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Uma das coisas que mais amo no cristianismo é o perdão. A história central do cristianismo é sobre perdão, o começo da vida cristã só é possível através do perdão, o objetivo do cristão é viabilizado pelo perdão, a caminhada cristã diária só é suportável em sua imensa dificuldade por causa do perdão..

Perdão é tão bom de receber. Muitos acham que têm direito ao perdão, reclamam quando não recebem o perdão por parte de outros cristãos e dizem que o cristianismo em si não funciona ou que as pessoas que não o perdoaram não são cristãs de verdade, porque não conhecem o perdão, na sociedade de consumo, direitos e deveres, acreditam que podem “consumir” o perdão dos outros, que é dever do cristão perdoar qualquer coisa e direito do infrator receber o perdão, mas só dessa pessoa assumir tal postura mostra que ela não sabe o que é perdão, que não se pode exigir, mas sim orar para que Deus abra os olhos para que o mal entendido seja resolvido e a mágoa se dissipe pelo toque do Espírito, ou que o ofendido aceite a mudança e pelo trabalhar de Deus a pessoa possa perdoar, mas essa postura de “reivindicação do perdão” indica que quem quer ser perdoado como obrigação também não é perdoador, indica que não distribui perdão, mas ainda assim se magoa ao não receber o que não entrega aos outros.

Perdão é algo muito difícil, muitas vezes impossível, de se dar. Se alguém me causar um dano muito grande, eu vou querer retribuir, me vingar, não vou querer perdoar. A Bíblia chama de justiça a reparação do erro. Se eu sofrer um dano e esse dano for reparado, a justiça já foi feita, Deus ainda promete que os sedentos de justiça terão seus danos reparados por Ele, mas nós queremos mais, queremos que o infrator sinta o dano também, que ele sofra na mesma moeda que sofremos.

Em nossa sociedade a detenção para recuperação ou neutralização do infrator também é considerada justiça e segundo o valor bíblico de amor ao próximo, sim, é um bom modelo de justiça, pena que não é cumprido e a impunidade os dá uma sensação maior de injustiça e ficamos mais tentados a deixar a carne, a velha natureza de Adão em nós, falar mais alto e querer outras formas de “justiça”, para saciar a necessidade de violência e dano do próximo.

Enfim, não é fácil se contentar com a reparação do dano e perdoar quem nos trouxe o dano. Não é agradável também engolir seco a ofensa sem poder prejudicar de volta à quem nos prejudica.

Mas não  cristianismo Jesus nos dá no santo batismo a regeneração, uma nova natureza com novos valores e podemos usufruir do perdão dEle por nossas ofensas e também estender esse perdão ao nosso próximo. Na hora é um conflito entre carne e Espírito muito grande, mas depois vemos que é bem melhor obedecer esses valores de Deus do que fazer as coisas do nosso jeito.

É o que tenho usufruído como cristão, recebendo o perdão de muitos a quem prejudiquei com palavras e ações e tendo o privilégio de me reconciliar com quem me prejudicou também. Claro que, infelizmente, isso tenho vivido na minoria das minhas relações pessoais, mas é tão bom poder viver isso que sei que a chance de viver algo assim fora do domínio de Deus seria zero.

Por isso sou apaixonado pela vida cristã. É, realmente, coisa de outro mundo.

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