Estou compilando aqui algumas citações de João Calvino e de teólogos calvinistas, para que possa edificar quem lê meu blog, e também a mim mesmo, já que minha memória é quase a de um portador de Alzheimer e esqueço de quase tudo que leio, então vai ser bom para mim também compilar aqui essas citações com as quais me identifiquei, como fonte de leitura futura. Vou editando este post conforme vou lendo ou traduzindo alguma coisa que achar que vale a pena postar por aqui. Deus abençoe.

Calvino e o amor de Deus pela humanidade.

“Porque Deus amou o mundo.” Cristo mostra a causa causa principal, por assim dizer, a fonte da nossa salvação, e ele faz isso de maneira permanente, porque as nossas mentes não podem encontrar repouso tranqüilo até chegar ao amor gratuito de Deus. Como em tudo a respeito da nossa salvação não devemos procurar respostas em qualquer outro lugar a não ser em Cristo, por isso temos de ver de onde Cristo veio a nós, e por que ele foi oferecido para ser o nosso Salvador.

Ambos os pontos são claramente afirmados para nós: a saber, que a fé em Cristo traz vida a todos, e que Cristo trouxe vida, porque o Pai Celestial ama a raça humana, e não deseja que se perca.
E esta ordem deve ser cuidadosamente observada, pois tal é a ambição ímpia que pertence à nossa natureza, que, quando a questão diz respeito à origem da nossa salvação, nós rapidamente formamos imaginações diabólicas sobre nossos próprios méritos. Assim, imaginamos que estamos reconciliados com Deus porque ele tem nos achado dignos de que ele deveria olhar para nós.
Mas as Escrituras em toda parte exaltam sua misericórdia pura e sem mistura, que deixa de lado todos os méritos.
E as palavras de Cristo não significa nada mais, a não ser que ele declara a causa de [nossa salvação] estar no amor de Deus.
Lembremo-nos, por outro lado, que enquanto a vida é prometida universalmente para todos os que crêem em Cristo, ainda a fé não é comum a todos. Porque Cristo é dado a conhecer e estendeu à vista de todos, mas os eleitos só são aqueles cujos olhos Deus abre, para que o busquem pela fé.Comentário de João Calvino sobre João 3:16 (traduzido por mim de uma postagem deste trecho na internet, num forum calvinista)

Calvino e as coisas boas que são produzidas pela cultura secular (aqui ele fala sobre a literatura, mas logicamente é aplicável a outras manifestações culturais seculares proveitosas aos cristãos, como música, artes plásticas, fotografia, etc..

Quantas vezes, pois, entramos em contato com escritores profanos, somos advertidos por essa luz da verdade que neles esplende admirável, de que a mente do homem, quanto possível decaída e pervertida de sua integridade, no entanto é ainda agora vestida e adornada de excelentes dons divinos.Se reputarmos ser o Espírito de Deus a fonte única da verdade, a própria verdade, onde quer que ela apareça, não a rejeitaremos, nem a desprezaremos, a menos que queiramos ser insultuosos para com o Espírito de Deus. Ora, nem se menosprezam os dons do Espírito sem desprezar-se e afrontar-se ao próprio Espírito.- João Calvino (Institutas da Religião Cristã, Livro 2)

João Calvino sobre brigas entre cristãos por causa de teologia ou qualquer outro motivo:

” Há um só corpo e um só Espírito, como tb fostes chamados numa só esperança da vossa vocação.
Efesios 4:4

A união deve ser tal que formemos um só corpo e uma só alma. Essas palavras denotam o homem como um todo. Como se quisesse dizer: devemos ser unidos não apenas em parte, mas no corpo e na alma. Ele apóia isso com o poderoso argumento de que todos nós somos “chamados a uma só esperança de vossa vocação”. Deste fato de segue que não podemos obter a vida eterna sem vivermos em mútua harmonia neste mundo.

Um convite divino sendo dirigido a todos, então todos devem viver unidos na mesma profissão de fé, e prestar todo gênero de assistência uns aos outros.

Se ao menos o seguinte o pensamento fosse implantado em nossas mentes: de que há posto entre nós essa lei, que diz que entre os filhos de Deus não pode haver desavença, visto que o reino do Céu não pode dividir-se, então certamente cultivaríamos muito mais criteriosamente a bondade fraternal!!

Quanto odiaríamos todo tipo de conflito se refletíssemos devidamente que todos quanto se separam de seus irmãos, esses mesmos se tornam estranhos ao Reino de Deus!

– João Calvino, no seu comentário sobre Efesios.”

Se vocês buscarem alguma parte da justiça nas obras da lei, Cristo não terá qualquer interesse por vocês, e estarão decaídos da graça.
– João Calvino (fazendo uma paráfrase freestyle de Gálatas 5:4, em seu comentário sobre a carta aos Gálatas e mostrando que a “teonomia” reconstrucionista é uma tremenda heresia)

Há um contraste entre a Lei de Cristo e a lei de Moisés, como se Paulo dissesse: “Se vocês tem um grande desejo de guardar uma lei, Cristo lhes recomenda uma lei que vocês preferirão a todas as outras, que é: exercer benevolência uns para com os outros. Aquele que não tem isto não tem nada.
Por outro lado, quando alguém socorre compassivamente a seu próximo, está cumprindo a lei de Cristo. Com isso, Paulo diz que tudo que não procede do amor é inútil..
– Comentário de João Calvino sobre Gálatas 6:2

Calvino sobre o governo civil:

Não há dúvida de que Cristo quis manter os ministros de sua Palavra distantes do governo civil e do poder terreno, quando dizia: “Os reis dos povos dominam sobre eles; mas vós não sereis assim” [Mt 20.25; Mc 10.42-43; Lc 22.25-26].

Os santos do passado buscaram que os governantes não muito ligados à religião não impedissem a Igreja com tirania, violência e capricho por parte desses governantes, mas que exercessem suas funções para o bem..
Já que a Igreja não deve ter o poder de coagir, nem deva buscar esse poder (estou falando de poder civil), é dever do governantes piedosos proteger a religião com leis, éditos, juízos.

Mas quem sabe discernir entre corpo e alma, entre esta vida presente e transitória, e aquela vida futura e externa, não terá dificuldade em entender que o reino espiritual de Cristo e a ordem civil são coisas diferentes.

– João Calvino (seleções das Institutas Livro 4)

Calvino depois faz sugestões de governo civil em sociedades cristãs que discordo, mas ele mesmo diz que eram propostas apenas, não mandamentos, e que deveriam ser discutidas (ele diz: “Ninguém se perturbe crendo que estou agora a atribuir os assuntos religiosos ao governo dos homens, que pareço colocar isso acima da voluntariedade dos homens, mas, não me contradizendo, estou permitindo aos homens que elaborem voluntariamente [democraticamente, em termos atuais] as leis quanto as coisas religiosas e de culto, apenas defendo que a verdadeira religião, contida nas Escrituras, não seja violada e atacada sem defesa”), ou seja, não absolutizava suas propostas políticas..

Calvino e o capitalismo:

“Tratar Calvino como fundador do capitalismo é simplesmente cair num anacronismo e num reducionismo. Não se trata de desmerecer a obra de Weber. Pelo contrário, com ela, ele levava a cabo uma meticulosa e acertada análise dos mecanismos que levaram ao desenvolvimento do capitalismo. Mecanismos, certamente relacionados com a ética protestante. Mas o capitalismo é um conceito que não pertence ao tempo de Calvino, tendo sido definido posteriormente a ele. É um conceito económico e é um conceito político sujeito a uma polémica num mundo dividido entre dois modos de entender a sociedade e a economia: o capitalista e o comunista. Querer meter Calvino nessa polémica está fora de questão”.

– Carlos Capó, pastor protestante espanhol.

C.S. Lewis (Não há clareza se ele era mesmo calvinista), sobre as ditaduras para “um mal menor” ou “para o nosso bem”.

De todas as tiranias, aquelas exercidas sinceramente para “o bem” de suas vítimas podem ser as mais opressivas. Seria melhor viver sob barões ladrões do que sob “onipotentes” metidos à moralidade. A crueldade do barão pode, por vezes, adormecer, e a sua cobiça pode em algum momento ser saciada; mas aqueles que atormentam-nos para “o nosso próprio bem” vão nos atormentar sem fim, pois fazem isso com a aprovação da própria consciência. [C. S. Lewis]

Sobre o que é mesmo o cristianismo:

A gente sempre esquece do que se trata de verdade o cristianismo: Não é sobre ser bom. É sobre sermos perdoados porque não somos bons.
– Tullian Tchividjian, teólogo Calvinista.

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