E como crente (não todos, claro) adora uma teoria de Conspiração, hein!? Pessoal acha que qualquer coisa que inventam por aí pode indicar a chegada do Apocalipse!! Daí muitos transformam qualquer garoa numa tempestade enorme, um verdadeiro furacão, especulando que o apocalipse se aproxima, ou já tenha chegado, diante do trato exagerado que alguns líderes religiosos ou idealistas dão a situações cotidianas e a filosofias religiosas ou políticas, dizendo que estas ideias ou situações irão se alastrar pelo mundo se os cristãos não fizerem nada e isso trará o fim de tudo, ou atrapalhará a “expansão cristã” que traria Jesus de volta, ou que estas coisas são parte do “levante do anticristo” na Terra e o cristão deve combater essas coisas e o que for parecido com elas, pois aceitar ou se calar diante dessas coisas seria como aceitar o “666” na testa ou na mão.

Desde que eu me lembre, como nascido em lar evangélico, já vi a galera evangélica caindo em cada “conto do vigário”, acreditando em cada teoria de conspiração..

Me lembro das teorias sobre a “Nova Era”, crente não podia comprar camisetas de marcas com certos símbolos, não podia comprar produtos de certas marcas (quem não se lembra do boato que circulava dizendo que o dono da “Procter and Gamble” teria ido ao “Jô Soares”, ou “Faustão”, ou algum outro programa, dependendo da variação do boato, onde ele teria dito que a empresa estava a serviço de Satanás e que iria destruir o cristianismo?), certas músicas também estariam propagando a “Nova Era” e tudo era avaliado dentro destes termos, a crentaiada procurava “Nova Era” em tudo. Eu mesmo, quando tinha uns 14 anos, tive que dar um boné da marca “spitfire” (e eu gostava tanto daquele boné.. Mimimi) a um pastor que me encheu o saco que aquele boné seria da “Nova Era”.

Durante a implantação da tecnologia do “código de barras”, aquela “etiqueta” hoje onipresente nos produtos de supermercado que o operador de caixa encosta num sensor e já aparece o preço na tela do computador, muitas igrejas evangélicas orientaram seus membros a boicotar os produtos que tivessem o código de barras porque isto seria a “marca da besta”. Diziam que o computador reconhecia como “666”. Eu lembro de ficar com medo, na época, de pegar produtos com códigos de barras, até que o boicote ficou insustentável e essa paranoia perdeu sua força.

Lembro também quando a paranoia coletiva evangelical era sobre a “maçonaria”. Alguns pastores evangélicos, principalmente de igrejas protestantes históricas, se revelaram como maçons e isso causou, lá pelo final dos anos 90, um frenesi no meio evangélico. Muitos pastores, políticos, artistas e pregadores do meio evangélico foram acusados de ser maçons, muitos do meio secular também foram assim acusados e qualquer associação com maçons era estritamente condenada, sob pena de ir ao inferno. Nisso também uma “caça às bruxas” contra a maçonaria, começaram a dizer que roupas, músicas, programas de TV e várias expressões artísticas,culturais ou de moda seriam “maçônicas” e qualquer consumo ou apreciação disso levaria o crente direto ao inferno.

Depois a paranoia veio contra o satanismo. Diziam que existiriam “satanistas infiltrados” na Igreja e os cristãos deveriam combater os satanistas e o satanismo que se infiltrava na Igreja através de roupas, apresentadores de TV (a Xuxa foi mais uma vez alvo dessa teoria de conspiração, coitada.. Haha.. Ela não dava sorte com os evangélicos. Agora que ela está numa emissora “evangélica” parece que deram uma trégua), através de estilos musicais e outras coisas. Aí se adotou toda uma teologia por aqui no Brasil que dizia combater todos os males não só do “satanismo”, mas de qualquer investida “satânica” contra o “povo de Deus”, a teologia da “Batalha Espiritual”, que foi moda e fez muito sucesso na década passada, que se propunha a “combater o mal” através de “atos proféticos” bem patéticos (eu lembro de uma igreja que fui visitar, nessa época, onde as pessoas ganhavam espadas de plástico e com elas davam golpes no ar para “combater o mal” e assim acreditavam que podiam vencer satanás e os demônios com suas espadas de plástico “ungidas”) e ofereciam “cura interior e libertação” de “males espirituais”, atribuindo à esfera metafísica a totalidade dos prazeres e insatisfações (problemas) nas vidas das pessoas e que elas poderiam obter sucesso pessoal ou se livrar de problemas através de “orações” e ações que elas tomariam, orientadas pelos gurus da “Batalha Espiritual” para conquistar o bem e vencer o mal na vida delas.

Eu já curtia heavy metal nessa época, e minha tribo adolescente era a dos “góticos”, andava com sobretudo, coturno, crucifixos, sempre vestido de roupa preta, o que significaria, nesta atmosfera “anti-satanismo”, que eu estaria flertando com o satanismo e trazendo “forças espirituais satânicas” para dentro da Igreja. Nessa atmosfera de “caça às bruxas”, aonde se caçava pêlo em ovo para achar “satanistas infiltrados, cheguei a ser retirado a força de duas igrejas que fui visitar como convidado por membros delas, por ir vestido de preto, camisetas heavy metal e tatuagens, e fui severamente questionado, axincalhado, até ser convidado a me retirar da denominação que fazia parte por causa desta paranoia com o satanismo que se instaurou no meio evangélico na época.

E muitas outras teorias de conspiração já pude acompanhar entre igrejas e indivíduos evangélicos que abraçam estas teorias de maneira as vezes fanática e paranóica, é crente se dizendo ameaçado de morte por “saber demais” sobre uma conspiração illuminati para dominar o mundo, crente dizendo que demônios em forma de répteis controlam os bancos do mundo, crente dizendo que o “Foro de São Paulo” organiza exércitos comunistas para fazer guerra civil no Brasil, crente dizendo que a União Européia é a cabeça com dez chifres de onde virá o anticristo, enfim, parece que o meio evangélico é terreno fértil mesmo para teorias conspiratórias.

Agora a teoria de Conspiração é bem similar ainda à “Batalha Espiritual”, mas agora com uma plataforma mais mundana: A política.

Trinta anos quase após o fim da “Guerra Fria”, que dividiu o mundo em “Capitalistas e Comunistas”, lideranças e idealistas evangélicos ressuscitam a paranóia de parte da segunda metade do século 20 e combatem o “comunismo”, mas agora que o Brasil tem presença evangélica forte na sociedade e na política, não centralizam mais o combate a uma possível “conspiração contra Cristo e o cristianismo” nas igrejas, fazem isso para combater a “conspiração contra o povo de Deus” nos meios seculares, como a política, também, mas ainda mantendo uma concentração de atividades anti-conspiração no meio cristão em geral,pois hoje os evangélicos já não são mais tão fechados em si mesmos como era o costume do universo legalista evangelical por muitas décadas no Brasil, quando os evangélicos pentecostais e tradicionais tinham uma enorme rusga com outras tradições cristãs, e até entre si mesmos, e possuíam um corporativismo e um exclusivismo muito forte, por isso não se misturavam com outras vertentes cristãs, e nem se misturavam entre si, mas existe uma união hoje entre grupos evangélicos historicamente conflitantes, como calvinistas e pentecostais, batistas e luteranos, etc, em torno dessas teorias de conspiração, chegam a consultar  católicos e  se unem para dividir palcos, palanques, púlpitos e altares para “se defenderem” contra a conspiração” da vez, até astrólogo com linguajar considerado chulo no ascetismo evangélico tem sido consultado e venerado entre evangélicos para extrair conteúdo de fé sobre política e sociedade.

Daí vemos que tão curiosas como as teorias de conspiração que os evangélicos abraçam com tanta paixão e cegueira, são os gurus que eles adotam e defendem como “profetas” das “denúncias” de conspiração que eles acreditam que estariam acontecendo contra o cristianismo no Brasil. Lauren Stratofrd, Josué Yrion, Gesher Cardoso, Daniel Mastral, Rebecca Brown, Irmão Rubens, Olavo de Carvalho, Silas Malafaia, Frank Viola, Caio Fabio, Rob Bell.. São tantos os nomes que deixaria o texto mais longo do que já está. Os evangélicos criticavam tanto os católicos com a idolatria e a veneração de pessoas mortas consideradas santas pela Igreja Católica, mas hoje têm seus “santos vivos” que veneram e imputam uma infabilidade e inquestionabilidade que seria impensável que os evangélicos fizessem há um tempo atrás.

Enfim, de tempos em tempos as igrejas evangélicas vão atrás de personalidades do meio que adotam essas teorias de conspiração ficam quase que unânimes na “caça às bruxas” contra as “investidas de satanás” que estaria buscando “acabar com a Igreja” através da “Nova Era”, da “Maçonaria”, do “Satanismo”, do “Comunismo”, e da próxima teoria de conspiração da moda que virá daqui algum tempo com certeza.

O cristão que tem a Bíblia como autoridade última e suficiente de fé e prática não precisa ter medo das “conspirações” que os pregadores e idealistas de nosso meio dizem para temer, nem pode sentir medo, revolta ou ódio de quem é adepto de uma ideologia tida como conspiratória contra a Igreja de Jesus. Também deve prezar pela justiça e não deve se apressar em julgar e condenar as pessoas. Nós acreditamos que a salvação é somente pela graça por meio da fé, não por obras, então Deus vai salvar os seus eleitos por essa graça, dando a fé para a pessoa, que não será perfeita, mas será progressivamente santificada por Deus mesmo, não por pressão de nossa parte, nosso papel é acompanhar, ser enérgico faz parte, mas não é por pressão ou pelo uso de qualquer tipo de força que “santificamos” alguém. A santificação é trabalho de Deus em Cristo, não nosso.

Outra questão é que não podemos acrescentar coisas à Palavra de Deus. Deus tem uma Lei que nos mostra que somos pecadores, essa Lei não vale mais para uso cerimonial ou civil, mas ainda vale para uso moral. A moral da Lei Deus resume em amar a Deus acima de tudo e assim seguir o que Ele manda, e amar o próximo como a nós mesmos, temos que nos policiar em sentimentos, pensamentos, palavras e ações para estarmos neste amor por Deus e pelo próximo. Não podemos acrescentar regras sobre marcas de produtos, estampas de roupa, símbolos e logos publicitários e artísticos,estilos musicais, cor de roupa, ou pensamento político. Tudo provém de Deus (Heb 3.4) e tudo que vem de Deus é bom, o homem que corrompe as coisas com o pecado pelo uso das coisas e ações pecaminosas fora da vontade de Deus (Tito 1.15). Então temos sim que vigiar para evitarmos o uso errado e pecaminoso de nossas artes,nossas roupas, nosso dinheiro, nossa religião e nosso pensamento político. Existem muitas ideias pecaminosas e até mesmo blasfemas nestas coisas que devemos sim evitar por amor a Deus e ao próximo, mas não são essas coisas em si ruins em si mesmas, mas o uso pecaminoso delas é que determina se devemos ou não evitar qualquer coisa. Então não devemos nos prender a teorias de conspiração que os evangélicos, ou qualquer outro grupo, colocam para nós.

Como diz o Senhor Deus:

“Não chameis ‘Conspiração’ a tudo que este povo chama de conspiração. Nao participeis dos seus medos, nem vos deixeis amedrontar” (Isaias 8.12)

Vamos combater o pecado. Vamos vigiar contr ao pecado. O diabo conspira contra nós para nos fazer pecar e deixar de crer na obra do Senhor Jesus. Teorias de Conspiração não alimentam a nossa fé, vamos deixar um pouco o simplismo das teorias de conspiração de lado e vamos adotar a complexidade do amor a Deus e ao próximo para servimos melhor nosso Deus e nosso próximo aqui na Terra, testemunhando assim o amor de nosso Deus por seu povo e que este amor está disponível a todos os homens e que, crendo no Senhor Jesus, existe salvação contra os males deste mundo e a eternidade de horrores que espera os incrédulos, ao invés de fazer as pessoas pensarem que somos egoístas, fechados e paranoicos como as coisas como alguns entre nós têm feito.

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