egoismo-1

 

São muitos os comentários que se lêem pela internet, se ouve nas conversas, em músicas e até mesmo em sermões de que a situação evangélica nacional não está boa. Claro que há focos de avivamento em muitos lugares. Em muitas igrejas locais ou mesmo denominações, a situação é diferente, o clima é bom, o sentimento é de prazer com a situação desses locais de “Resistência”, mas se olharmos de maneira geral para o Brasil, infelizmente o sentimento de insatisfação cresce mais do que o de prazer. Claro também que muitos evangélicos,  por causa do trabalho dos tele-evangelistas, acreditam na igreja como uma empresa e se vêem como clientes da fé, então quando não conseguem o que querem, seja de bens materiais, relacionamentos, amizades, etc, já ficam insatisfeitos e reclamam como se a religião fosse um produto que não os atendeu em suas expectativas e vontades e por isso se sentem mal e já saem  reclamando, mas aqui estou falando dos que já estão enraizados na religião evangélica, que são convertidos há muitos anos ou mesmo nasceram dentro da nossa religião evangélica ou protestante (lembrando que neopentecostais são evangélicos, mas não são protestantes), o sentimento geral é de que o cenário evangélico no Brasil não anda bem.

Eu já comentei com amigos que tô mais animado com a cena Católica do que com a evangélica, vejo mais avanços em vários quesitos no catolicismo do que no meio evangélico.. Não que eu tenha desistido do meio evangélico, eu peço muito a Deus por avivamento.

Eu pude estar no meio evangélico nos anos 90, que foi a última década de um avivamento que começou nos anos 70 no Brasil e terminou nos anos 90. Por causa da Ditadura, muitos evangélicos eram perseguidos e isso causou avivamento, o pentecostalismo cresceu muito, assim como os batistas, muitas Presbiteriana e outras denominações nessa época, porque as pessoas não entendiam como que numa atmosfera de repressão e medo os evangélicos eram destemidos, adoravam a Deus e prestavam serviço ao próximo com ousadia. Depois da Ditadura, veio o “Gospel”, nos anos 90 e vários jovens largavam as drogas, passavam a se respeitar em relacionamentos, adorar a Deus sem exclusivismo e legalismo, Jesus era descrito como “meu amigo”, “aquele que sonda o meu interior, me conhece por dentro, sabe como eu sou”, “um som que te faz girar”, e outras expressões livres que mostravam intimidade das pessoas com Deus, era uma atmosfera de avivamento muito legal. Existia problemas no cristianismo na época, sempre existiu e sempre vai existir, mas o clima era de simplicidade, não nos importavamos tanto com os problemas, tínhamos outras prioridades, queríamos avançar o Reino, fazer mais pessoas conhecerem Jesus e as outras coisas ficavam pra trás (acho que isso foi legal em partes, pq quando vieram as heresias neopentecostais, ninguém tava preparado e houve essa adesão geral das igrejas a essa teologia neopentecostal diabólica).

Tem uma música do Oficina G3 da época que reflete como era a atmosfera desse tempo:

“O mundo não consegue entender
O motivo que nos faz viver
Olhando sempre para frente
Ter algo mais, ser tão diferentes
Dos homens e de suas más ações
Grande fonte de decepções
E é o motivo que nos faz cantar
Vida, nos temos vida com Jesus
Vida, Ele nos trouxe lá da cruz”

Enfim, eu vivi o finalzinho desse avivamento que por 30 anos varreu o Brasil, vi o poder transformador do cristianismo não só individualmente, como sempre acontece e sempre vai acontecer, mas em muitos indivíduos ao mesmo tempo, em massa. Eu não sou adepto da Missão Integral, Teologia da Libertação, Pós-Milenismo e afins, não creio que o Reino de Deus seja deste mundo, mas não nego os efeitos sociais do cristianismo, a fé passa de indivíduo a indivíduo e tem impactos na sociedade, que a Bíblia e a História ensinam que devem ser positivos, não negativos, como vemos hoje é que a História e Bíblia mostram que quando o efeito é negativo, com ideais de supremacia, individualismo, morte e ódio não são da fé, mas do diabo. Na época era diferente, a sociedade nos chamava de loucos, na escola o pessoal não entendia pq uma menina tão bonita voluntariamente abandonava os “prazeres” que o mundo oferecia e saia dizendo que Jesus era melhor que aquilo, ou um cara ir num show de rock e falar de Jesus com alegria lá no meio, sem se embriagar, sem drogas, com amor pela galera lá.. Meu, eu vi e vivi isso tudo..

Depois vieram modas e mais modas, que foram como câncer destruindo por dentro nossas comunidades e a coisa foi mudando, como G12, M12, Neopentecostalismo, Teologia da Prosperidade, Missão Integral (não estou condenando a Missão Integral em si, mas houve uma época, no auge da popularidade, que muitos idolatrar esse modelo e igrejas tiveram que se adaptar à força a isso, perdendo suas características e se destruindo, eu vi isso acontecendo), neo-reformados (mais uma vez, não estou condenando os reformados, o calvinismo, etc, mas os que abraçaram o calvinismo com exagero e se tornaram arrogantes e também causaram muitos problemas para suas igrejas locais), dominionismo, politicagem, etc, enfim, muitas modas que vieram, ainda vêm e inevitavelmente muitas virão nos minar e hoje temos dado brecha para essas modas entrarem e mudarem nosso cristianismo evangélico para pior, infelizmente.

Hoje eu olho no cenário evangélico e o que mais vejo é egoísmo, individualismo (esses dias mesmo li uma galera exaltando o individualismo como virtude e que comunitarismo é comunismo, socialismo e blablabla), dissensões, facções, brigas, idolatria, quase não vejo fruto do Espírito, é mais obras da carne mesmo..

Sempre vejo na internet muitos irmãos evangélicos e protestantes falando da bondade e misericórdia de Deus para com eles de maneira particular. Mas quando é para compartilhar essas mesmas bênçãos espirituais para com o próximo e se aplicar a mesma graça, amor, misericórdia e bondade recebidas com o semelhante, aí nem sempre vejo a mesma satisfação, pelo contrário, as vezes leio de uns coisas que não consigo entender, como: “próximo desse tipo bom é próximo desse tipo morto!”, ou “malditos próximos adeptos disso!”, ou “próximos vagabundos, não é justo eles receberem misericórdia com meus recursos que eu contribuí, isso é roubo!”, e outras coisas que leio abismado aqui, contradizendo a tal “graça” que se orgulham tanto em terem recebido.

Fico me perguntando: Compartilhar as bênçãos espirituais recebidas pelo Criador é tão ruim assim??

Claro que também erramos direto, somos tão pecadores como os que apontamos o dedo, mas a gente quer mudar, quer a vida abundante que Jesus promete, que essa vida não seja só para nós, mas que haja avivamento, que se espalhe para todos os nossos irmãos e outras pessoas venham experimentar essa vida e fiquem conosco nessa fé também. Por isso a gente pede a Deus para que andemos em espírito e que Ele não nos deixe cair tanto em tentação, mas nos livre do mal.

É um cenário difícil hoje ser protestante ou evangélico, mas não podemos deixar de amar nosso próximo. Por mais que não vejamos os resultados que gostaríamos. Madre Teresa de Calcutá dizia que as pessoas boas merecem nosso amor e as pessoas mas precisam do nosso amor. Então, mesmo estando descontentes, temos que amar essas pessoas da nossa religião que não se comportam como gostaríamos, até porque somos parte dessa religião, não somos superiores, não estamos acima disso, estamos no meio, somos iguais, temos desejar o melhor e nos empenhar a viver o Reino Espiritual de Cristo sempre, através da comunhão, de congregar, dos sacramentos, falar com Deus em oração, ouvir Deus nas Escrituras, e manter esse exercício até que Ele venha..

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