hammer_head“um homem que é justificado ainda não é um homem justo, mas está no próprio processo de mover-se em direção à justiça”
– Martinho Lutero.

A definição de Legalismo que uso aqui é a popular, que é tentar se salvar, ou ser melhor que os outros, através da Lei.

Muito jovens e adolescentes estão sendo atraídos pelo legalismo, por regras rígidas de comportamento, de culto religioso, de pensamento político, enfim, eles parecem confusos neste mundo confuso e se deixando levar por propostas que aparentemente traduzem a religião cristã, com suas propostas regeneradoras e transformadoras de santidade, em algo muito mais estreito do que já é, para que (teoricamente) só um grupo muito pequeno de pessoas possa ser salvo, mas que na verdade fogem da santidade bíblica, mas pregam um ascetismo impossível de ser cumprido, ou seja, com regras não unânimes e concordes entre elas, ignoram o Evangelho, a História da Igreja e colocam regras que só levam à perdição, não à salvação.. Além do fato de que cada sub-grupo legalista tem suas regras próprias, ou seja, é impossível evoluir segundo o legalismo.

Essas regras buscadas por muitos jovens hoje dizem o que vestir, que músicas ouvir, como aparentar, como escrever, como falar, qual o vocabulário “autorizado” por eles, qual partido votar, qual partido odiar, qual filosofia política adotar, qual igreja frequentar, qual igreja evitar, como cultuar, como compartilhar sua fé, enfim.. As regras são muitas e diferentes entre elas.. Mas têm em comum o fato de que é impossível cumprí-las da maneira como esses grupos exigem..

De uns tempos para cá, fala-se muito de uma “Nova Reforma” que a Igreja Cristã deveria passar, mas os que defendem a “Nova Reforma” não consideram a cristandade como um todo, apenas as igrejas evangélicas neopentecostais e pentecostais, alguns também colocam as tradicionais no bolo. Porém o projeto de “Nova Reforma” parece que virou um projeto apenas para um “puxadinho”. Ao invés de mudar o cenário, buscam sair do cenário que acham ruim, mas constroem um “puxadinho” ligado ainda ao cenário, de onde falam mal do cenário que observam, mas desconsideram que ainda fazem parte disso, só estão num “puxadinho”. Não querem mudar o cenário ruim de verdade, só querem se sentir diferentes, mas acabam levando muitas coisas ruins ainda para o “puxadinho”, sem Reforma real, apenas uma “maquiagem”. E a pior coisa que levam para essa “Nova Reforma”, que na verdade é um “puxadinho” é esse legalismo, que chamam de “santidade”. Nisso vemos grupos que se perdem em legalismo, como “Eu Escolhi Esperar”, “Novo Calvinismo”, e vários grupos considerados “reformados“. Alguns chegam até ao extremo do legalismo e ensinam que os cristãos devem dominar o Estado e pelo poder do Estado forçar as pessoas a seguirem a “Lei de Deus”, no caso deles, uma compilação da Torah sem nenhum sentido bíblico, lógico ou mesmo sem nenhum bom senso, como vemos em muitos que se auto-proclamam “Calvinistas Teonomistas“, por exemplo..

A Bíblia tem sim suas regras sobre diversas áreas de nossa vida, essa é chamada a “Lei de Deus”. Negar a Lei de Deus é anticristão e essa postura de se negar a Lei de Deus para se afirmar a própria vontade é chamada de “Antinomismo” (para os “teonomistas” radicais, negar o que eles ensinam e o “profeta” deles “John rousas Rushdoony” ensina é que é antinomismo, assim como para os adventistas que crêem na “profetiza” deles, a Ellen G White). Isso deve ser evitado pelos cristãos. Mas Jesus veio trazer algo que sobrepõe a Lei de Deus, que é o Evangelho. A Lei de Deus não foi abolida, mas ela é cumprida em Jesus e pelo cumprimento dEle somos santificados e justificados e pelo Evangelho recebemos os benefícios desse cumprimento. A Lei de Deus nos mostra como somos falhos, ela nos condena, nos mostra que somos dignos do Inferno.. Por isso uma das características desses tais jovens que hoje se encantam pelo legalismo é que costumam “lançar ao inferno” com muita pressa os que não estão de acordo com o que eles consideram a lei de Deus porque, na maioria das vezes, esses padrões que eles adotam e chamam de “Lei de Deus” não são de fato a Lei de Deus, mas uma compilação de versículos biblicos, interpretados com a malignidade do pecado de legalismo, seja judaizante, seja de acréscimos culturais sobre temas que a Bíblia não especifica como agir (como roupas, por exemplo, onde a Bíblia condena a lascívia, mas a Nova Aliança não dá padrões de moda para seguirmos). Mas o que esses jovens precisam conhecer é o Evangelho. E eles precisam encarar o Evangelho como boa notícia.

Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.
Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas;
Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Romanos 3:20-24

O Evangelho nos liberta do jugo da Lei. Ele não nos liberta da obrigação de se cumprir a verdadeira Lei de Deus, mas dos efeitos de condenação eterna da Lei, que foi feita para nos mostrar que somos pecadores e que por nossos méritos não podemos ir para o Céu, e o Evangelho também nos liberta dos padrões rígidos humanos dos legalistas, que, como a Bíblia diz: “Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos.Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne.” (Col 2:22-23)

É extremamente necessário que separemos a Lei do Evangelho em nossa caminhada cristã. Há muito do Evangelho no Antigo Testamento, e muito da Lei no Novo Testamento. Mas através dessa distinção podemos ter orientação moral e doutrinária e esperança no Senhor, porque a Lei aponta o Evangelho e o Evangelho cumpre a Lei através de Cristo. É um desafio também impossível, porque buscamos tanto a perfeição, buscamos tanto ser agradáveis a Deus por nossos próprios méritos, que só com o trabalho do próprio Senhor para lembrarmos que nosso cumprimento da Lei não nos torna melhores que aqueles que falham em coisas mais públicas do que nós (afinal, todos falhamos, mas com o tempo aprendemos a esconder muito bem nossos pecados).

Ninguém é salvo pela obediência à Lei, mas pela fé no Evangelho. É pela pregação da Lei e do Evangelho que a pessoa é salva. A pessoa pode passar a vida inteira sem conhecer totalmente a Lei de Deus, ou conhecendo e não conseguindo cumprir (caso de 100% dos cristãos), mas se conhecer e crer no Evangelho, será salva.
Como dizia Lutero: “Encontre qualquer pessoa que é bem versada na arte de dividir a Lei e o Evangelho na mente e poderemos chamá-lo de doutor em Sagrada Escritura, pois sem o Espírito Santo é impossível dominar esta distinção.”

Por isso é bom que oremos por nossos adolescentes e jovens, porque o caminho do legalismo é o caminho da destruição. É um caminho que ao homem parece direito, mas o final dele é que é um caminho de morte. A Lei deve apontar o Evangelho, porque a lei de Deus assim aponta. Depois de mostrar nossas falhas e o iminente inferno que merecemos, Jesus aparece nos chamando para sua salvação e seu processo contínuo de santificação e regeneração, que só terminará na Nova Jerusalém, aqui na Terra ainda teremos muitos tropeços e falhas para contabilizar. Essas “leis” sobre roupas, músicas, maneira de pregar, maneira de cultuar, e qualquer outra lei que seja uma interpretação equivocada da Palavra de Deus, ou pior ainda, um acréscimo à Palavra Deus, não são obrigação.

As Escrituras são a Lei e o Evangelho

“Os cristãos já estão regenerados pela fé em Cristo, deveras estão livres da servidão da Lei (Rom 6:14). Sem serem coagidos por seus rigorosos mandamentos (deves, não deves), por amor a Deus estão dispostos a fazer tudo que lhe agradá. Basta mostrar-lhes o que Deus quer que façam e o farão com prazer. Esta é a nova obediência nascida da fé, a livre obediência de um filho que ama, não a obediência forçada de um escravo. Para os filhos de Deus, a Lei é apenas guia e norma, que não mais comanda e compele a obediência deles, mas que os dirige e guia, mostrando-lhes o que é verdadeiramente bom e agradável aos olhos de Deus (Romanos 12;1-2; Miquéias 6:8; Salmo 119:9).”

(Sumário da Doutrina Cristã, de Alfredo Koehler, teólogo luterano)

Antinomismo nega a Lei.
Legalsimo e Teonomismo negam o Evangelho.

Ambos devem ser rejeitados por amor ao Deus das Escrituras (Lei e Evangelho)..

2 Timóteo: 3. 16. Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; 17. para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.

Portanto, quem é vítima desses legalistas que exigem padrões de “produtividade cristã” em coisas que a Bíblia não exige, aonde você não vê na Bíblia nada que te force a seguir o que eles dizem, não temam pelo que ouvem deles. Jesus já adiantou essa situação:

“O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu senhor.
Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se o dono da casa foi chamado Belzebu, quanto mais os membros da sua família!
“Portanto, não tenham medo deles. Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar conhecido.
Mateus 10:24-26

E quem é legalista, quem num dado momento perceber que está indo além, que está passando dos limites, como eu estou percebendo e pedindo perdão para quem magoei, pedindo perdão a Deus por deturpar tantas vezes a Palavra dEle por entendimentos errados de minha parte, repense. Arrependimento é cura e o primeiro passo para o amadurecimento no relacionamento com o Senhor.

Como, então, seguir a Lei de Deus e cumprir o Evangelho?

“Não faça aos outros o que não quer que façam a você. Aí está toda a Lei. O resto é mero comentário.”
Rabino Hiliel, no Talmud.

“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas”.
Jesus Cristo (Mat 7:12)

Simples assim. Complicado desse jeito.

Que Deus tenha misericórdia de nós..

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