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1. A lei não é apenas desnecessária para a justificação, mas totalmente inútil e inteiramente impossível.
2. Aqueles, porém, que guardam a lei na opinião de serem justificados por ela, para estes ela se torna também um veneno e uma peste para a justificação.
3. Quando se trata da justificação, não há expressões suficientes contra a impotência da lei e a pestilentíssima confiança na lei.
4. Pois a lei não foi dada para justificar ou vivificar, ou para ajudar em algo para a justiça,
5. mas para que aponte o pecado e provoque a ira, ou seja, acuse a cons ciência.
6. A morte não é infligida para que vivamos por meio dela, tampouco o pecado é inato para que por meio dele sejamos inocentes.
7. Igualmente a lei não é proposta para nos tornarmos justos por meio dela, visto que ela não pode oferecer nem a justiça nem a vida.
8. Em resumo, quanto o céu dista da terra, tanto deve-se manter a lei se parada da justificação.
9. No assunto da justificação nada se deve ensinar, dizer, cogitar a não scr unicamente a palavra da graça que nos foi oferecida em Cristo.
10. Disso, porém, não se conclui que a lei deve ser abolida ou afastada das pregações da Igreja.
11. É tanto mais necessário ensiná-la e insistir nela justamente porque não é necessária e também impossível para a salvação
12. para que o homem soberbo e presunçoso em suas forças aprenda que não pode ser justificado pela lei.
13. Pois o pecado e a morte devem ser mostrados o mais possível não por que fossem necessários para a vida e a inocência,
14. mas para que a pessoa reconheça sua injustiça e perdição, e assim venha a humilhar-se

– Martinho Lutero

Esse conteúdo é parte do segundo debate contra os antinomistas. Hoje o termo “antinomiano”, ou “antinomista”, é relativamente conhecido na internet, por causa um pequeno grupo com características bem sectárias, porém relativamente famoso na internet, principalmente por conta de páginas com milhares de curtidas e acessos como “Reforma que Passa”, “Internautas Cristãos”, “Resistir e Reconstruir” e outras páginas menos famosas desse grupinho de pessoas extremistas que se dizem “calvinistas”, e são uma versão bem extrema e sectária dos Teonomistas, porém costumam fazer seu proselitismo ideológico na internet de maneira bem agressiva, atacando com radicalismo, extremismo e exclusivismo quem não crer em suas interpretações particulares bem viagens na maionese sobre a Lei de Deus, principalmente inspiradas no livro “Institutes of Biblical Law”, livro que muitos teonomistas têm como um livro normal, mas esse grupinho tem veladamente como complemento à Bíblia.

Para este grupinho mais sectário, não aceitar o que que eles dizem, seja o conceito deles de “teonomia” (Teonomia, em grego, significa “Lei de Deus”), que geralmente é uma extremização do livro citado acima, o Institutes of Biblical Law, ou interpretações particulares de políticas públicas atuais, que eles dizem que estão fazendo uma releitura “reformada”, ou mais adequada à Lei de Deus; para esse grupo, que veladamente atribui a justificação à Lei de Deus, apesar de negarem isso em seus discursos, se você não acredita no que eles dizem, você é um “antinomiano”, portanto é um libertino, um não regenerado, ou apóstata, portanto, logicamente, banido do Reino de Deus devido a uma pretensa “autonomia” que só eles enxergam, atribuindo a justificação à Lei de Deus, ou melhor, aos códigos que eles têm como Lei de deus, o que não é de verdade, daí o caráter sectário exclusivista do grupinho, mas originalmente o termo “antinomista”, ou “antinomiano” se aplicava a discípulos de um cara chamado Johann Schnitter, ou João Agrícola, em português, que, talvez baseado na heresia marcionista, dizia que a Lei de Deus havia acabado em Cristo. Lutero defendia a pregação da Lei e do Evangelho. A Lei deveria ser para arrependimento, visão do pecado sobre nós mesmos e orientação para a vida cristã. O evangelho para a salvação, a fé e o conhecimento de Cristo, a regeneração.

Segundo Lutero, as Escrituras são dividas em Lei e Evangelho. Essas duas partes das Escrituras são diferentes, mas não são opostas, são complementares. Lutero dizia que um verdadeiro teólogo era aquele que se aplicava em separar e relacionar bem a Lei e o Evangelho e escreveu muito sobre o assunto, contra duas heresias que apareceram na época, uma “antinomista”, por João Agrícola, um luterano que propunha que a Reforma desconsiderasse a Lei e considerasse apenas o Evangelho, e Karlstadt, um outro luterano que hoje seria próximo a esse grupo de “teonomistas”, que dizia que a Lei de Moisés deveria ser a constituição para o governo civil.

Neste debate, Lutero procura separar a Lei e o Evangelho e depois relacioná-las, mostrando que o fim da Lei é o Evangelho de Cristo, porém ela não é descartada, sendo usada pelos cristãos como norma para sua obediência a Cristo, mas essa obediência sendo algo movido pelo Espírito, voluntária e por amor, não por coação ou medo.

João Agrícola é refutado e os antinomistas desconsiderados, assim como os “teonomistas” de Karlstadt da época, mantendo-se o equilíbrio da Reforma quanto às suas propostas de heremenêutica correta das Escrituras.

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