Hoje vi um pastor de projeção nacional declarar que “Se acredito num deus que determina todas as coisas, é num diabo que acredito…”.

Okay, quem conhece esse pastor, antes de me apedrejar por ter “tocado no ungido”, veja que estou só comentando a frase, não estou falando nada da vida ou do ministério dele, tanto que nem estou citando o nome dele, apenas esta frase exagerada dele, que, pela Bíblia, me sinto compelido a comentar, como fiz quando outro pastor, muito mais famoso, deu uma declaração parecida, faço ao ver pastores reformados exagerando na apologética, faço com cantores seculares de black metal que ouço e que exageram no “protesto social anti-religioso” blasfemando equivocadamente contra Deus e faria com qualquer outro. Não sou neo-pentecostal, então não me sinto proibido de questionar ninguém, ok?

Eu não sei se a intenção dele foi criticar os monergistas, que acreditam em predestinação, em geral, ou apenas criticar os deterministas. Independente da intenção dele, ler algo assim me doeu mais do que se eu lesse um xingamento contra minha própria mãe, já que amo a Deus mais do que qualquer pessoa neste mundo, mais até do que minha mãe ou namorada. Isso me fez refletir nesses adjetivos que Deus, injustamente, recebe, quando estamos fazendo teologia, que é anti-bíblico de nossa parte fazer, e a Bíblia ordena que temos que denunciar. A blasfêmia é algo que entristece tanto a Deus que Ele dizia até para matar quem fizesse isso:

E aquele que blasfemar o nome do SENHOR, certamente morrerá; toda a congregação certamente o apedrejará; assim o estrangeiro como o natural, blasfemando o nome do SENHOR, será morto.
Levítico 24:16

E Ele se entristece em quem vê isso e fica calado:

E quando alguma pessoa pecar, ouvindo uma voz de blasfêmia, de que for testemunha, seja porque viu, ou porque soube, se o não denunciar, então levará a sua iniqüidade.
Levítico 5:1-2

Hoje estamos na Nova Aliança, então não vamos sair por aí matando blasfemadores, ainda mais irmãos em Cristo, que podem simplesmente estar equivocados ou exagerados em emoções e argumentos, mas não creio que seja correto ser negligente com esse tipo de coisa, pois Deus não merece ser tratado dessa forma.

Quando nós, cristãos, queremos defender o que acreditamos, sobre assuntos “periféricos” do cristianismo, e usamos o recurso de ofender outros cristãos, e chegamos ao cúmulo de xingar a Deus por causa de rivalidades teológicas, triviais ou mesmo importantes, perdemos qualquer razão.

Eu sei disso porque eu perdi já a razão muitas vezes, sendo disciplinado em amor pelo Senhor por causa disso.

Eu creio absolutamente em predestinação. Eu me considero, talvez, um “determinista”, no sentido que questiono e não concordo com certos aspectos defendidos pelos “compatibilistas”, mas esse é um assunto que não tenho muita propriedade acadêmica para falar, apenas uma percepção pessoal de uma questão de visão humana sobre a soberania divina. Considero tal assunto denso demais para que eu fique defendendo a todo instante, eu prefiro falar disso numa conversa pessoal, num bate papo filosófico/teológico, com pessoas dispostas a desenvolverem tal assunto, não gosto de falar sobre isso nas redes sociais, estou apenas apresentando meu pensamento para desenvolver o resto deste texto.

Sou monergista, estou recém chegado ao luteranismo, depois de 6 anos dentro da tradição calvinista, então nem sei se estou autorizado pelas panelinhas que dominam o “calvinismo” na internet a me considerar ainda um “calvinista”, apesar de estar ainda confortável com esta nomenclatura, mesmo sendo hoje um luterano que subscreve aos pontos de concórdia luteranos e na confissão de Augsburgo, sendo minha única ressalva a utilização do termo “livre-arbítrio” por estas, ou seja, uma ressalva terminológica e não teológica; por isso, esta visão monergista do processo de salvação e soberania divina que sempre vejo escancarada nas páginas da minha Bíblia não me permitem concordar absolutamente com evangélicos sinergistas e arminianos; ou me compele a defender esta visão monergista até mesmo diante de argumentos de outras religiões, como o neopentecostalismo e catolicismo romano, ambos pelagianos em visão soteriológica. Enfim, eu creio MESMO na predestinação bíblica.

Mas eu não posso traduzir minha discordância teológica, quando estamos falando de irmãos cristãos, em violência contra Deus, porque discordo em questões teológicas que não são absolutas, que não são fundamentos da fé cristã, sejam importantes, sejam triviais, dessas tradições cristãs, já que não passam de meros esforços de se compreender O incompreensível.

Não creio que seja apropriado usar os termos “o ‘deus’ que determina todas as coisas”, “o ‘deus’ arminiano”, “o ‘deus’ sinergista”, nem mesmo “o ‘deus’ pelagiano”, “o ‘deus’ católico romano”, para agredir aqueles de quem discordamos, pois estaria sendo injusto e blasfemador com o próprio Senhor dos Senhores, Criador dos céus e da Terra..

Eu não tenho todas as respostas a questões soteriológicas, ou de outras matérias teológicas, aliás, tenho pouquíssimas respostas, mas tenho fé, a fé que o Senhor me deu quando me chamou das trevas para a Sua luz.

Outras pessoas, dentro de outros esquema teológicos, também têm essa fé que é Ele quem dá, então sair por aí agredindo o Autor e Consumador da fé cristã, o incompreensível Deus, que nenhum teólogo ou pensador jamais poderá explicar, é חטא, hata, errar absolutamente o alvo, ou seja, pecar.

Que o “diabo” (#brinks), digo, que Deus perdoe e tenha misericórdia desses que chamam o próprio Deus de “diabo”, pois, quero acreditar, não sabem o que fazem..

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