Legalismo gera tudo de ruim no coração, tanto dos legalistas, como nas vítimas deles.
Legalismo gera tudo de ruim no coração, tanto dos legalistas, como nas vítimas deles.

O MEU CONTURBADO COMEÇO NA FÉ CRISTÃ

Quando eu deixei de ser pentecostal, a coisa que mais me apaixonei no protestantismo histórico foram os 5 solas, que prometiam acesso direto a Deus através de Jesus Cristo, totalmente de graça, sem as exigências legalistas que eu vivia, sendo salvo somente pela fé, sendo reconhecida a minha incapacidade de cumprir a Lei de Deus sendo perdoado meus pecados, recebendo essa fé salvadora.

Eu tinha uma incompatibilidade com os “padrões” de santidade que me deprimia muito, eu achava que iria para o inferno por não conseguir seguir os rígidos padrões do pentecostalismo que eu abraçava. Eu não queria ser “superior” aos “do mundo”, não entendia porque ser uma “pessoa normal” me tornava tão “ímpio”, porque não poderia seguir as escrituras em qualquer cultura, rejeitando apenas o que é pecado, ao invés de “jogar a banheira com o bebê e tudo, porque a água está suja”, ou seja, não acreditava que deveria rejeitar a cultura toda para aderir a outra outra cheia de usos e costumes que não me adaptava, por mais que tentasse e fosse infeliz tentando, buscava usar roupas que não gosto, ouvir músicas que detesto, usar linguagem que não expressa o que sinto, etc.. Eram muitas as regras e eu não conseguia seguir boa parte delas, porque não as via na Bíblia, e mesmo sobre as que via na Bíblia eu falhava, sendo pecador e não conseguindo cumprir a Lei de Deus.

UMA NOVA DOUTRINA PARA MIM: O PROTESTANTISMO

Eu aprendi no protestantismo sobre o pecado original, sobre a queda total da humanidade, sobre o perdão dos pecados.. Aprendi que pecado é somente aquilo que as Escrituras dizem que é, não o que interpretações subjetivas e culturais dizem. Aprendi que a santificação é progressiva e é feita pelo Espírito Santo, sendo as boas obras que identificam um salvo instruídas somente por Ele, através somente das Escrituras, não “interpretações culturais” e aprendi que esse processo de santificação é gradual, com muitas quedas, aprendizado, imperfeições, mas muito amor, paciência, disciplina e cuidado por parte de Deus Pai, de Jesus e do Espírito Santo. A Bíblia informa que obras não são responsáveis pela salvação do eleito, então não é a “santificação” que salva, a santificação um processo monergista, progressivo, e totalmente controlado por Deus, que direciona nossa nova mentalidade e, consequentemente, nossos esforços, não sendo nossos esforços que nos direcionam a Deus – Ef 2:8-10.

Eu aprendi com a Bíblia e desenvolvi essa fé no protestantismo de que a salvação já está garantida, que quando Jesus disse “Está Consumado”, Ele estava falando sério, não era um equívoco dEle, então a salvação que Ele proporcionou era completa e irrevogável, que poderia estar seguro na obra dEle, não nas minhas obras.

DA RUA AZUZA À GENEBRA

Foi assim que entrei de cabeça no chamado “calvinismo”, logo após de conferir estas novas doutrinas na Bíblia e descobrir que essas coisas novas e maravilhosas para mim eram ensinadas no Protestantismo calvinista, isso em 2005. Isso não era moda ainda, a internet no Brasil ainda não era um mass media, era algo segmentado, então eram poucos os calvinistas, mas eu era membro Igreja Pentecostal, após andar um tempo afastado do Senhor na primeira metade dos anos 2.000, que estava entrando no liberalismo teológico, chamado na época de “teísmo aberto”, e isso me deixou muito confuso. Na época tive contato com escritores calvinistas, como Martin Lloyd Jovens, Johnathan Edwards, Charles Spurgeon, John Piper e outros e a “Teologia da glória”, frisada na Lei e na Soberania divina fizeram muito sentido para mim, na época, passei a estudar mais, ir em palestras teológicas, acessar sites em lan houses e etc para aprender mais do assunto. Acessava também sites e comprava materiais dos “arminianos”, que os calvinistas tanto criticavam, para comparar uma coisa com a outra e, no fim das contas, o calvinismo fez todo sentido para mim como expressão de fé cristã e sistema lógico ao qual eu poderia me apegar para entender as questões que que estavam confusas ou mesmo “em branco” para mim e assim revigorar minha fé em Jesus.

A “NOVA REFORMA”

Na época começavam a falar em várias igrejas evangélicas de termos como “Nova Reforma”, que a igreja Evangélica brasileira deveria passar, pois é visível a situação calamitosa de corrupção e decadência doutrinária e moral de boa parte (talvez a maioria) das denominações evangélicas no Brasil, que estão rendidas ao neopentecostalismo, triunfalismo, teologia de batalha espiritual, teologias políticas, elevação de temas sobre coisas deste mundo como Capitalismo, Socialismo, Direita, Esquerda, Moda, Música, etc, ao centro da fé, tornando essas coisas em ídolos no meio evangélico, também temos o liberalismo teológico, a indiferença com os mais necessitados, a corrupção, as injustiças e várias iniquidades entre nós que fazia, e ainda fazem, o discurso de uma “nova reforma” como sendo algo necessário e até urgente entre nós. Essa “Nova Reforma”, segundo defendiam, deveria ser influenciada pela Reforma que aconteceu no século 16, com Martinho Lutero, Zwinglio, Calvino, etc, mas a maioria dos que pregavam a tal “Nova reforma” se apegou ao calvinismo como modelo para tentar reformar o cenário evangélico nacional. A maioria, no entanto, ignora o fato que não houve uma só Reforma, porém acham que a reforma foi uma coisa só e atingiu seu “ápice” com o calvinismo,o que está bem longe da verdade, mas isso é assunto para outro post. Clique na frase em azul acima e descubra o que foi a Reforma Protestante e as diferentes reformas que aconteceram no período. E como eu me interessava pelo assunto, e também sentia essa urgência, passei a acreditar fortemente que a “Nova Reforma” não deveria ser uma “inovação”, mas um retorno ao calvinismo. No meu caso e no da maioria na época, o calvinismo dos puritanos, não o do século 16, que eu entendia bem pouco, mas tinha mais acesso aos puritanos mesmo. Eu defendia que o modelo puritano, que eu também conhecia bem pouco, não sabia do forte ascetismo moralista e legalista deste movimento (ascetismo = doutrina de pensamento ou de fé que considera a ascese, isto é, a disciplina e o autocontrole estritos do corpo e do espírito, um caminho imprescindível em direção a Deus, à verdade ou à virtude.), deveria ser o modelo que as igrejas deveriam seguir, mas isso de maneira bem flexível, diferente dos “neo-puritanos”da época que pregavam uma estrita observação dos usos e costumes puritanos, como o princípio regulador de culto, uso de véu ou chapéu (head covering) por mulheres no culto e e silêncio absoluto delas entro da igreja e etc. O “Neo puritanismo” foi uma moda que atingiu certa popularidade entre calvinistas no final da década de 2.000, eu era muito mais flexível que eles nesta questão, mas,  mesmo assim, eu ainda defendia um rigoroso ascetismo litúrgico, moral e estético, inspirado pelos puritanos, mas ainda bem mais livre que o modelo puritano original. Hoje, vendo como eu era flexível nestes pontos e vendo como foram as comunidades “teocráticas” puritanas nos EUA, acho que eu seria expulso ou queimado numa fogueira pelos puritanos originais, se me vissem me identificando como “puritano” nesta época.. hahaha

MINHA TRAJETÓRIA COMO PROTESTANTE

De lá para cá, tenho lido vários escritores protestantes do passado, confissões de fé, catecismos, a princípio reformados, hoje me dedico mais ao material luterano e do início da Igreja, para entender melhor como Deus cuidou de seu povo nos séculos e me inspirar em como evoluir como cristão na denominação aonde sirvo a Deus com meus irmãos em comunhão. Tenho também me esforçado com muito afinco em espalhar conhecimento e responder sobre a fé a quem questiona, incluindo esta vertente do cristianismo protestante, o calvinismo, que posso não achar mais a forma mais evoluída da cristandade hoje em dia, só que creio ainda que há muito que se extrair disto para melhorar a Igreja Evangélica Brasileira; inclusive aqui neste meu blog pessoal vocês encontram defesas minhas disso, como vocês podem conferir aqui, aqui, aqui e em vários outros textos antigos deste meu blog pessoal.

Através da internet conheci mais, participei de comunidades, fóruns e grupos onde pude encontrar mais “calvinistas” e, na época, aprendi muito com a verdade das Escrituras nessa vertente, o Calvinismo, e fui muito feliz, mas vejo hoje em dia que a tal “Nova Reforma” parece que saiu pela culatra. Essa que se vê hoje em dia, que virou moda na internet, é extremamente apoiada nas asas no colonialismo estadounidense e muitos agora têm desenvolvido no Brasil, talvez, uma “Nova Reforma”, ou um “Novo Calvinismo”, estranho doutrinariamente às doutrinas dos Solas da Reforma do século 16 (Lutero desenvolveu 3 solas como resumo de suas crenças: Sola Gratia, Sola Fide e Sola Scriptura. João Calvino acrescentou mais dois Solas a este resumo: Solo Christus e Soli Deo Gloria. Clique aqui para entender o que significam doutrinariamente estes solas), com mais aspiracões temporais, auto-afirmativas, ou mesmo políticas, do que espirituais, mais preocupado com obras, mais exigente de ascetismo, enfim, mais legalista, não tão gracioso como o que conheci e vejo nas Confissões de fé reformadas, ou mesmo nas Institutas de Calvino, antes do advento do puritanismo na Inglaterra e nos EUA, que de fato priorizam a Lei ao invés do Evangelho, como a Reforma Calvinista em si priorizou a Lei em seu terceiro uso, o de Norma para a vida Cristã, isso é característica em si do calvinismo original também, mas quando o papel do Evangelho fica cada vez menor diante da Lei,  como fazem os “neo reformados” atuais, a coisa fica muito ruim, além de serem extremamente legalistas com a Lei Moral, também reinterpretam as leis de Moisés e as recomendações dos apóstolos para nos impor novas leis civis (política), cerimoniais (de culto e liturgia), estéticas (roupas, vocabulário, música, etc) e até dietéticas (que alimentos o cristão poderia ou não comer, segundo estes legalistas) entre cristãos. The absurd has no limits!

A REFORMA PROTESTANTE E A LEI DE DEUS

Na época da Reforma, na Alemanha, essa discussão sobre a Lei de Deus foi bem acalorada. Todos concordavam que a justificação do cristão se dava sem a Lei de Deus, mas somente por meio da fé, nisto surgiram alguns, como João Agrícola, que dizia que a Lei tinha sido substituída pelo Evangelho e não tinha mais valor, porém Jesus disse que a Lei não foi abolida, o que contraria este pensamento, e também surgiram outros, como Karlstadt, que dizia que quase toda a Lei de Moisés deveria ser considerada como a forma reguladora para a vida cristã, não só na vida religiosa, mas também para a vida civil, apenas as leis cerimoniais da Torá haviam sido descontinuadas, porém substituídas por novas Leis no Novo Testamento sobre como deveria ser o culto cristão e a organização da Igreja, idéia essa também adotada por Zuínglio, na Suiça. O Novo Testamento não veio trazer novas leis, mas confirmas as morais antigas e nos livra da maldiçao da penalidade que teríamos que receber por não seguirmos seus santos preceitos.

Com estes problemas de como lidar com a Lei de Deus, na época da Reforma, foi reafirmado o ensino bíblico, também assim entendido pelos pais da Igreja e primeiros cristãos, de que a Lei de Deus que continua em vigor para os cristãos é somente a Lei Moral, ou seja, os dez mandamentos, que são citadas no Novo Testamento pelo apóstolo São Paulo como regras contínuas de orientação para os cristãos, que foram escritas nos corações de todos os homens para que todos sejam indesculpáveis diante de Deus e que por elas podemos guiar nosso relacionamento com Deus e com os homens em amor. Ou seja, existe a Lei de Moisés, que Deus entregou a Moisés para orientar as questões civis, políticas, cerimoniais, religiosas, dietéticas, qual o dia e a forma de seguir o descanso (a palavra sábado, ou shabbat, que aparece no terceiro mandamento de Deus, significa descanso. Muitos fazem confusão e dizem ser o sábado cristão o sétimo ou o primeiro dia da semana, mas na Nova Aliança não temos nenhum dia específico para guardar o descanso do corpo, que pode ser a qualquer dia da semana, e o descanso espiritual encontramos na fé em Jesus, por isso cumprimos este mandamento pela confiança em Jesus que nos dá descanso. Como dizia Lutero, em seu catecismo menor, sobre o sábado: “Devemos temer e amar a Deus e, por isso, não desprezar a pregação e a sua palavra; mas devemos ter respeito por ela, ouvi-la e estudá-la com gosto.), enfim, a lei de Moisés era sobre assuntos do povo hebreu, seus usos e costumes, que não valem como regras para os cristãos, mas são sombra de uma antiga aliança que nos conduziu à nova aliança; e existe a Lei de Deus que é para todos os homens e que para os cristãos nos mostra como somos pecadores e nos guia para o Jesus e seu Santo Evangelho, nos orientando também na nossa vida cristã porque ainda temos a natureza carnal contaminada pelo pecado que nos impede de entender e viver completamente a redenção e regeneração que o Espírito Santo nos proporciona por meio da fé, não sendo as Leis de Deus que nos justificam, mas somente a fé, mas ainda temos a necessidade de nos orientar pela Lei de Deus para fazer o bem e fugir do mal em amor a Deus e pelo próximo, por causa de nossa natureza carnal. Por isso as demais leis de Moisés foram um cuidado específico de Deus com o povo eleito dEle na Antiga Aliança. Elas servem também como exemplos de aplicação moral da Lei, como por exemplo quando instruem a não praticar a injustiça, a indiferença com o próximo, a zoofilia, a homossexualidade, os rituais a outros deuses, a invocação aos mortos, etc, mas, para nós cristãos, que somos o povo eleito da Nova Aliança, como base para entendermos e aplicarmos os mandamentos no dia a dia, mas não são parte mas da Nova Aliança que Jesus fez conosco apenas pela fé. Por isso usamos o Novo Testamento para interpretar o Antigo Testamento, para saber o que era sombra e o que permanece como regra moral de acordo com os dez mandamentos na Nova Aliança.

Os protestantes do século 16, então, entenderam que a Lei deveria ser usada apenas de três formas, Calvino usou o mesmo entendimento na Reforma que Ele fez na Suiça e teólogos calvinistas da mesma época também seguiram o mesmo raciocínio, porém hoje esta teologia dos 3 usos da Lei caiu em declínio no meio evangélico e está mais presente no meio luterano mesmo. Os usos são: o uso como Freio, no ambiente secular para conter a maldade humana, seja em casa, no trabalho, na sociedade, na política, na internet, na escola, etc, ou seja, é a moralidade dos dez mandamentos que está gravada em todos os corações humanos e com este uso podemos apontar o que é certo ou errado em nossas relações humanas, independente da fé; o uso como Espelho, na pregação, para mostrar que somos todos pecadores e que a Lei tem o papel de nos matar espiritualmente e nos apontar para Cristo, o doador gracioso da vida eterna por meio da fé somente, este era o principal uso da Lei para Lutero; e o uso como Norma, que é o uso do cristão já regenerado para orientar sua nova vida por causa de sua natureza carnal ainda presente que precisa ser guiada a servir a Deus e ao próximo pelas normas da Lei, este era o principal uso da Lei para Calvino, que acreditava também que a Lei era tão importante como o Evangelho nas Escrituras. Clique aqui, se quiser saber mais sobre o assunto e melhor como aplicar estes 3 usos da Lei de Deus.

O LEGALISMO DE MUITOS NEO REFORMADOS BRASILEIROS

Mas hoje os neo reformados ignoram totalmente esta teologia da Reforma sobre a Lei de Deus e costumam inventar um monte de regras baseados no uso normativo da Lei de Deus. Com esta visão de priorizar a Lei, principalmente em seu terceiro uso como norma, qualquer cristão já tende a se tornar um legalista, porque procura entender as questões de sua religião pela Lei, mas não pensando como um pecador, antes acreditando que deve “consertar” o que está errado normatizando as coisas pelo uso da Lei Moral, sendo que as Escrituras mostra que somos pecadores e não cumprimos a Lei como devemos (Rom 3.20,23), então priorizar a Lei no entendimento cristão das coisas de forma a buscar méritos que “redimam” a cultura, a sociedade, etc, é uma forma errada de aplicar a Lei de Deus (confira os capítulos 1 a 13 da carta de Paulo aos Romanos). E com isso, além de querer buscar méritos diante de Deus, também inventam regras que as Escrituras não contemplam. Nisso colocaram o legalismo deles em vários assuntos. Posso testificar que tenho confrontos constantemente com reformados legalistas nos seguintes temas:

Cultura

Por exemplo, em foruns calvinstas eu costumava ser “questionado” (achincalhado talvez seja o termo apropriado) por curtir heavy metal. Geralmente usavam argumentos de que existem bandas satanistas e por isso eu não posso ouvir heavy metal, e que ouvir heavy metal também seria uma titude de “escândalo” diante dos mais fracos, que seriam incentivados a ouvirem heavy metal também. Eu também sou muito fã de filme de terror. Dizem que eu não posso gostar dessas coisas e deveria “me afastar da aparência do mal”, que eles interpretam como sendo certas manifestações culturais que eles não entendem ou não gostam. Isso atinge muitas questões religiosas também. A Igreja Luterana, aonde sou membro, tem uma cultura bem diferente da evangélica, somos mais parecidos com a católica romana em nossa liturgia, e isso os incomoda bastante, frequentemente sou confrontado por causa da liturgia da minha igreja. Também vejo sempre críticas a manifestações artísticas, como danças, estilos musicais, teatro e etc como se Deus realmente não gostasse  destas manifestações. Alguns até são mais flexíveis, dizem que aceitam qualquer forma de arte fora da Igreja, mas na igreja não deveria haver manifestação artística ou qualquer forma de entretenimento no culto, porque isso, segundo eles, viola o culto a Deus. Eu até entendo que existem muitos absurdos em igrejas evangélicas, que substituem a Palavra de Deus por um show de variedades e pregadores deixam seus papéis de ministros da Palavra de Deus e se tornam animadores de auditório, mas combater um absurdo com outro que é o legalismo não é a solução.

Política

Em outras situações, sou bastante confrontado por minhas convicções políticas e sociais. Eu nasci pobre, já passei por muitas privações, ao ponto de ter que sair pedindo dinheiro na rua para comer ou pegar um ônibus, hoje estou com uma situação um pouco mais confortável e acredito fortemente no ensino bíblico que os mais pobres devem ser atendidos em suas necessidades. Pela Bíblia toda vemos recomendações e ordens a respeito disso. Mas os neo-reformados costumam me chamar de “marxista” por pensar assim. Bom, eles dizem um monte de groselha sobre política que vocês já devem conhecer muito bem e não vou ficar repetindo aqui porque o textão já tá é grande demais, mas quem está acostumado com o meio reformado brasileiro já sabe que uma das modas é defender as vertentes de Direita que eles são adeptos e o conservadorismo político estadunidense como sendo os padrões cristãos para o pensamento político e social e quem assim não crer já está condenado. Nesse legalismo, eles já declararam sua “jihad” contra os infiéis, principalmente aqueles que eles chamam de “marxistas”. A palavra “Marxismo”, aliás, já está mais frequente entre certos reformados do que Evangelho, Graça, Salvação, Pecado, Bíblia, etc.. Eles elevam seus valores políticos e suas paranóias sobre uma tal “conspiração marxista” acima de qualquer artigo de fé que dizem professar também. Eles perseguem os “cristãos esquerdistas”, que para eles não são cristãos de verdade, não possuem o mesmo “mérito” que eles para serem considerados cristãos, como se Deus realmente restringisse a Liberdade do cristão para servir a Deus e ao próximo na política e na sociedade apenas às filosofias de Direita.

Eu não sou marxista. Nunca li um livro inteiro de Marx. Dizem que, mesmo assim, eu devo ter sido condicionado a idéias marxistas por uma improvável conspiração marxista nas escolas brasileiras para “doutrinar” as pessoas ao marxismo, o que comigo também não faz o menor sentido, porque frequentei a escola nos anos 90, quando não era o “PT malvadão”, que eles tanto odeiam e chegam até a colocar o ódio  ao PT como artigo de fé, se vc não odeia o PT, vc seria um “traidor da cruz de Cristo”, segundo alguns legalistas mais exaltados, partido ao qual eles atribuem essa “Conspiração” de “doutrinação marxista” nas escolas. Eu tenho minhas crenças políticas por causa de diversos fatores que não vou enumerar aqui, e não me sinto obrigado pelas Escrituras a seguir nenhuma vertente, me sinto livre para seguir qualquer vertente, ou mesmo nenhuma. As Escrituras não me dão padrões para pensamento político, apenas moderam o que é certo e o que é errado. Então seja eu de Direita, ou Esquerda, ou Centro, ou qualquer coisa, eu devo amar a Deus com tudo que tenho e amar o próximo como a mim mesmo e fazer o que é certo, rejeitando o que é errado. Se a Direita, ou a Esquerda. tem coisas que eu considero certeiras para que eu possa servir ao próximo, ao bem geral de todos, então eu posso escolher entre elas as que eu posso usar para o benefício geral das pessoas.  Se a Direita, ou a Esquerda, tem coisas erradas, que estão contra o que Deus determina à minha fé, ou dão prejuízo de alguma forma ao meu próximo, eu devo rejeitar essas coisas erradas e não ser corporativista político, colocando ideais políticos acima da minha fé, colocando agenda política, através de legalismos, acima da agenda do Evangelho de perdão de pecados e salvação dos humanos, mas devo dizer não ao pecado que porventura eles incentivarem e moderar (dizer sim ou não) ao que as vertentes políticas propõem pela fé, ao invés de usar a política como moderadora (do que pode ou não pode) das coisas da fé, como muitos legalistas neo-reformados fazem.

Estética

Outro ponto que eles costumam confrontar é na questão estética. Eu sou sempre confrontado pelas minhas tatuagens, brincos, camisetas de banda de metal e etc. Invadem sua particularidade com uma agressividade impressionante. Também vejo muitos comentários, ou mesmo confrontos diretos por causa das roupas das meninas. Geralmente usam passagens como 1 Pedro 3.1-3 para dizer às mulheres o que vestir ou não vestir. A Bíblia realmente dá recomendações às mulheres sobre humildade, que elas não confiem na beleza exterior como sendo algo a se apegar (Prov 31.30), nisto São Pedro e São Paulo dão exemplos às mulheres das igrejas para onde escreveram as cartas, mas essas recomendações não dão padrões de roupas, do que vestir ou não vestir. Haviam algumas regras sobre isso para o povo hebreu, mas na nova aliança a recomendação é que não nos apeguemos à beleza exterior, e isso não é só para mulheres, estas passagens do novo testamento com conselhos para mulheres serem humildes também serve para os homens. Em Mateus 15, o Senhor explica que o pecado procede do interior, não do exterior. Deus avalia a intenção do seu coração, não o seu guarda-roupa, sua biblioteca política, sua playlist de músicas, etc, e sua preocupação deve ser somente em ser livre, tomando cuidando com o que você faz com elas se suas atitudes irritam a Deus e como elas afetam seu próximo, avaliando isso pela autoridade das Escrituras somente, não pelo chororô de legalistas.

Estas regras estéticas, políticas, culturais, etc, são mais uma invenção humana de servir como “atalho” para a santificação, ao invés de ir pelo caminho da fé e da confiança de que a santificação e o cumprir da Lei de Deus de verdade é um presente de Deus dado progressivamente a Deus, que nos disciplina, ensina e nos dá forças para fazer a coisa certa. É triste ver textos de legalistas dizendo que as mulheres devem se vestir de certa forma, ter certa postura como esposa, não pode trabalhar, que certas roupas são pecado, que o culto deve ser de certa forma, que restringem o pensamento político ou social, etc, baseados em interpretações legalistas da Palavra de Deus que não são realmente regras estipuladas por Deus para seu povo.

Ou seja: À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles. (Isaías 8:20) Eles podem citar versículos bíblicos até, mas incorretamente mal interpretados segundo seus medos, seus preconceitos e seus gostos. Mas tudo que eles disserem deve ser levado ao exame das Escrituras, se realmente os versículos que eles citam querem dizer o que eles estão afirmando sobre eles, ou são só regras humanas colocadas como interpretações erradas da Palavra de Deus. Continue lendo o textão que você vai entender que foi isso que eu tive que fazer.

OS MODISMOS ENTRE OS CALVINISTAS

Uma coisa que logo que comecei no calvinismo já entrei e depois vi a besteira que eu tinha feito foi o modismo. Na minha época de início no calvinismo, o modismo mais forte era o puritanismo. Com a internet, parece que a cada semana tem um modismo diferente disponível por aí, e os neo-reformados têm abraçado com afinco os modismos semanais que a internet proporciona, buscando um entendimento entre eles do que amar e do que odiar, a quem amar e absolver de toda culpa e a quem odiar e condenar com furor nas polêmicas que pululam pela internet toda semana, como parece que toda a internet também faz, isso não é mérito exclusivo deles, mas eles costumam fazer isso em nome de Deus, relativizando o que é absoluto para Deus e absolutizando o que deveria ser secundário e relativo para nós. Mas confesso que fico impressionado que os grupos calvinistas da internet que conheço costumam ser unidos e raramente se vê grupos calvinistas entrando conflito pelos modismos diferentes, mesmo que os modismos sejam contraditórios entre si. O sentimento corporativista entre os calvinistas é algo que dificilmente se encontra em outras vertentes cristãs. Isso é louvável. Eles costumam colocar suas diferenças de lado em razão de seus alvos. E isso é uma constante entre os neo-reformados também, mas o problema dos neo reformados é que os alvos deles mudam a cada moda semanal e frequentemente são pessoas e não idéias.

Eu reconheço o puritanismo como movimento que fez muito em favor do protestantismo na Inglaterra e EUA,  a moda agora também é o neocalvinismo holandês, que não conheço tanto quanto o puritanismo, mas através de Bonhoeffer tive uma boa crítica e uma resenha desta ideologia, além dos estudos de Van Til que eu fiz quando era calvinista que me deram alguma base para entender pontos deste movimento, e acredito que tem sim suas particularidades positivas também, não estou aqui para dizer que puritanos, neocalvinistas, direitistas conservadores e etc são hereges que devem ser caçados e cortados do nosso convívio, não é isso, são movimentos protestantes legítimos que têm suas particularidades que os torna peculiares e diferentes dos demais, nessas peculiaridades podemos avaliar o que é positivo e negativo, mas eu sempre bom lembrar aos que defendem seus movimentos como sendo o único “padrão” de Reforma possível que o protestantismo não aconteceu apenas nos EUA,  Inglaterra e Holanda, mas aconteceu na Alemanha, Suiça, França, Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, e ainda acontece no mundo inteiro, geográfica e numericamente, com características diversas e diferentes. Esses dois países não servem como vitrines do protestantismo mundial, há muito mais para se buscar na história e atualmente do que nesses dois países ou apenas no puritanismo. Porém muitos calvinistas colocam o modelo puritano, o neocalvinismo holandês de Kuyper, Doyeeweerd, etc, suas pautas corporativas, como a Direita política estadunidense, o combate ao que eles entendem como “marxismo” (o problema é que andam sendo muito injustos com a desculpa de “combate ao marxismo” e a grande maioria do que eles rotulam como “marxismo” não tem nada a ver com isso, e com esta “jihad neo-reformada” contra os “infiéis” marxistas, eles têm ferido muita gente inocente) e diversas  outras modas que surgem e se desvanecem entre eles como sendo obrigatório para se acrescentar à fé para se “modelar” (justificar) a pessoa como um bom cristão. Isso é bizarro. Sério.

O “NEW CALVINISM” ESTADUNIDENSE  E O NOVO CALVINISMO BRASILEIRO 

Nos EUA há um movimento chamado “novo-calvinismo” que está bastante popular por la, mas, diferente do Brasil, nos EUA o “novo calvinismo” busca contextualizar o calvinismo histórico aos dias de hoje e resgatar escritos de grandes autores calvinistas do passado, incluindo os puritanos (que é legado deles, nada mais mais natural que aproveitar esse legado entre eles) como fonte de inspiração de pensamento cristão para os dias de hoje, mas tudo isso repaginado segundo as novas formas de comunicação e dialogando com os jovens para que eles possam entender a proposta do novo calvinismo de lá.. Nomes como John Piper, RC Sproul, Mark Driscoll, Tim Keller, Tullian Tchividjian e outros por lá são famosos por essa remodelagem do calvinismo estadunidense. Só que aqui, no Brasil, a tal “nova Reforma” acabou sendo associado ao calvinismo, mas não ao antigo de uma forma “remodelada”, mas uma outra forma de “novo Calvinismo”, que não traz nada novo do que já temos aqui, legalismo, fanatismo político, idolatria, sentimento “aristocrático” (tipo um sentimento de: “eu sou de tal vertente, então sou melhor que os outros irmãos de outras vertentes e eles devem submissão à minha vertente e a mim”, fazendo uma caricatura bem por cima do “novo calvinismo tupiniquim”), é apenas mais uma moda religiosa, senão apenas uma expressão diferente de tentativas humanas para a auto-salvação, auto-afirmação, “elitização/supremacia espiritual” e marginalização do próximo. No Brasil, muita gente que se orgulha do título “reformado” acrescenta regras extra-bíblicas principalmente da cultura “anglo-americana”, atual e antiga, na maneira de se vestir, no ritmo musical a ouvir, na maneira de namorar, como ser marido/esposa, muitos se identificam com o que alguns puritanos fizeram séculos atrás e aqui imitam, achando que esse padrão ascético cultural deles é o padrão “bíblico de santificação”, seguindo a “Metrópole”, como bons colonizados, elevando a cultura gringa,  geralmente aa conservadora estadunidense a algo divino e demonizando as outras.

MEU RELACIONAMENTO COM A LEI DE DEUS

Quando falo em legalismo aqui, não estou dizendo que devemos ignorar a Lei de Deus. Apenas que devemos fazer a correta separação entre Lei e Evangelho (clique nas palavras em azul para entender mais sobre isso). A Lei nos diz o que devemos fazer. A Lei Moral de Deus ainda está em vigor e nos serve como orientação na vida cristã. Mas o mais importante é o Evangelho. O Evangelho é a boa notícia do que Deus fez e faz por nós. Por meio da Lei podemos melhorar nossos caminhos, mas ela vai sempre nos matar espiritualmente e nos levar ao desespero, porque somos pecadores, se ela não for acompanhada do Evangelho, que nos oferece perdão de Deus pelos nossos pecados e vida eterna no Céu com Jesus de graça e por meio da fé somente. EU AMO A LEI DE DEUS! (Clique nessa frase em azul, aonde faço minha declaração de amor completa pela Lei de Deus) Mas eu me não gosto nem um pouco quando inventam leis e regras que nada têm a ver com a Lei Moral de Deus para tornar a vida das pessoas ainda mais difíceis, nem quando colocam seus gostos pessoais como se fossem lei de Deus, geralmente reinterpretando as leis de Moisés que eram parte da Antiga Aliança com Israel, que ficaram na Sombra da Nova Aliança (Col 2.8-19), querendo jogar pesos impossíveis de carregar, que a pessoa mesmo não carrega nem com um dedo, e gosto muito menos quando usam a Santa Lei de Deus para oferecer uma inocência diante de Deus por meio de obras e méritos.

NEO REFORMADOS BRASILEIROS – NADA DIFERENTE DOS DEMAIS MODISMOS EVANGÉLICOS

Por isso percebo que parte dos “reformados” atuais SÃO EXATAMENTE IGUAIS aos legalistas pentecostais, tradicionais e etc, que já existiam aqui antes do calvinismo virar moda, e a tal “Nova Reforma” brasileira é igual ao pentecostalismo ascético e legalista que me vi tão feliz em me livrar, por causa das exigências extra-bíblicas hipócritas e impossíveis de se cumprir que vivia lá e tive que viver de novo no calvinismo, o que me provocava mais medo de Deus do que amor a Ele. O legalismo dessa “nova reforma tupiniquim” é terrível! Acrescentam muitas regras às Escrituras, regras de roupas, estilos musicais, adesão intelectual a sub-vertentes calvinistas, palavras e gírias do nosso vocabulário, comportamento dentro de um relacionamento amoroso (geralmente inferiorizando as mulheres), em quem ou votar ou não votar, enfim, elevam questões periféricas a principais e ignoram as fundamentais, como fé, graça, perdão dos pecados, justificação, etc, então acabam exigindo obras impossíveis para a salvação, com desculpa de “santidade”, e ai de quem não cumprir, então revogam a salvação das pessoas (como se tivessem esse poder) que não conseguem seguir essas regras, na maioria das vezes extra-bíblicas, com uma facilidade impressionante, dizendo que quem não segue suas doutrinas corporativas (dos grupos, geralmente exclusivistas, que participam) é apóstata ou nunca foi salvo.

UMA PAUSA PARA DEFENDER O CALVINISMO

Agora uma rápida explicação minha do porque deixei de ser calvinista e uma defesa do calvinismo, afinal, não vou cuspir no prato aonde comi por tantos anos também.

Antes que digam, não deixei de ser calvinista por mágoa ou pelos problemas que tive com calvinistas que exageram muito no legalismo, como os adeptos da seita calvinista da Teonomia, ou outros que me atacaram publicamente e talvez muitos de vocês tenham acompanhado, pois são minoria entre os calvinistas, mas hoje não sou mais calvinista por ver que certas questões minhas o calvinismo não contempla, ou contempla de uma forma que meus questionamentos me fizeram me afastar disso, mas a mudança foi algo pessoal, não estou aqui para fazer proselitismo da Igreja Luterana ou algo assim. Não é essa minha vontade. Claro que o suficiente está na Bíblia, por isso não há judeu, grego, homem mulher, reformado, luterano, arminiano, católico, ortodoxo, mas todos somos um em Cristo Jesus (Gálatas 3.28), mas por questões que não quero trazer aqui neste texto agora para não alongar muito o texto, nem pretendo aqui ofender os irmãos calvinistas, passei a me identificar com a Fórmula de Concórdia como expressão de fé bíblica e não mais com as formas de unidade do calvinismo (a crença dita “reformada” foi consolidada no século XVII por 3 símbolos de fé de locais diferentes que resumiam a fé calvinista: A Confissão Belga, o Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort, mais detalhes neste artigo do Alderi de Souza Matos da Universidade Presbiteriana Mackenzie), ou com a confissão de fé de Westminster, declaração de fé dos presbiterianos, denominação de confissão calvinista mais popular e influente no Brasil; hoje me identifico mais com a História da Igreja Cristã Católica (Universal, não só a romana, mas as ortodoxas orientais, anglicana e protestante também) nos seus 2 mil anos de atividade no Ocidente e no Oriente do que somente na história de uma só vertente a partir do século XVI na Suiça, Reino Unido e EUA, como fazem os calvinistas em sua maioria, e por me identificar mais com abordagens e ênfases bíblicas negligenciadas na teologia reformada, como a correta separação entre Lei e Evangelho, a teologia do reinos da mão direita e da mão esquerda de Deus, ao invés da teologia do pacto, presença “espiritual” na eucaristia, “puritanismo”, “ascetismo” e etc, hoje sou de outra vertente protestante, mas, como disse, longe de mim fazer proselitismo disso. Foi algo estritamente pessoal.

Não estou aqui para falar mal do calvinismo. Pelo contrário, acho que neste cenário multi-denominacional do meio evangélico brasileiro, que está distante do protestantismo histórico e tem sérios problemas e escândalos a vista de todos, partes do calvinismo, que devem ser avaliadas com as Escrituras, poderiam ser uma boa solução de reforma para o cenário evangélico atual. O luteranismo está fechado em suas denominações. Não existe uma “Igreja Assembléia de Deus Luterana”, “Igreja Metodista Luterana”, etc. Não existem luteranos em outras denominações. Os luteranos estão nas igrejas luteranas. Já o Calvinismo é mais aberto neste sentido. Existem assembleianos calvinistas, anglicanos calvinistas, batistas calvinistas, etc. Por isso os pontos positivos do calvinismo podem conseguir maior alcance nas denominações já estabelecidas no Brasil, que poderiam buscar reformar suas doutrinas e práticas ao que diz a Palavra de Deus e viver conforme os cristãos viveram pela história doutrinariamente, mantendo suas culturas e liturgias, sem precisar virar uma “Igreja Luterana”. Ou seja, o calvinismo pode conseguir se encaixar melhor nas igrejas brasileiras. Claro que existem igrejas evangélicas que estão virando luteranas e se filiando à IELB ou IECLB, mas são excessões, e isso não é minha proposta como cristão, apesar de considerar como muito bem vindas as adesões à reforma luterana, mas sim que o nome de Jesus seja glorificado, pela Igreja de Cristo espalhadas nos diversos grupos cristãos deste mundo, seja luterano, calvinista, presbiteriano, pentecostal, batista, católico, ortodoxo, anglicano, etc, mas, no atual cenário evangélico brasileiro, acredito que o estudo das Escrituras e da história da Igreja se fazem necessários, e nisso o formato mais aberto do calvinismo pode servir à igreja brasileira aonde for positivo e condizente com as Escrituras. Por isso continuo trabalhando com meus irmãos calvinistas pela saúde da Igreja brasileira e edificação dos irmãos. Não coloco luteranismo ou calvinismo como remédios, pq a fé em Jesus que é, mas coloco como modelos de Reforma para edificação da igreja local, caso haja necessidade. Mas muitas igrejas arminianas, católicas, anglicanas, ortodoxas, metodistas e pentecostais são já saudáveis espiritualmente, colocando Jesus no centro e seguindo as Escrituras, então não há necessidade de adoção desses modelos de reforma em suas estruturas locais, podemos juntos adorar a Deus em comunhão, respeitando essa diversidade que Deus estabeleceu em Sua Santa Igreja.

MINHA FRUSTRAÇÃO COM OS REFORMADOS LEGALISTAS

Mesmo sendo “traidor do movimento novo calvinista, véi“, como alguns dizem por aí, talvez eu ainda possa comentar essa minha frustração com os mais radicais que hoje dão a cara desse movimento brasileiro de “Nova Reforma”, trazendo não os pontos positivos do calvinismo, mas trazendo e criando pontos negativos disso para oprimir os outros, não reformar, para acusar, não para ajudar, principalmente os que usam termos como “reformados”, “neo puritanismo”, “teonomia”, “reconstrucionismo”, “cosmovisão reformada”, e outros movimentos, para se diferenciar e excluir a maioria, em nome dessa tal “supremacia”, ou “santidade” que nunca vi na Bíblia apresentada da forma como eles acham que podem atingir e exigem dos outros..

O teólogo luterano Paulo Buss sintetiza a percepção que tenho deste grupo legalista que é muito presente nos foruns de internet calvinistas brasileiros:

“Transformar a fé em obediência, por exemplo, é fazer do evangelho uma nova lei.

Quando a lei toma o lugar do evangelho e a justificação deixa de ser a doutrina central do cristianismo, a igreja é transformada de uma congregação de crentes numa congregação de crentes e obedientes, e Cristo se torna um novo Moisés. (Sasse, 1987, 137; Boehme, 2002, 21a).

Ulrich Asendorf —um destacado teólogo luterano da Alemanha— salienta que Lutero ensina o uso predominante da Lei como espelho. A Lei destrói, conduz à morte e revela o pecado.

Em Calvino, se predomina o “terceiro uso da Lei” (no Livro de Concordia, o terceiro uso da lei se refere ao uso da lei como orientação para a vida cristã). O resultado disso, no calvinismo em geral, é uma tendência ao legalismo. Isso conduz ao sistema puritano de vida.

A partir daí, os calvinistas não conseguem distinguir Lei e Evangelho. Em consequência, o Evangelho se torna uma nova Lei.”

A Bíblia sintetiza divinamente essa frustração:

Vocês receberam o Espírito de Deus por terem feito o que a lei manda ou por terem ouvido a mensagem do evangelho e terem crido nela?

Como é que vocês podem ter tão pouco juízo? Vocês começaram a sua vida cristã pelo poder do Espírito de Deus e agora querem ir até o fim pelas suas próprias forças?

Será que as coisas pelas quais vocês passaram não serviram para nada? Não é possível!

Será que, quando Deus dá o seu Espírito e faz milagres entre vocês, é porque vocês fazem o que a lei manda? Não será que é porque vocês ouvem a mensagem e crêem nela?

Lembrem do que as Escrituras Sagradas dizem a respeito de Abraão: “Ele creu em Deus, e por isso Deus o aceitou. ”

Portanto, vocês devem saber que os verdadeiros descendentes de Abraão são os que têm fé.

Antes que isso acontecesse, as Escrituras viram que Deus ia aceitar os não-judeus por meio da fé. Por isso, antes de chegar o tempo, elas anunciaram a boa notícia a Abraão, dizendo: “Por meio de você, Deus abençoará todos os povos. ”

Abraão creu e foi abençoado; portanto, todos os que crêem são abençoados como ele foi.

Os que confiam na sua obediência à lei estão debaixo da maldição de Deus. Pois as Escrituras Sagradas dizem: “Quem não obedece sempre a tudo o que está escrito no Livro da Lei está debaixo da maldição de Deus. ”

É claro que ninguém é aceito por Deus por meio da lei, pois as Escrituras dizem: “Viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus. ”

Mas a lei não tem nada a ver com a fé. Pelo contrário, como dizem as Escrituras: “Viverá aquele que fizer o que a lei manda. ”

Porém Cristo, tornando-se maldição por nós, nos livrou da maldição imposta pela lei. Como dizem as Escrituras: “Maldito todo aquele que for pendurado numa cruz! ”

Cristo fez isso para que a bênção que Deus prometeu a Abraão seja dada, por meio de Cristo Jesus, aos não-judeus e para que todos nós recebamos por meio da fé o Espírito que Deus prometeu.

Gálatas 3:2-14

MEU PROBLEMA É COM O LEGALISMO

Ou seja, legalismo não é bíblico, não é cristão, não é protestante, muito pelo contrário..

Eu não estou aqui para dizer que as pessoas não podem ser puritanas, neocalvinistas, etc, exceto se for alguma seita realmente herege, como é o caso do Reconstrucionismo teonomista, ou o caso de teologias liberais que negam a Bíblia como Palavra de Deus, mas entre os calvinistas não existem muitas seitas, existem movimentos e entendimentos diversos sobre as questões, como os já citados acima, mas também existem os “reformados” que são ligados à igrejas estatais, que possuem uma teologia mais confessional ou liberal, existem os neo-ortodoxos, existem muitos calvinistas na chamada “Missão Integral” também, então não quero aqui generalizar e ser injusto, nem exclusivista, dizendo que todos os calvinistas são malvadões legalistas e que um calvinista deveria ser aquilo que eu gostaria que ele fosse.

O apóstolo São Paulo também teve que lidar com diferentes movimentos de cristãos em sua época, ele nos relata de um problema de rivalidade e divisão entre cristãos mais ascéticos, que guardavam dias e evitavam certos alimentos como forma de santificação, e os que priorizaram a Liberdade Cristã, então, inspirado pelo Espírito Santo, ele combate o legalismo dos dois lados, dizendo:

Um crê que pode comer de tudo; já outro, cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais.

Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou.

Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está de pé ou cai. E ficará de pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar.

Há quem considere um dia mais sagrado que outro; há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente.

Aquele que considera um dia como especial, para o Senhor assim o faz. Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e aquele que se abstém, para o Senhor se abstém, e dá graças a Deus.

Pois nenhum de nós vive apenas para si, e nenhum de nós morre apenas para si.

Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor.

Por esta razão Cristo morreu e voltou a viver, para ser Senhor de vivos e de mortos.

Portanto, você, por que julga seu irmão? E por que despreza seu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus.

Porque está escrito: ” ‘Por mim mesmo jurei’, diz o Senhor, ‘diante de mim todo joelho se dobrará e toda língua confessará que sou Deus’ “.

Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.

Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão.

Romanos 14.2-13

DE GENEBRA À WITTENBERG

Muitos me confrontam também por ter virado luterano. Não quero me alongar mais ainda nesse assunto do luteranismo, porque não estou aqui para fazer proselitismo disso, a fé em Jesus não é calvinista, ela é universal, a Igreja de Jesus é universal, abrange pessoas de várias culturas e denominações diferentes, e fui salvo por Jesus e recebido por ele numa Igreja Pentecostal, nem tinha ouvido sequer falar de calvinismo na época. A fé é um dom de Deus, não do calvinismo. Não adianta nada dizer que o calvinismo não salva e que isso é obra só de Deus, mas ficar brigando com as pessoas porque elas são de uma vertente diferente. Tudo bem se fazer críticas e avaliações de outras vertentes, discordar de outras vertentes, o problema não é esse, mas sim ficar apurrinhando e dando falso testemunho sobre o irmão, como muitos calvinistas têm me chamado de “arminiano” porque me tornei luterano, insinuando ou mesmo afirmando o calvinismo como única via cristã possível para se seguir as Escrituras.

Mesmo se eu tivesse me tornado um arminiano, isso não me descredenciaria como cristão, não estaria negando nenhum ponto da fé fundamental que as Escrituras ensinam, apenas teria um entendimento diferente sobre pontos teológicos que não determinam se a pessoa é salva ou não. Mas não foi o caso. Não abri mão de nenhum pensamento essencial que tinha antes, pelo contrário, só confirmo esta fé que Deus me deu como um presente a cada dia mais, tive sim alguns entendimentos mudados ao questionar o calvinismo em si,  analisando com as Escrituras, mas não nego absolutamente nada dos fundamentos da fé que Deus me deu e que expressava antes mesmo de ter sido calvinista e continuei expressando como calvinista, nada alterou nada minha fé monergista, como alguns me acusaram.

O luteranismo confessional mesmo é monergista, eu teria que ser um para ser um luterano confessional, mas isso é assunto também para outro post. E por ser monergista quero manter uma distância saudável de ascetismo rigoroso, seja sob desculpa de “reconstrucionismo”, “puritanismo”, “santidade”, “princípios reguladores” ou qualquer outro argumento transformado em legalismo pelos mais radicais (legalismo = ênfase maior na Lei, que resulta em doutrinas de justificação por mérito, ou salvação por obras, ou se sentir melhor que o próximo por causa desses méritos e obras que os legalistas dizem que cumprem e exigem dos outros).

A JUSTIFICAÇÃO É SOMENTE PELA FÉ.

Confesso que essas exigências para ser um “reformado” que se fazem atualmente entre os “neo-reformados” eu não consegui nunca cumprir (nem eles conseguem. Demagogia pura!), é uma pseudo-perfeição que não tive a mínima condição e hoje não tenho a mínima pretensão de alcançar (porque sei que é impossível) e nem vejo tal perfeição nestes que arrogam isto de si mesmos e cobram tanto de mim e outras pessoas, eles demonstram algo muito diferente da “santidade” ou “perfeição” que exigem tanto dos outros.

Quando os neo-reformados dizem que um cristão não pode ser isso, não pode fazer aquilo, querendo dizer que um cristão com uma certa preferência política, como se o cara for de Esquerda, ou de alguma ramificação de Centro ou de Direita que não agrada o legalista, ou que o cristão não pode ouvir heavy metal, ou que não a mulher não pode se vestir de certa forma, ou que beijar na boca antes do casamento é pecado, ou qualquer regra que eles inventam e usam passagens das Escrituras que nada têm a ver com isso, não devemos dar consideração. Isso é um fardo muito pesado. Como disse Lutero, no seu trabalho “Sobre a Liberdade Cristã”: “Eu não posso aguentar o fardo de leis baseadas em interpretações da Palavra de Deus, já que a Palavra de Deus, que ensina a Liberdade acima de todas as coisas, diz para que eu não me deixe dominar..”.

Ao agirem assim, eles estão indo contra o principal fundamento da fé cristã e protestante, a Justificação. O pastor Charles St-Onge define assim a justificação:

“Justificativa” é geralmente definida como a explicação ou razão para uma determinada ação ou ocorrência. Por exemplo, a minha “justificativa” para estar atrasado para a aula pode ser que foi um acidente de carro na minha frente na estrada que tornou a viagem excepcionalmente longa. No caso do cristão, a “justificativa” que necessitamos é a razão pela qual somos capazes de permanecer como seres humanos pecadores diante de um Deus perfeitamente justo, essa razão é chamada de “justificação”, porque somos justificados em por uma razão aceitável (aceitável para Deus, no nosso caso). Para evoluir a este ponto, os seres humanos são justificados diante de Deus porque o que Filho encarnado do Pai, Jesus de Nazaré, fez através de sua vida e morte expiatória. Esta “justificação” não é em qualquer forma merecida pela humanidade, mas é oferecida gratuitamente aos seres humanos por Deus. Os seres humanos se apropriam para si mesmos os benefícios desta oferta, isto é, ser capaz de estar diante de Deus, apesar de nossa pecaminosidade, apenas pela confiança nEle. Esta confiança é criada em nós pelo próprio Deus Espírito Santo; quando a mensagem desta “justificação”, a boa notícia ou Evangelho de Jesus, é pregada ou ensinada. Desta forma, podemos dizer que a justificação é oferecida pela misericórdia de Deus, Somente pela Graça (Sola Gratia), e apropriada pela confiança, ou seja, somente pela fé (Sola Fide). Assim, “justificação” é o “caminho” cristão para a relação estabelecida entre todos os seres humanos e Deus por Jesus, em um sentido, e entre os seres humanos individualmente e Deus pela confiança em Jesus, de uma forma mais particular.

Então ao dizerem que o cristão precisa ser isso ou aquilo, ou não é cristão de verdade, sejam baseados em regras que eles mesmos inventam, seja com a própria Lei de Deus de verdade, eles estão negando que a justificação seja somente pela fé e estão exigindo méritos para que nos coloquemos como inocentes diante de Deus. As boas obras são uma necessidade de santificação diante do pecado do mundo, mas não nos tornamos cristãos verdadeiros por meio delas, mas somente pela fé. Se o cristão tem a fé, ele vai buscar agir em amor a Deus e ao próximo, mas vai falhar e será considerado inocente diante de Deus pela fé somente que Ele tem em Jesus e na mensagem do Evangelho dEle que promete perdão, justificação e salvação pela graça, somente, por meio da fé, não por obras da Lei de Deus, e muito menos por meio de regras humanas inventadas por legalistas.

CRISTIANISMO NÃO É UMA RELIGIÃO DO CONSERVADORISMO ESTADUNIDENSE

Eu não quero mais esse modelo “anglo-americano” de produtividade religiosa e perfeição não. Muitos pregam a “santidade” como sendo seguir os padrões estéticos, culturais e políticos dos conservadores estadunidenses. Acrescentam estes padrões como regras extra-bíblicas de santificação, sendo que a Bíblia ensina que quem nos santifica é Deus (1 Tim 4.5/Heb 10.10), segundo sua Lei Moral de amor a Deus e ao próximo não regras extra-bíblicas de usos e costumes estéticos, culturais e políticos baseados em interpretações furadas da Lei de Moisés. Não queria de volta o que vivi no pentecostalismo, mas acabei vivendo de novo no calvinismo, por isso fiquei muito tempo em oração, buscando orientação, conversando com pastores e amigos, querendo saber como resolver esse problema de relacionamento com muitos calvinistas por eu não ter posições políticas, sociais e de usos e costumes distintas deles.

LIVRE SOU! LIVRE SOU!

No meio desses estudos e oração, pude conferir nas Sagradas Escrituras que o Senhor não tem compromisso nenhum com legalismos (Col 2.20-23), que Sua Santa Lei Moral é um fardo leve (Mat 11.28-30/Gál 5.14), ao contrário das interpretações furadas que os legalistas fazem da Lei de Moisés (1 Cor 3.13-17), e hoje posso dizer novamente:

Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres.
João 8:36

JÁ ME PREVENINDO

Sei que esta crítica dificilmente será bem recebida, mas achei por bem registrar, quem sabe faça algum eco e toque no coração de algum calvinista que tenha deixado a maldade e a soberba entrar em seu coração e reveja seus passos e sentimentos como calvinista, por Deus e pelo próximo. O próprio Calvino já alertava:

Ninguém possui coisa alguma, em seus próprios recursos, que o faça superior; portanto, quem quer que se ponha num nível mais elevado não passa de imbecil e impertinente.
– João Calvino / Institutas Vol 2

CUIDADO!

Aos que estão entrando agora no protestantismo histórico, através das igrejas e grupos de estudos reformados, fiquem espertos com os legalistas, que, graças a Deus, são minoria entre os calvinistas, apesar de muito barulhentos, mas eles se espalharam por toda parte e são pessoas egoístas que só te tratarão bem enquanto você estiver a favor deles, assim como no neopentecostalismo, eles tratarão mal e qualquer “amor” demagogo que eles pregam vai acabar quando você começar a questionar o que eles dizem.

Para identificar essas pessoas, veja se os discursos políticos, eclesiásticos, sociais, teológicos são de menosprezo ao próximo, enfim, se o discurso deles é egoísta, se visa apenas o bem próprio deles, ou o benefício do grupo social/econômico/político/teológico/etc que eles fazem parte, se eles desprezam o bem comum em nome de seus interesses próprios. Fujam destes, por mais sejam versados em teologia, que saibma citar escritores reformados/puritanos de cor e salteado, que pareçam anjos de luz, na verdade ainda estão em trevas. Não guarde rancor, ore por eles, mas evite o quanto puder. Vai te fazer bem. Jesus falou sobre como andam os verdadeiros discípulos:

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. João 13:35

CONCLUSÃO

Todo mundo falha em amar, mas ser deliberadamente egoísta e sentir prazer em maltratar o próximo, principalmente da parte de um cristão, não é algo que é fácil de tolerar, o melhor é se afastar de gente assim, antes que eles se virem contra você e você sofra com eles até que eles sejam disciplinados pelo Senhor, ou seja manifestado que eles não são trigo, mas joio entre nós.

Vós, pois, caríssimos, advertidos de antemão, tomai cuidado para que não caiais da vossa firmeza, levados pelo erro destes homens ímpios.
Mas crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele a glória agora e eternamente.
2 Pedro 3:17-18

Esclarecido isso, agradeço a leitura e espero ter sido edificante para você de alguma forma.

E O TEXTÃO AINDA NÃO TERMINOU

* Notas de Rodapé: O termo “reformado” se aplica somente a calvinistas e zwinglianos. Os que são adeptos da Reforma Luterana são conhecido como “luteranos”, não como “reformados”, isso por iniciativa dos calvinistas e zwinglianos que não aceitavam o termo “reformado” para luteranos.

Lutero odiava que os desejosos por uma reforma na Igreja Católica dentro das propostas dele e de outros padres e bispos que se uniram pedindo reformas fossem chamados de “luteranos”. Lutero mesmo disse: “Não se chamem luteranos, mas cristãos. A doutrina não é minha; eu não fui crucificado por ninguém… Por que deveria eu, um pobre mortal, dar meu nome insignificante aos filhos de Deus?”. Os católicos que para xingar e acusar os desejosos por reformas na Cristandade de serem idólatras que chamavam os adeptos de reformas de “luteranos”, “calvinistas”, “zuinglianos”, “anabatistas” e etc.. Esses termos não eram bem vindos entre os que eram chamados assim. Até porque a Reforma Protestante não aconteceu na intenção de se criar uma nova religião, apenas de mudar certas coisas nas Igrejas Cristãs ocidental e oriental, porém as reformas não foram aceitas e seus apoiadores foram excomungados e expulsos, deiaxando assim as Igrejas Cristãs locais adeptas das reformas doutrinárias e eclesiásticas fora das duas maiores denominações cristãs, por intransigência dos líderes deles, que passaram ainda a chamar as igrejas e pessoas adeptas das reformas de luteranas, calvinistas, zuinglianas, anglicanas, etc.  Com o tempo os nomes acabaram pegando e não foi mais possível se chamar diferente.

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