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Eu tenho há anos falado contra esse lance de “relevância” da Igreja que de  uns tempos para cá virou mantra em muitos grupos evangelicais, principalmente entre os adeptos da chamada “Missão Integral”. Mas acho que vou ter que parar, ou achar um discurso mais claro, porque tenho visto por aqui brotando vários textos contra isso, mas de cunho legalista e exclusivista e não quero ser associado a isso..
O meu ponto contra a idéia de “Relevância”  (e meus amigos que defendem MI e a “relevância”  discordam de mim e da minha maneira de analisar isso) é que não devemos ter essa preocupação em sermos populares e aceitáveis na sociedade, pq o mundo jaz no maligno e teríamos  que negociar a nossa fé bíblica para termos aceitação e popularidade, por isso não creio que seja bom ou saudável ter essa ênfase na Igreja. O mundo não aceita a divindade de Cristo, não aceita o juízo de Deus,  não aceita a Bíblia como infalível palavra de Deus. Não  aceita o Messias como Ele é, não aceita o fato que somos pecadores e que o Evangelho fala do perdão dos pecados, antes  prefere um “evangelho” mais social, mais “cool”, que fale mais de diversão, prazeres e que seja omisso com nossos pecados. Se queremos ser “relevantes”, temos que negociar o Evangelho de perdão de pecados e regeneração com o mundo e oferecer o que o mundo gosta, não a Lei que Deus como o que Deus exige, e nem o Evangelho com o que Deus oferta, só aí sim seremos populares e aceitos pela sociedade caída..

Vejo também o resultado que essas idéias produziram em algumas pessoas, outrora crentes e certas das verdades de Deus conforme as Escrituras e que hoje exaltam a “dúvida”, zombam dos que têm certeza e fé e procuram flexibilizar ou “desconstruir” as verdades eternas da fé que recebemos pela Palavra de Deus. Se eu tinha sinal amarelo por causa disso,  o sinal ficou vermelho de vez. Por isso eu nunca olhei com bons olhos essas coisas..

Tem também o lance político  da “relevância”. Eu creio na separação da Igreja e do Estado, que são dois reinos separados e cada um com sua função. Muitos, com o discurso de “relevância”, parecem defender uma “teocracia”, mas não brutal e assassina como foi a Católica no passado e seria a “Reconstrucionismo de Rushdoony”, que os adeptos chamam de “Teonomia”  se essa idéia fosse implementada (Deus nos livre).. Mas uma “Teocracia Social” onde intelectuais de “Esquerda” e pensadores liberais portariam a   verdade que deveria ser acatada tanto na esfera religiosa e espiritual das pessoas, como na esfera social e política das pessoas, o que não vejo na Palavra de Deus algo que determine isso. Enfim, Igreja e Estado devem cooperar, mas são Reinos diferentes. As questões governamentais não são Reino de Deus e as coisas espirituais não são questão política..

Para finalizar meu ponto de vista nisso, eu vejo as palavras de João Batista: “Importa que Ele cresça e eu diminua”, como um convite para o contrário, para a irrelevância, que Cristo seja relevante em nós, e que popularidade e aceitação dos crentes não seja foco,  mas que o foco seja Cristo. Se Ele for relevante, nós teremos uma vida tranquila e aceita na sociedade, então que a Igreja não esteja nesse foco, mas Cristo..

Bom,  já tive várias conversas com meus amigos adeptos disso, eles dizem que eu não entendo e estou analisando errado e as vezes ficam até chateados comigo,  mas não é o caso. Eu não acho que seja uma forma de apostasia, apenas não concordo com as proposições e  propostas baseadas nessas idéias de “Missão Integral” e “Relevância”, mas tamo junto. Se creio que o Reino de Deus é espiritual, então não sou eu que vou querer colocá-lo numa caixa pessoal e dar as regras de como isso acontece. Esse Reino tem um Rei e Ele cuida dos seus como quer. Creio que isso é só uma moda,  como outras que já passaram e vai passar também.. Nada que deva impactar na comunhão entre irmãos, só não me peça para acreditar nessas coisas que não vi ainda apoio bíblico para isso..

Voltando agora à questão legalista, depois de ter explicado minha rejeição a isso, eu não estou gostando de ler os textos contra a “relevância” que estão pipocando na esfera mais legalista da internet, que de alguma maneira ainda respinga em mim e,  por mais que eu queira evitar,  acabo tendo contato.

Me parece que o cerne da questão é o uso do termo “reformado”, ou “calvinista” por pessoas mais modernas, que adaptam certos termos e valores do pensamento reformado, mas de uma maneira mais contextualizada, chamados por eles “marxistas”, porque para esses paranóicos atuais tudo se resume à política e, como os neopentecostais colocam tudo que não gostam como culpa do diabo, esses paranoicos neo-reformados colocam tudo na culpa do “marxismo”, e os “moderninhos” e “marxistas” invocam a tal “relevância” e por ter apoio reformados conhecidos,  isso parece que não agradou uma parcela dentro do evangelicalismo que tb se auto proclama “reformada” que ficou bem irritada com isso. Esse grupo está insatisfeito com as atividades  desses reformados que eles se referem como sendo uma galera “moderninha” que não anda conforme o protocolo de usos e costumes “puros” que tal grupo defende e por isso surgiu a necessidade de rechaçar a idéia.  Onde já se viu?! Reformados no meio de “pecadores carnais cheios de piercings, tatuagens, rock ‘n roll  e ‘boca sujas’, que ainda por cima querem justiça social, direitos e valor iguais aos pobres e negros desse jeito?? Isso é puro ‘marxismo cultural’!!”, dizem eles na intransigência e paranoia deles.

É claro que não  gostariam da situação. Então viram no mantra “relevância” a melhor maneira de rechaçar a tal iniciativa.

O ruim é que, como bons legalistas, evocam um exclusivismo arrogante, dizem que a relevância vai contra os padrões de usos e costumes dos puritanos ingleses de séculos atrás, vai contra o sistema político de Chessuis, como se só existisse esse grupo e esse modelo cristão na história do protestantismo e na História da Igreja, e como se o Reino de Deus fosse humano e carnal e se resumisse no Capitalismo, que é tão caído como qualquer outro sistema político humano deste mundo, e como se quem não seguir os modelos que eles dizem ser os certos não pode ser considerado reformado, nem mesmo protestante, ou nem mesmo cristão. Eu não concordo com esse exclusivismo..

Enfim, mantenho minha posição que descrevi no começo do texto, mas não concordo com o que tem brotado pela internet aí contra a idéia de “Igreja Relevante”..

Mas você, homem de Deus, fuja de tudo isso. Viva uma vida correta, de dedicação a Deus, de fé, de amor, de perseverança e de respeito pelos outros.  Corra a boa corrida da fé e ganhe a vida eterna. Pois foi para essa vida que Deus o chamou quando você deu o seu belo testemunho de fé na presença de muitas testemunhas.  Guarde bem aquilo que foi entregue aos seus cuidados. Evite os falatórios que ofendem a Deus e as discussões tolas a respeito daquilo que alguns, de modo errado, chamam de “conhecimento”.  Algumas pessoas, afirmando que tinham esse “conhecimento”, se desviaram do caminho da fé. Que a graça de Deus esteja com vocês!

– 1 Tim 6.11-12,20-21 (NTLH

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