O Evangelho não é sobre regras, mas sobre reconciliação.
O Evangelho não é sobre regras, mas sobre reconciliação.

Muitas pessoas das mais bem intencionadas, que se tornam crentes, em determinado momento sentem que tem o Senhor Jesus, e logo depois sentem que o perderam novamente; em determinado momento imaginam que estão na graça, e em seguida afirma que decaíram da graça.

Esta prática errônea é resultante de três terríveis equívocos:

Primeiro: As seitas não crêem nem ensinam a verdadeira e completa reconciliação entre Deus e o homem. Isto porque julgam que nosso Pai celeste é um Deus extremamente rigoroso, que precisa ser comovido através de gritos e lágrimas ardentes. Isto implica em negar o mérito de Jesus Cristo, que há muito tempo reconciliou o mundo com Deus, fazendo com que Deus agora tenha uma disposição favorável para com os homens. Deus não deixa nada pela metade, inacabado. Em Cristo, Ele ama a todos os pecadores indistintamente. Os pecados de todos os pecadores foram cancelados. Toda a dívida foi paga. Não há nada que o pobre pecador tenha a temer quando se aproxima de seu Pai celeste, com o qual está reconciliado por causa de Cristo.
Entretanto, os homens imaginam que, depois que Cristo fez a sua parte, cumpre igualmente a nós realizar nossa parcela. Julgam que o esforço conjugado de Cristo e do homem é que efetua a reconciliação. Para as seitas, reconciliação é isto: o Salvador fez com que Deus se mostrasse disposto a salvar os homens, desde que estes, por sua vez, se demonstrem dispostos em serem reconciliados. Este, contudo, é um anti-evangelho. Deus está reconciliado! Por isso Paulo roga que nos reconciliemos com Deus (2Co 5.20). Isto equivale a dizer: Deus está reconciliado com vocês por causa de Jesus Cristo! Por isso agarrem-se à mão que o Pai celeste está estendendo. Além disto o Apóstolo declara: “Um morreu por todos, logo todos morreram” (2Co 5.14). Isto vem a significar: Cristo morreu pelos pecados de todos os homens; logo, a morte de Cristo é como se todos os homens tivessem morrido em pagamento do resgate de seus pecados. Por isto, da parte do homem nada se requer com vistas à reconciliação; Deus já está reconciliado. A justificação já é uma realidade não cabe ao homem tratar de consegui-la. Toda tentativa do homem, neste sentido, é um crime horrendo, uma luta contra a graça, contra a reconciliação e a prefeita redenção do Filho de Deus.

Segundo: As seitas erram na doutrina do evangelho. Consideram o evangelho uma mera instrução que mostra ao homem o que deve fazer para que receba a graça de Deus. Isto está errado; o evangelho não é outra coisa senão a mensagem de Deus ao homem, que diz: “Vocês foram redimidos de seus pecados; vocês estão reconciliados com Deus; seus pecados estão perdoados”.

Terceiro: As seitas erram no que ensinam a respeito da fé. Consideram-na uma qualidade dentro do homem, que tem por objetivo aperfeiçoar este homem. E pelo fato de a fé aperfeiçoar, melhorar o homem é que eles a julgam tão importante e salutar.
É evidente e não se pode negar que a fé genuína transforma o homem completamente. A fé faz com que o amor inunde o coração do homem. Onde há fogo, há calor; do mesmo modo, onde existe fé, é inevitável que haja amor. Todavia não é este aspecto da fé que nos justifica, que nos dá o que Cristo já adquiriu para nós e que portanto já é nosso, desde quando recebido. Para a pergunta: “Que devo fazer para que seja salvo?” a Escritura tem a seguinte resposta: “Você deve crer; não resta nada que você mesmo possa fazer”. Foi assim que o Apóstolo respondeu a esta pergunta. O que ele disse ao carcereiro na realidade foi isto: “Nada lhe resta a fazer senão aceitar o que Deus fez por você; e você vai recebê-lo e será uma pessoa feliz”.

C. F. W. Walther

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