Tanto a Lei como o Evangelho apontam para Cristo, nosso Senhor, que nos amou, mas com características diferentes.
Hoje a palavra da moda no meio evangelical é “Evangelho”. 
 
Vejo muitos desigrejados dizendo que o Evangelho é sair da Igreja e viver a vida da forma que queremos, sem ter que carregar as cargas um dos outros, mas só suportar quem temos afinidade, vivendo uma vida autônoma e despreocupada com o próximo. 
 
Vejo muitos reformados dizendo que o Calvinismo, ou a “cosmovisão cristã”, ou a Teonomia, ou o puritanismo, enfim, seus movimentos internos ou o próprio calvinismo em é que é o Evangelho (um mea culpa aqui: quando eu era calvinista eu também dizia que o Calvinismo é o Evangelho. Peço desculpas).
 
Vejo artistas gospel dizendo que o “Evangelho” é ter uma vida hollywoodiana, com prosperidade e boa saúde, coisa que a grande maioria dos crentes em Jesus não tem. 
 
Vejo muitas páginas do Facebook e websites cristãos também falam muito do “verdadeiro evangelho”, “Evangelho Puro e Simples”, “Evangelho Genuíno”, “Voltar ao Evangelho”, e etc. O Evangelho se transforma numa “marca” do site, blog ou movimento, mas não explicam muito o que seria esse “evangelho” que tanto pregam, qual doutrina seria essa.
 
Muitos pensam que o Evangelho é a biografia de Jesus. Muitos usam este entendimento para dizer que o Evangelho, ou seja, a biografia de Jesus, segundo eles, é a “chave hermenêutica” das Escrituras. Para eles, o que não estiver de acordo com o relato dos 4 primeiros livros do Novo Testamento na Bíblia, não precisa ser aceito como Palavra de Deus. Para esses, a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas contém a Palavra de Deus, e todos os outros livros da Bíblia devem ser filtrados conforme os livros chamados de Evangelhos, pois para eles o Evangelho é uma biografia.
 
Outros pensam que Evangelho é o todo da doutrina Bíblica. O que a Bíblia manda e o que a Bíblia oferece. Tudo na Bíblia é Evangelho. Se você não segue os ensinos bíblicos de forma ortodoxa, ou não tem um comportamento puro e santo, você não “segue” o Evangelho..
 
Mas, no geral, encontramos uma característica em comum na maioria desses grupos que falam sobre o “Evangelho” na internet, para boa parte destes grupos e páginas da moda o “Evangelho” sempre se trata de regras, visões de mundo a serem seguidas e outras leis e determinações que eles dizem que se você não seguir, tá lascado, você não está seguindo o “Evangelho”.
Será que o Evangelho é realmente um punhado de regras a seguir? O que é o Evangelho afinal?
 
A Palavra Evangelho significa “notícia”. Quando chegava um viajante de um lugar distante, no século 1, ele contava as “boas notícias” dos locais por onde passava, não existia televisão, telefone, celular, internet, nada disso na época de Jesus. O grego era a língua mais popular da época, como hoje é o inglês, por isso o nome “Evangelho”, que no grego significa “boa notícia”. A forma como se sabia das notícias, na época, era principalmente pelos viajantes a trabalho, passeio, peregrinação, qualquer motivo, que passavam por um local. Muitos deles traziam também cartas, livros e mercadorias e eles contavam as notícias, contavam o Evangelho que haviam visto por onde passaram.
 
O Evangelho de Jesus é a mesma coisa. Não se trata de biografia, nem de regras e leis, mas da notícia do que Ele fez pela humanidade na Cruz e sua ressurreição. 
 
Quando rezamos o Credo Apostólico, por exemplo, estamos contando esta notícia desde o começo: 
 
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra. 
E em Jesus Cristo, seu único filho, nosso Senhor, o qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu ao inferno, no terceiro dia ressuscitou dos mortos, subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. 
Creio no Espírito Santo, na santa Igreja Cristã – a comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na Vida Eterna. Amém.
 
O Credo é um resumo da mensagem do Evangelho. Mas podemos fazer outros resumos, podemos contar a mensagem de diversas formas, tendo o cuidado de sermos fiéis à mensagem. 
 
O Evangelho é isso: uma mensagem, uma notícia, algo já consumado, não para ser concluído por obras, mas a obra já foi feita e pela notícia da obra de Deus em Jesus Cristo desde a fundação do mundo convergindo na Cruz e ressurreição o Espírito Santo nos dá a fé para crer e receber os efeitos do Evangelho em nossa vida, que é a santificação, a nova vida em Jesus. Nossas obras são em gratidão pela notícia recebida, para não realizar algo que já foi feito. E o que nos justifica como cristãos para permanecermos em pé na presença de Deus é a fé nessa notícia, no Evangelho, não nossas obras, pq Jesus veio para nos substituir pelo nosso pecado. Somos pecadores, por isso a notícia, o Evangelho, é a parte mais importante da Bíblia, pq por causa dessa obra de Jesus nós somos justificados para sermos cristãos e recebidos por Deus.
 
Então é de vital importância identificar na Biblia o que é notícia, não só da crucificação e ressurreição de Jesus, mas também de tudo que Ele tem feito junto com a Trindade desde a fundação do mundo. A própria criação do universo é Evangelho. Nós não estivemos envolvidos nisso, Deus nos deu o mundo e tudo que nEle há para usufruirmos do que é dEle por amor, e isso é notícia, não depende de nós.
 
O que é direcionado a obras nas Escrituras é a Lei. Tudo que na Bíblia diz para fazermos, é Lei, não é notícia, é ordem, recomendação, exigência. E devemos distinguir e identificar corretamente o que é Lei e o que é Evangelho.
 
Eu não pretendo explicar esse assunto aqui de forma definitiva, isso é impossível para mim. Lutero mesmo dizia que se alguém soubesse fazer a correta distinção entre Lei e Evangelho, já seria perfeito e poderia ir para o Céu, porque se trata da Palavra de Deus. 
 
Deus é Santo e Perfeito, eu sou pecador e falho, não posso explicar este assunto com precisão. Este assunto é trabalhado pelo Espírito Santo na escola da experiência, não é minha pretensão dizer que sei fazer isso, só Deus sabe e vou aprendendo pelo Espírito Santo pela Palavra revelada de Deus nas Escrituras conforme passa o tempo, é uma escola teológica, mas também é uma arte diária de aplicar essa distinção na minha vida cotidiana e identificar em tudo o que devo fazer (Lei) e o que Deus fez e faz por mim (Evangelho). Por isso posso trabalhar esse assunto de forma orientada pela revelação, então vou propor aqui algumas diferenças entre Lei e Evangelho. 
 
O Evangelho não tem exigência nenhuma. A Lei que tem. A Lei deve ser pregada, para por ela aprendermos que somos pecadores e buscarmos o perdão e redenção de Jesus conforme nos mostra o Evangelho. Mas confundir a Lei e o Evangelho não é correto.
 
A Lei é boa porque nos orienta a fazer o bem e corrigir o mal, mesmo tendo as funções cerimoniais e civis descontinuadas em Jesus Cristo, mas sua orientação moral ainda é válida e boa, Deus cuida de nós e do mundo inteiro com ela. 
 
Mas o Evangelho é melhor. Pela Lei aprendemos nosso estado miserável de pecaminosidade, que somos pecadores e não merecemos nada além da separação eterna de Deus, mas pelo Evangelho vemos e recebemos pela fé tudo que Jesus fez e faz por nós desde a fundação do mundo, convergindo na sua morte de cruz e ressurreição. Crendo e nos apossando pela fé que é confiança em Jesus para perdão dos nossos pecados, somos elevados ao Reino de Deus que não é deste mundo e nos tornamos herdeiros deste Reino no futuro quando Jesus voltar, pela confiança nas promessas de Jesus.
 
Para simplificar:
 
Lei = O que você tem que fazer. 
Evangelho = O que Deus fez e faz por você.
 
Lei = padrões e normas que você tem que seguir. 
Evangelho = Você não segue esses padrões e normas, Jesus seguiu por você e pela justiça dEle você é inocentado de toda culpa.
 
Lei = Você está errado!
Evangelho = Cristo te perdoa por isso
 
Lei = Você pode criticar os outros e apontar o erro das pessoas com a Palavra de Deus, mas lembre-se sempre que você também é pecador.
Evangelho= Jesus tem perdão para quem você critica e para você também.
 
Lei = Condenação pelas nossas próprias obras e contra a vontade de Deus (Deus nao tem prazer na morte e condenação de ninguém, por isso nos enviou Cristo pelo mundo inteiro)
Evangelho = Eleição dos salvos em Cristo (a certeza que somos aceitos por Deus mesmo sendo pecadores por meio da fé somente)
 
Explicando Melhor:
 
Lei =
Que diremos então? A lei é pecado? De maneira nenhuma! De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça, se a lei não dissesse: “Não cobiçarás”.
Pois o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, enganou-me e por meio do mandamento me matou.
De fato a lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom.
E então, o que é bom se tornou em morte para mim? De maneira nenhuma! Mas, para que o pecado se mostrasse como pecado, ele produziu morte em mim por meio do que era bom, de modo que por meio do mandamento ele se mostrasse extremamente pecaminoso.
Sabemos que a lei é espiritual; eu, contudo, não o sou, pois fui vendido como escravo ao pecado.
Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio.
E, se faço o que não desejo, admito que a lei é boa.
Neste caso, não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.
Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo.
Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.
Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.
Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim.
Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros.
Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?
Romanos 7:7,11-24
 
Evangelho =
Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus,
porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte.
Porque, aquilo que a lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne,
a fim de que as justas exigências da lei fossem plenamente satisfeitas em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito.
Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou.
Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas?
Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.
Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós.
Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?
Como está escrito: “Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro”.
Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.
Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Romanos 8:1-4,28-39
 

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