​Uma das coisas mais libertadoras que recebi é olhar além do conceito que “a Bíblia é regra de fé e prática”. 
Esse conceito dificulta muito a esperança de sermos aceitos por Deus e dá muita margem ao pensamento bem popular que “a interpretação teológica do meu grupo (ou mesmo a minha particular) do que a Bíblia diz para ser crido e ser praticado é a regra geral para todos os cristãos”. 

É claro que a Bíblia tem as regras certas para crermos e praticarmos na nossa vida. Mas ela não é só isso. Pensar pequeno assim tem provocado muitos problemas desde sempre. E nem todas as regras de fé e prática que dizem ser bíblicas são realmente extraídas dela, pois existem muitas interpretações, revisões e adaptações que não são necessariamente obrigatórias como dizem. E o mais importante é  que não somos justificados pela regra, mas pela fé, que é dom de Deus. Usar a Bíblia como regra para justificar o cristão, como a maioria faz hoje em dia, é um uso diferente do assunto dela. A Bíblia tem a função de apontar para Cristo, não para o homem. Ela mostra Cristo ao homem, para que o homem creia na Trindade, não tem função de dizer ao homem como ser agradável a Deus pelo próprio esforço cumprindo regras, como pregam hoje em dia.  

Não vou fazer um textão com pesquisa exegética ou histórica. Vou simplificar e fazer textão relatando minha experiência pessoal que me fez expandir o pensamento a respeito. 

  • O Legalismo dos anos 80 e 90

Quando eu era criança, eram muitas “regras de fé e prática” que diziam ser extraídas da Bíblia. Por exemplo, uma “regra de fé e prática” que eu ouvia era que assistir televisão era adorar imagens; outra era que ter qualquer vaidade estética era pecado, então as mulheres deviam recusar depilação, homens não podiam ter barba, não deveriam usar bermuda, mulheres não deviam usar calças; outra era que rock era algo criado pelo diabo para levar os jovens à perdição; outra era que fazer uma faculdade ou especialização acadêmica e ter conhecimento secular era amar o mundo ao invés de esperar a volta de Cristo, que ter uma boa profissão ou um pouco de dinheiro era pecado de vaidade.. Essas e muitas outras eram as “regras de fé e prática” da época. Muito legalismo era produzido usando a Bíblia como apenas regra de fé e prática. 

  • O período evangélico

Aí o meio cristão foi amadurecendo, nos anos 90 e começo dos anos 2.000, e aprendendo que a Bíblia não tem só regras e Lei, mas que ela também tem promessas, que o Evangelho é sobre o que Cristo faz por nós, não sobre o que nós devemos fazer – o que é campo da Lei*, não do Evangelho*. Aos poucos, o Evangelho começou a tomar lugar também na leitura da Bíblia, não só a regra, não só a lei. 

* Leia as explicações sobre Lei e Evangelho no final do texto. 

Com essa nova tônica mais evangélica* e menos legalista, as pessoas passaram a receber promessas de graça, paz, vida e salvação, ao invés de regras, acusações, e condenações, como era costume antes. Daí, nesse novo ambiente evangélico e menos legalista, novos movimentos e mesmo movimentos antigos que tinham pouca ou nenhuma relevância passaram a ficar populares no Brasil e ter protagonismo no bombástico crescimento dos evangélicos das últimas duas décadas. Rockeiros doidos falando de Jesus, profissionais usando seus conhecimentos profissionais pelo bem das pessoas e pelo testemunho do Evangelho de graça e salvação (Adhonep, ABU, ABP, etc), a Igreja começou a se envolver de forma positiva em questões sociais e a comprar a briga pela recuperação do problema das drogas (sou careta, drogas bah), trabalhar contra a exclusão social (Fábrica de Esperança, Teologia da Missão Integral, Rio de Paz, etc), pela evangelização de todos (Renascer, Batista da Lagoinha, Marcha Para Jesus, Sara Nossa Terra, Cristo Para Todos), enfim, os evangélicos se espalharam por todos os setores da sociedade e conquistaram gente de todo tipo com sua mensagem evangélica* de salvação e transformação de vida em Jesus disponível gratuitamente a toda criatura.. 

Foi então que líderes de muitos desses movimentos protagonistas deixaram de lado o Evangelho* e voltaram ao velho legalismo e a Bíblia voltou a ser mera “regra de fé e prática”, como era antes. Além dessa leitura legalista da Bíblia de onde tiravam versículos e passagens conforme lhes parecia ser técnicas, receitas e regras para ser agradável a Deus (virou comum nos sermões coisas como “7 passos para isso”, “12 coisas a se fazer” e etc), também passaram a ter interpretações próprias da Bíblia, “revelações” exclusivas sobre ela e se empoderaram com isso, viraram “apóstolos”, “profetas”, “ungidos”, etc.. Aí vimos muitos escândalos. As “regras de fé e prática” que eles desenvolviam nas leituras que faziam da Bíblia eram bem particulares e eles chamavam de “visão” ou “unção” e com isso se consideravam acima de qualquer um, até da lei. Vimos apóstolos, bispos e pastores sendo presos por crimes financeiros, divórcios a rodo, adultério, até tentativa de homicídio. E se justificam tendo “a Bíblia como regra de fé e prática”, o que na interpretação deles os autoriza a agir dessa forma. 

  • As Alternativas nem tão alternativas assim.. 

Muitos perceberam que essas pregações e atitudes dos principais protagonistas do crescimento do movimento evangelical brasileiro eram bem estranhas e se afastaram deles. Ficaram à margem do crescimento protagonizado principalmente pelos grupos neopentecostais, mas de certa forma crescendo também, só que como alternativa a eles. Tivemos a popularização da Missão Integral (que hoje é alvo do legalismo e combatida por meio de teorias de conspiração), na segunda metade da década passada como principal movimento alternativo ao neopentecostalismo, também tínhamos “igrejas emergentes”, que eram igrejas fora das grandes denominações com propostas mais atraentes aos jovens, como Heavy metal no louvor, prancha de surf como púlpito, layout do templo bem informal, alguns parecidos com barzinhos, outros com casas de shows, a criatividade no formato dava o tom, enquanto a mensagem procurava ser “ortodoxa” em muitos casos, mais neopentecostal em outros, e ainda tivemos um crescimento da teologia liberal também em outros. Até igrejas históricas, como a Católica e a Luterana, buscaram se adaptar  aos novos tempos, sem abrir mão de sua confessionalidade e práticas antigas, mas revisaram alguns pontos para dialogar com a pós modernidade e também experimentaram crescimento como alternativa a tudo isso, principalmente a Católica com seu movimento carismático e apoio da mídia, mas não tiveram grande impacto na nova religiosidade brasileira, como outros movimentos. 

Mas essa ideia de ler a Bíblia como um “vade mecum” de leis e normas, um conjunto de regras de fé e prática apenas, tomou muita força no meio evangélico recentemente e o legalismo voltou a dar a tônica da mensagem da maioria desses grupos alternativos também, hoje em dia todo o meio evangélico vem retrocedendo em doutrinas que versam principalmente ou exclusivamente sobre usos, costumes, cultura, política e coisas desse mundo ao invés de vida eterna, justificação e salvação, vem retrocedendo pelo menos uns 30 anos, quando o evangelicalismo era tido como um movimento ascético, alienado e ameaçador, adjetivos que voltaram hoje a ser usados aos evangélicos de novo.. 

Foi na segunda metade da década passada também que vimos o advento da popularidade dos chamados “reformados”, que nessa década atingem seu apogeu. Era proposto o calvinismo como solução aos abusos que se praticavam no meio evangelical em nome de interpretações particulares da Bíblia. Eu tb fiz parte desse movimento. Tinha virado calvinista em 2005, e fui adepto disso até 2012, e com a popularização da internet (muito criticada na época, com o grito “maldita inclusão digital”), brotavam como mato vários sites, comunidades e perfis em redes sociais sob a bandeira de “reformados”, trazendo esquemas interpretativos prontos e bradavam “Sola Scriptura”, o que parecia ser mesmo o esquema mais bíblico de se procurar respostas.

Os reformados têm esquemas e regras prontas “de fé e prática”. Têm uma literatura farta e acessível de conceitos e sistemas para quem quer crer e praticar a vida cristã dentro de esquemas lógicos e racionais. Então conquistaram muitos adeptos com tantos esquemas completos e respostas sobre tudo. Sobre salvação, tinham a regra de fé sistematizada na TULIP. Sobre política, tinham a regra de prática sistematizada na Teonomia (que perdeu popularidade pelo sectarismo muito forte e hoje foi substituída por sua versão “light” chamada de Cosmovisão Cristã, ou neocalvinismo). Sobre línguas, dons e carismas, você podia optar pelo cessacionismo ou continuísmo. Para qualquer pergunta, o calvinismo oferecia respostas prontas e sistemáticas. 
Acho importante esclarecer que o Sola Scriptura da maioria dos calvinistas da internet que se identificam como “puritanos” ou “cosmovisão cristã” é um conceito bem diferente do que vemos no no Livro de Concórdia, eu também tinha esse conceito diferente quando criei e mantive o “Calvino da Depressão” (que não faço mais parte, entreguei para amigos calvinistas cuidarem, pois não faz sentido eu estar envolvido com algo que não acredito mais), mas hoje substrato ao conceito do Livro de Concórdia. O Sola Scriptura de talvez a maioria dos reformados na internet e de autores que eles compartilham (pelo menos da maioria das páginas e perfis que acompanho ou que chegam até mim) não se refere à Bíblia como a revelação do amor e da graça de Deus por todos os homens e à avaliação de doutrinas sobre Cristo, como Lutero queria dizer quando falava Sola Scriptura[1], mas é principalmente um manual de regras, o “Sola Scriptura” da maioria desses grupos não divide a Bíblia em Lei e Evangelho*, antes é apenas Lei, a Bíblia é um manual antropológico, político, estético, cultural, etc, até os conceitos de redenção, regeneração e eleição são bem diferentes, não apontam para Cristo como o principal assunto das Escrituras, não é a teologia da cruz a tônica nesses temas, mas é a teologia da glória[2] , suas leituras das Escrituras apontam para o homem e enfatizam na obediência humana como a manifestação da glória de Deus. 

O escritor calvinista Ray Pennings resume numa frase a teologia da glória dos calvinistas ligados ao puritanismo e/ou à cosmovisão cristã. 

“A obra de Cristo é o que torna possível os pecadores viverem doxologicamente (N.E: para a glória de Deus) e trabalharem em obediência a Deus”[3]

Com tantas respostas prontas e logicamente completas, falar em “Reforma” virou febre entre jovens com cada vez mais acesso à educação conquistada na pujança econômica da década passada, não só os jovens mas adultos também tinham mais acesso à informação e para muitos jovens e adultos as respostas curtas e rasas, as frases de efeito e as interpretações subjetivas do meio neopentecostal e dos “emergentes” não satisfazia mais à sede intelectual deles. Precisavam de algo mais denso e com mais conteúdo a ser digerido. Aí os reformados encontraram um grande terreno de expansão e são o fenômeno desta década. Mas com isso as respostas prontas se tornam fechadas e a apologética vira obrigação diante das contestações e indagações frente a essas respostas prontas reformadas e a doutrina vira uma imposição ao invés de uma oferta. 

Os neopentecostais ainda são o grupo cristão que mais cresce, mas os reformados são provavelmente hoje a principal alternativa para quem procura algo fora do que consideram letárgico (os cristãos com cultos e missas com grande ênfase litúrgica, como nós os luteranos, os católicos, etc), anti-intelectual (cristãos que valorizam mais a experiência pessoal e interpretam tudo de forma subjetiva e são contra interpretações objetivas e sistemáticas da realidade), ou do que consideram ilusórios (como a teologia da prosperidade, romarias e etc que prometem bênçãos em troca de dinheiro, sacrifícios, simbologias, etc). Não dá para saber estatisticamente, mas pela internet é a impressão que fica. 

  • A Volta do Legalismo

Hoje em dia, o Evangelho de perdão dos pecados foi ficando cada dia mais de lado. A palavra Evangelho hoje é entendida mais como regras a serem seguidas e exigências a serem atendidas do que promessa de perdão de pecados. A Bíblia foi deixando de ser a fonte de vida eterna, graça e salvação e voltando a ser “regra de fé e prática”. Hoje somos confrontados a seguir a “cosmovisão cristã” e se não cremos e praticamos conforme as regras que dizem ser interpretações fiéis da “regra de fé e prática” – a interpretação que têm da Bíblia, você é sumariamente condenado. A justificação gratuita somente pela fé fica cada dia mais abafada e o mais importante é ter a vida, as crenças, a visão de mundo adaptada à “cosmovisão” que chamam de cristã, baseada em regras e normas que dizem ser a “redenção”, colocando a fé em Jesus Cristo como o início da redenção, mas é importante nosso esforço e nossa adaptação à “cosmovisão” para sermos cristãos de verdade, ou não há redenção. 

A cultura legalista dos anos 80 e começo dos anos 90 voltou com força. Na época os evangélicos se isolavam, não queriam “se misturar com o mundo”, agora, além disso, muitos evangélicos acreditam que suas regras de fé e prática não simplesmente os isolam do mundo, mas também dão a eles o direito de  “conquistar” o mundo “para Cristo”. Ou seja, o legalismo voltou com força, mas em novos níveis. Não é mais ter uma visão fora do mundo, mas ter uma visão dominante de mundo. 

Política, artes, cultura, tudo deve ser cristão, mas não devemos nos isolar, devemos dominar, combater o “pecado” do mundo “redimindo” as coisas do mundo por uma “cosmovisão cristã”. 

  • Não querendo generalizar 

Claro que muitos não se interessam em “conquistar” (dominar) o mundo para Cristo, muitos apenas querem compartilhar, não impor, a vida cristã que levam, mas há uma linha tênue entre posicionar a vida cristã como uma oferta graciosa de vida e transformação e impor uma “cosmovisão cristã” como uma obrigação até a quem não é cristão que deve ser considerada, para não cair em legalismo. 

É o que tenho feito e por isso eu vi que não é correta essa ideia de ter a Bíblia apenas como regra de fé e prática. A Bíblia é Lei, mas a Lei aponta não para como eu posso ser agradável a Deus por obras e ações, pq é impossível para mim fazer isso, ela aponta para Jesus, que é o cumprimento da Lei que eu preciso para ser aceito por Deus, e sou recebido por Ele pela fé somente, sem obras. As regras de fé e prática que Deus dá nos dez mandamentos*, no sermão do monte, nas Epístola dos apóstolos, etc são para o meu bem, não são para eu ser aceito por Deus, não são uma “cosmovisão cristã”, mas são instruções preciosas para a vida cristã em amor por Deus e pelo próximo.. 

  • Conclusão 

Assim sendo, a Bíblia é muito mais que regra de fé e prática, ela é a boa notícia: que Deus mandou Jesus para cumprir nossas regras de fé e prática e se não temos pensamentos, palavras e ações corretas diante de Deus (e realmente não temos), existe esperança não em cumprirmos a regra de fé e prática (porque não cumprimos), mas em Jesus Cristo, que cumpriu tudo por nós, foi sacrificado por nós e pela fé nEle somos aceitos por Deus, mesmo que nossas crenças e práticas sejam pecaminosas. A fé que pensamos e praticamos (Fides Quae) é imperfeita e pecaminosa, não há esperança se olharmos para nós mesmos. Mas a fé que Deus dá em Cristo (Fides Qua) é perfeita e é por ela que somos salvos, há esperança e salvação se olharmos para Cristo e sua perfeição. 

  • Post Scriptum

(Pois é, ainda tem acréscimo depois de todo esse textão.. Haha) 

*A lei de Deus, nossa regra de fé e prática, são apenas os dez mandamentos. Essas outras passagens do Novo Testamento são expansão delas, que se resumem em amar a Deus e ao próximo, não estou falando das leis judaicas ao me referir à Lei de Deus. Sobre isso, vou colocar um trecho de um texto de Martinho Lutero:

“A lei de Moisés está morta e totalmente invalidada, e, inclusive, foi dada apenas aos judeus; nós gentios devemos obedecer às normas de direito local, onde residimos, como diz S. Pedro em sua primeira epístola no capítulo 5 [sc. 2.13!]: “a toda ordem humana”. O Evangelho, por sua vez, é lei espiritual, segundo a qual não se pode governar, mas cada qual precisa posicionar-se perante o mesmo, cumpra-o ou não. Nem se pode e nem se deve tampouco forçar ninguém a isso, como não se pode obrigar ninguém à fé, pois neste ponto não é a espada, mas o Espírito de Deus que precisa ensinar e governar. Por isso é necessário manter o regime espiritual do Evangelho bem separado do regime secular exterior, evitando a todo custo confundir as duas coisas”.

Já o Evangelho é a doutrina cristã que se refere a tudo que Deus fez e faz por nós. A palavra εὐαγγέλιον (Evangelho) significa notícia. Na época quando Jesus se encarnou, evangelho era a informação que traziam os viajantes que passavam ou ficavam pelos lugares de outras localizações. Pense que na época não existia TV, internet, nem jornal de papel, as notícias eram dadas pelos viajantes,  que eram comerciantes, peregrinos, mensageiros, soldados, gente que se deslocava (a pé, as vezes com animais, pq na época não existia carro, moto, avião, etc) por diversos motivos pelas regiões do império romano ou outros lugares e traziam o “evangelho”, ou seja, as notícias e informações dos locais de onde passavam. 

Por isso, Evangelho não é sobre o que devemos ou não fazer, não é sobre algo condicional a acontecer conforme nossas obras, mas é informação, é sobre algo concreto, consumado, é a informação do que já ocorreu. O Evangelho de Cristo é sobre o que Deus fez por nós em Cristo na cruz, ou seja, “que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões” (1 Co 5.19). O Evangelho não se trata de regras ou uma “cosmovisão” a serem seguidas, mas uma notícia, uma informação sobre o que foi feito. O Evangelho é todo sobre perdão, graça e salvação. 

O teólogo luterano confessional do século XIX C. F. W. Walther nos faz uma preciosa observação sobre as diferenças entre Lei e Evangelho:

“A Lei e o Evangelho devem ser mantidos separados um do outro. A Lei é para aterrorizar os homens e torná-los vergonhosos e desesperados, especialmente as pessoas rudes e vulgares, até que eles aprendam que não podem fazer o que a lei exige, nem alcançar o objetivo de Deus. Isso fará com que eles se desesperem por si mesmos; pois nunca podem realizar este objetivo de receber o favor de Deus por seus esforços por guardar a Lei. 

Dr. Staupitz, eu me lembro, me disse em certa ocasião: “Eu tenho mais de mil vezes mentido a Deus que me tornaria santo e nunca fiz o que eu prometi. Agora eu nunca mais vou esforçar a minha mente para se tornar santa; pois vejo que não posso realizar minha resolução. Eu não vou mentir para Deus de novo.”

Essa também foi a minha experiência sob o papado: Eu estava muito ansioso para me tornar uma pessoa mais santa; mas quanto isso tempo durou? Só até que eu acabar de pregar na Missa. Uma hora depois eu estava pior do que antes. Este estado de coisas vai até uma pessoa ficar bastante cansada e ser forçada a dizer: Vou desistir de ser um homem piedoso e Santo de acordo com Moisés e a Lei. Vou seguir outro Pregador, o que me diz: “Vinde a mim, se você está cansado; Eu te aliviarei.” 

Que esta palavra, “Vinde a mim”, tenha um som agradável para você. Este Pregador não ensina que você tem poder de amar a Deus ou como você deve agir e viver, mas Ele diz como você pode se tornar santo e ser salvo APESAR do fato de que você não consegue fazer o que é sua obrigação fazer. Essa pregação é totalmente diferente do ensino da Lei de Moisés, que se preocupa apenas com obras. 

A Lei diz: Não cometerás pecado; vá em frente e seja santo; faça isso, faça aquilo. Mas Cristo diz: Tu não és piedoso, nem santo, mas eu tenho sido piedoso e santo em teu lugar. Receba de mim o que eu te dou – os teus pecados te são perdoados”.

Bibliografia:

[1] Para mais informações sobre as diferenças entre o luteranismo confessional e o calvinismo puritano e o neocalvinismo, indico o capítulo 4 do livro “A Great Divide”, do também ex-calvinista e agora pastor luterano Jordan Cooper, disponível em ebook pela loja da Amazon. 

[2] Para mais detalhes sobre a tensão teologia da cruz (luteranos) e teologia da glória (calvinistas), confira (em inglês) um artigo do pastor luterano Jordan Cooper em http://www.patheos.com/blogs/geneveith/2011/03/the-calvinist-case-against-lutheranism/

[3] Ray Pennings, Trabalhando para a Glória de Deus. Citado em “Vivendo para a Glória de Deus: Uma introdução à Fé Reformada”, de Joel R. Beeke, p. 375, editora Fiel

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