Cima_da_Conegliano,_God_the_Father
Tu és soberano sobre a Terra, sobre os Céus Tu és Senhor absoluto!
Mas apesar desta glória que tens, Tu te importas comigo também.

Toda vez que eu cito a palavra “soberania” e digo que Deus tem o controle de tudo, as pessoas geralmente levam minhas declarações para o ramo de pensamento do “Determinismo” e tentam “defender” Deus de certas consequências lógicas do Determinismo. Dizem que Deus é bom não pode, portanto, determinar o que é mal.

Bom, eu não vou dizer minha posição quanto ao determinismo, mas quero escrever um pouco sobre a soberania de Deus e a associação que se faz com o determinismo quando essa palavra é pronunciada.

Acho que pelo fato de eu ter sido calvinista por tantos anos e ter defendido isso com muito afinco e me empenhado bastante em fazer proselitismo desta vertente teológica, quando eu era adepto, eu fiquei com o estigma de calvinista e tenho ciência que geralmente os deterministas são calvinistas e os calvinistas não deterministas muitas vezes enfatizam muito a questão da dupla predestinação ao se referirem à soberania divina e que os condenados irão ao inferno devido a esta soberania. Este estigma que os calvinistas têm é complicado de dissociar, e como eu defendi essas coisas por muito tempo, também fica complicado que as pessoas não me vejam mais como calvinista quando eu me refiro à soberania de Deus.

Hoje penso que a soberania deve ser enfatizada junto com o amor. O mundo é mal e poderia ser muito pior, mas Deus não só permite o mal, mas principalmente permite o bem. E é bom lembrar que é pela soberania de Deus que temos a salvação. Jesus veio soberanamente e é sem mérito nenhum de nossa parte que somos salvos, mas por uma escolha soberana de Deus, um ato de amor soberano de Deus.

O cristianismo é uma mensagem de esperança, não de medo. A soberania de Deus tem que nos dar uma perspectiva de conforto e esperança, não de medo pelo que ele pode fazer contra nós, como Soberano, mas pelo que Ele faz por nós, a favor de nós, pelo seu amor Soberano. Então a soberania deve ser enfatizada junto com o amor, para nos lembrar que tudo que existe de bom é pela soberania de Deus, inclusive a salvação. A parte ruim está também no controle de Deus, também é soberania de Deus, mas temos que tomar cuidado na hora de interpretar o que a Bíblia diz sobre isso. Se interpretarmos mal, podemos representar fraudulosamente o Santo Nome do Senhor.

Vamos para o básico da hermenêutica. Existem algumas maneiras de interpretar a Bíblia.

Primeiro é a da revelação. A bíblia é a revelação de Deus para nós. Se Deus é perfeito, então a revelação Ele é perfeita. Porém Deus usou homens imperfeitos para falar com homens imperfeitos (nós), então Ele não “ditou” as Escrituras, mas “inspirou” as Escrituras, para dar um “toque” humano à sua revelação. Algumas partes, como os 10 mandamentos, são ditadas, mas a maioria é inspirada. COmo a revelação é por vias humanas, ela acaba emperrando também no entendimento, na diversidade e nas limitações humanas de entedimento. Sendo assim, a primeira regra de interpretação da Bíblia é interpretá-la com a própria Bíblia.

Segunda regra é a iluminação. Quando examinamos a Bíblia com a própria Bíblia e não encontramos respostas, principalmente para questões particulares e espirituais, então oramos e pedimos iluminação. Deus pode dar essa iluminação ou não.

Terceira regra é a análise histórica. Temos que entender o contexto que as coisas foram escritas para enteder a passagem que não ficou clara após passar pelas duas regras anteriores.

Por último entra a lógica. Se não conseguirmos interpretar a bíblia pelos critérios anteriores, então raciocinamos e buscamos um entendimento lógico e coerente para a passagem pela qual temos dificuldade.

Os dois primeiros critérios são os mais importantes e definem as bases da fé cristã. Os outros são mais variáveis e resultam em diversidade doutrinária. O determinismo ou o sinergismo são produzidos no último critério.

Vamos ver a questão da soberania.

A Bíblia chama Deus de soberano e diz que Ele tem o controle sobre tudo:

Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas. Isaías 45:7

No primeiro filtro, o da revelação, essa doutrina da soberania dEle é confirmada:

O Senhor se assentou sobre o dilúvio; o Senhor se assenta como Rei, perpetuamente.
Salmos 29:10

O SENHOR reina; regozije-se a terra; alegrem-se as muitas ilhas.
Nuvens e escuridão estão ao redor dele; justiça e juízo são a base do seu trono.
Um fogo vai adiante dele, e abrasa os seus inimigos em redor.
Os seus relâmpagos iluminam o mundo; a terra viu e tremeu.
Os montes derretem como cera na presença do Senhor, na presença do Senhor de toda a terra.
Salmos 97:1-5

A qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; 1 Timóteo 6:15

E muitas outras..

Pela critério da revelação, temos confirmado que Deus é soberano e tem o controle sobre tudo.

O da iluminação é um critério mais particular. Ex: “Poxa, Deus é soberano e eu aqui nessa vida de merda. Por que, Deus, por que?” Aí não é uma questão acadêmica. A pessoa precisa de refúgio, precisa de iluminação.

Pelo critério histórico, analisamos os salmos e vemos que Davi estava refutando a idolatria e o politeísmo, problemas marcantes de sua época. Isaque está mostrando que os males que Israel estava enfrentando e ainda iria enfrentar eram ação de Deus para disciplina de uma nação que havia abandonado a Deus. Paulo anima Timóteo e dá uma perspectiva escatológica do Retorno de Jesus para recompensar as tribulações que os cristãos passam pela sua fé, sendo que muitos morrem por isso.

Então o ser humano, ávido e curioso por conhecimento, quer entender mais e faz perguntas como: Se Deus é bom e tem o controle de tudo, porque acontece coisas ruins no mundo?
Aí é uma questão lógica. Vejam que ao fazermos esse tipo de pergunta temos 3 variáveis:

Deus é bom + Acontece o mal + tem o controle de tudo = ?

Como não temos resposta, então colocamos uma das variáveis disponíveis como resposta, alterando conforme aquilo que conseguimos aceitar em nossas pressuposições lógicas (em nossos valores pessoais). Aí temos os seguintes cenários:

Ateísmo/Agnosticismo/Mimimi:
Acontece o mal + Tem o controle = Deus não é bom.

Sinergismo:
Deus é bom + Acontece o mal = Deus tem o controle, mas não determina ou causa nada

Determinismo:
Deus é bom + Tem o controle = Acontece o mal pq ele determina. Ou o mal que acontece não é bem “mal”, mas “bem”, no final das contas.

 

Viram como essas questões acabam sendo lógicas?? A pessoa pega variáveis presentes nas escrituras e monta sua matemática para entender.

Eu sou da posição de que a lógica é algo perigoso e não deve ser tomada como absoluta na interpretação da Palavra de Deus, apenas a revelação é absoluta. Entendemos muita coisa com a lógica, mas nunca devemos confundir lógica com a revelação. Minha posição lógica nisso tudo é:

Deus é bom + tem o controle + mal no mundo = ???

Não sei como explicar. Tenho uma pendência maior à lógica determinista, mas não absolutizo, pois é lógica, não revelação..

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