fraquezas carnais e por não conseguirmos cumprir nossas responsabilidade cristãs ficar limitando a liberdade alheia, principalmente das nossas irmãs na fé, as mais prejudicadas pelo legalismo sobre roupas em nossa sociedade. Como artistas, temos que saber as culturas e sub-culturas onde estamos inseridos e respeitá-las, evitar levar as pessoas dentro dessas culturas ao erotismo e combater a pornografia, por isso é bom conhecer o “público alvo”, ou seja, os amigos que vão ver as fotos, se aquilo vai levá-los a descascar uma (sendo direto), ou não.. Se for algo artístico, sem essa pretensão, então sem problemas, vamos saber o que mostrar e o que esconder, porque estamos prestando atenção no que estamos comunicando e a quem estamos comunicando, mesmo que haja aqueles inevitáveis tarados que sempre vão se “escandalizar” com tudo mesmo; mas se a intenção é fazer o corpo ser o valor de conquista, objeto de desejo, aí é como a bíblia diz: uma jóia de ouro no focinho de uma porca (Prov 11:22)

Dentro da fotografia, sabemos que uma “mensagem” é passada de acordo como o profissional posiciona o objeto, que pode ser a mensagem (ou não), o fundo que mostrará o contexto da “mensagem”, ou será a própria “mensagem”, dependendo da composição da foto. E como a luz é ajeitada para revelar ou esconder o que o profissional quer transmitir com a imagem, o fotógrafo, então, sendo ele este profissional que idealiza a cena, ou apenas o que vai registrar a cena idealizada por outra pessoa, configura sua câmera e formata a cena, a profundidade de campo, o posicionamento do “objeto” e etc para os cliques que vão registrar a “mensagem” idealizada. Sendo assim, minha percepção é a de que retratos sobre o corpo humano ou a sexualidade são arte ou “vulgaridade” dependendo da pose, do ângulo, da maneira como o objeto ou o fundo são posicionados, enfim, dependendo da intenção da mensagem, registrados no resultado.. O fotógrafo cristão terá o devido cuidado para montar a cena e registrá-la de forma a expressar a sua idéia para o ensaio, ou a idéia do/a contratante sem vulgarizar a pessoa, respeitando sua fé, mas com muita liberdade artística e cristã para isso.

Agora, pessoal, se valorizem e saibam tratar com respeito aquilo que Deus te deu! Reconhecer a beleza que é aquilo que Deus criou faz parte da vida também. Apreciem com moderação.

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