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Na Escatologia Luterana, o Reino de Deus não é deste Mundo, como disse Jesus..

“A Confissão de Augsburgo … é basicamente pós-milenarista. Grupos luteranos tendem a seguir esta posição.”2 Esta afirmação causa surpresa se comparada àquela da Comissão de Teologia e Relações Eclesiais da Igreja Luterana, Sínodo de Missouri, de que “a escatologia apresentada nas Confissões Luteranas é claramente amilenarista (CA XVII)”.3 A confusão manifestada por Erickson possivelmente se deve ao fato de que, assim como os pós-milenaristas, teólogos luteranos normalmente interpretam o “milênio” como um período não literal de mil anos e entendem que a segunda vinda de Cristo acontecerá após este período.

Uma questão a ser feita é se realmente importa a diferença entre as três diferentes correntes.4 Clouse chama a atenção para o fato de que não é simplesmente uma questão da ordem dos acontecimentos futuros: “muitas atitudes que um cristão tem a respeito da sociedade, igreja e seu propósito, educação e cultura, e mesmo a respeito dos eventos contemporâneos estão condicionadas pelo tipo de escatologia que ele sustenta”.5 Davis chama a atenção para as implicações práticas do posicionamento escatológico que alguém assume, visto que tal posicionamento pressupõe “uma filosofia da História e um entendimento do senhorio de Cristo que têm implicações práticas e amplas para o envolvimento do crente na expansão missionária, no evangelismo e na renovação social”.6 Rousas John Rushdoony, defendendo a posição pósmilenarista, caracteriza a diferença prática (homilética) entre as três principais linhas de interpretação desta forma:
O pregador pré-milenarista quer salvar as almas antes que venha o ‘arrebatamento’. O amilenarista procura salvar almas como se tira ramos de uma fogueira, como homens resgatados do dilúvio do mal para dentro da igreja, a arca de Deus.
O pós-milenarista vê como sua obrigação trazer todas as áreas da vida e pensamento cativas a Cristo, o Redentor-Rei, assim que ele possa governar sobre todas as coisas e introduzir seu reino de justiça e paz através de Seu povo.7

O objetivo do presente trabalho é descrever a posição teológica conhecida como pós-milenarismo e comparar sua abordagem àquela da teologia luterana. Num primeiro capítulo procuraremos caracterizar o pós-milenarismo, incluindo um dos seus ramos contemporâneos (teologia reconstrucionista). Em seguida observaremos os principais questionamentos a esta posição, a partir do ponto de vista amilenarista. Ao final, o pós-milenarismo será avaliado a partir de aspectos distintivos da teologia luterana.

1.            PÓS-MILENARISMO

1.1. Origens do pensamento pós-milenarista

Davis cita Calvino como sendo alguém que, apesar de não articular idéias especificamente pós-milenaristas, “prenunciou desenvolvimentos subsequentes”.8 Pode-se questionar se isto é historicamente correto. É comum observar em estudos pós-milenaristas a tentativa dos autores de demonstrar que Calvino pode ser entendido como sendo pós-milenarista, ao menos nos princípios básicos desta posição teológica.9 Outros teólogos Reformados estão convencidos que Calvino era amilenarista.10 O que parece mais correto é dizer que a teologia pós-milenarista é basicamente de matriz Reformada. Isto é especialmente verdade em se considerando a “Teologia da Reconstrução”, a respeito da qual trataremos com mais detalhe abaixo, com sua forte ênfase no uso e importância da lei para a transformação do mundo de uma forma agradável a Deus.

Alguns importantes teólogos do século XVII tinham uma perspectiva pós-milenarista. Podem ser citados: Daniel Whitby (1638-1726), Thomas Brightman11, William Gouge12, John Cotton13 e John Owen14.

Um dos principais teólogos do século XVII, Daniel Whitby, sustentou a tese de que haveria uma conversão geral no mundo, incluindo os judeus, que retornariam a sua terra. Os inimigos do cristianismo (entre os quais Whitby lista o papa e os turcos) seriam derrotados. O mundo teria então um período de paz universal. Cristo retornaria pessoalmente para o julgamento final ao término deste período.15 A Declaração de Savoy, de 1658, adotada pelas Igrejas Congregacionais Americanas, adaptou a Confissão de Westminster para as necessidades das Igrejas Congregacionais da Inglaterra e incorporou uma declaração pós-milenarista:

De acordo com sua promessa, esperamos que nos últimos dias o anticristo será destruído, os judeus serão chamados e os adversários do Reino de Seu amado Filho serão derrotados, as Igrejas de Cristo crescerão e serão edificadas através de uma livre e abundante comunicação de luz e graça e desfrutarão neste mundo de uma condição mais tranquila, pacífica e gloriosa do que jamais desfrutaram antes. [26.5] 16

De acordo com Bahnsen,

pós-milenarismo foi um grande estímulo para as missões americanas. […] Se alguém quer encontrar evidências do pós-milenarismo precisa apenas olhar para os grandes movimentos missionários da Igreja antes do século XX. O crescimento das missões cristãs não pode ser propriamente compreendido à parte da escatologia que o estimulou.

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1.2. O Declínio do Pós-milenarismo no Século XX

Este que foi um posicionamento teológico de muito vigor até o século XIX sofreu um declínio especialmente na primeira metade do século XX. Este fato é normalmente explicado como uma consequência da Primeira Guerra Mundial e o pessimismo e desilusão que resultaram daquele período. “A perspectiva otimista e esperançosa da visão pós-milenarista não mais parecia encaixar no tempo presente.”18

Greg L. Bahnsen reconhece três fatores principais que foram responsáveis pelo declínio da defesa pública do pensamento pósmilenarista:
1)      o liberalismo teológico, com sua negação do testemunho bíblico sobre a intervenção de Deus no mundo. 2) O progressivismo evolucionista – dada a influência de Kant e Hegel, com a idéia que a humanidade segue um caminho natural de desenvolvimento e liberdade. Um dos resultados foi a teoria da evolução. 3) A aceitação de tais idéias por teólogos influentes do século XIX e o entendimento da religião como um assunto de ética promoveram um visão de reforma social, que produziu a secularização do pós-milenarismo. Exemplos práticos disto foram o movimento socialista cristão na Inglaterra e do evangelho social nos Estados Unidos.19 Uma das conseqüências, de acordo com Bahnsen, foi que o pós-milenarismo começou a ser visto como um tipo de teologia liberal.20

1.3. Ensinos Básicos do Pós-milenarismo

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Davis21 lista quatro equívocos comuns a respeito do pósmilenarismo, dizendo que ele não deveria ser identificado com:

1) “o otimismo evolucionário do século XIX”, pois o pós-milenarismo entende que Cristo dará melhores condições ao mundo através de Sua palavra e Espírito, não por uma evolução natural;

2) liberalismo e “evangelho social”. Desde 1815 a visão pós-milenarista também promoveu reformas sociais, mas não deve ser confundida com o evangelho social (que Davis chama de “uma forma secularizada de pósmilenarismo”);22

3) universalismo – visto que pós-milenarismo não sugere que toda a humanidade será salva, mas que perto do fim o cristianismo será a religião dominante do mundo; 4) “alguma versão de ‘destino manifesto’, que vê os Estados Unidos como a chave para o plano de Deus para ampliar seu reino no mundo”.

Um dos principais teólogos pós-milenaristas do século XX, Loraine Boettner, define o pós-milenarismo dizendo:

O Pós-milenarismo é aquela visão das últimas coisas que afirma que o reino de Deus está sendo agora estendido por todo o mundo através da proclamação do evangelho e da obra salvífica do Espírito Santo, de modo que o mundo será finalmente cristianizado, e que o retorno de Cristo ocorrerá ao final de um longo período de justiça e paz normalmente chamado de Milênio.(23)

Em sua definição, Boettner, assim como outros autores, mostra ser inadequada a abordagem popular que enfatiza o “pós” na designação (a vinda de Cristo após o milênio). O argumento pós-milenarista não está construído principalmente sobre a interpretação de Apocalipse cap 20, como é o caso do Dispensacionalismo.24 Teólogos pós-milenaristas enfatizam aquelas passagens que prometem uma era extensa de justiça, paz e prosperidade terrenas. Nesta era ocorre o avanço do reino de Cristo na história humana e a presença de Deus impulsionando seu povo para o trabalho.25 A idéia de progresso, considerada no sentido amplo, é mais importante que uma exegese específica daquela que é uma passagem bíblica central para o pré-milenarismo.

Para o pós-milenarismo, o milênio mostrará um aprimoramento nas condições de vida da humanidade, nos campos social, econômico, político e cultural. A abordagem pós-milenarista se baseia em textos bíblicos que apontam para um período de tempo de paz e progresso gerais no mundo, promovidos pela expansão do reino de Deus. De importância central são aquelas passagens que mostram: 1. As promessas de Deus a Abraão, de que sua descendência herdaria a terra (Gn 17.7,8; 22.15-18; Rm 4.13; Gl. 3.29); 2. As promessas de Deus de que o Reino de Cristo iria invadir toda a terra (Dn 2.31s)26; 3. A aplicação feita pelo Novo Testamento das palavras do Salmo 110.1 à entronização de Cristo na era presente (At 2.29-36; Ef 1.20-22; 1 Co 15.27; Hb 10.12-14); 4. Textos que apresentam o avanço gradual do reino de Cristo (MT 13.31-33; Hb 2.8); 5) Passagens que prometem a presença de Deus com seu povo, assim que este povo seria habilitado a cumprir com sua missão ( Dn 7.27; Ap 2.26, 27; Mt 16.18 e 28.18-20).27

Criticando o amilenarismo, Sandlin enfatiza as promessas na Escritura que ele interpreta como sendo promessas que Deus faz para a realidade terrena:
O Novo Testamento ensina que a igreja da nova aliança substituiu o Israel da antiga aliança; ele não ensina que promessas eternas e celestiais tomaram o lugar das promessas terrenas, temporais. A principal esperança do povo de Deus é a esperança celestial (Tt 2.13). Isto era tão verdadeiro para os crentes do Antigo Testamento como o é para os cristãos de hoje (Hb 11.13-16). Isto não quer dizer que os cristãos não têm uma esperança terrena.28

1.4. O Otimismo do Pós-milenarismo

Ao discutir as questãos envolvidas nas diferenças de interpretação do milênio, Stanley Grenz destaca a visão específica da história do mundo que cada posição esposa: “colocado de maneira simples e sem dúvida por demais simplificado, elas expressam três disposições teológicas básicas: otimismo (pós-milenarismo), pessimismo (prémilenarismo) e realismo (amilenarismo)”.29

Escrevendo do ponto de vista da teologia do domínio, de característica pós-milenarista, Bahnsen também reconhece a diferença entre as três posições teológicas na maneira como vêem a história:
O pós-milenarismo se distingue das outras duas escolas de pensamento pelo seu otimismo essencial no que se refere ao reino na era presente. Esta atitude confiante no poder do reino de Cristo, no poder do seu evangelho, na poderosa presença do Espírito Santo, no poder da oração e no progresso da grande comissão distingue o pós-milenarismo do pessimismo essencial do amilenarismo e do pré-milenarismo.30

Bahnsen afirma que a marca distintiva do pós-milenarismo é sua crença que a Escritura ensina o sucesso da grande comissão nesta era da igreja. A confiança otimista de que as nações do mundo se tornarão discípulas de Cristo, de que a igreja crescerá para encher a terra e que o cristianismo se tornará o princípio dominante e não a exceção à regra distingue o pós-milenarismo dos outros pontos de vista.31

1.5. O Milênio – Tempo de Expansão da Fé e Progresso na Vida em Geral

Boettner sustenta que os pós-milenaristas não sugerem que haverá um tempo em que todas as pessoas serão cristãs; afirmam, sim, que o pecado será restringido e que “princípios cristãos serão a regra, não a exceção, e que Cristo voltará para um mundo verdadeiramente cristianizado”.32 A “grande comissão” realmente inclui a evangelização de todas as nações, conforme a visão pós-milenarista. Como Boettner afirma, “não meramente como um anúncio formal e externo do evangelho, pregado como um ‘testemunho’ às nações, como pré- e amilenaristas sustentam”.33

Fundamentando-se em textos que mostram cenas de uma grande multidão como povo de Deus, Boettner argumenta que “os salvos suplantarão em muito o número dos perdidos”. Ele argumenta: “O céu é uniformemente representado como o novo mundo, um grande reino, um país, uma cidade; por outro lado, o inferno é uniformemente representado como um lugar comparativamente pequeno, uma prisão, um lago (de fogo e enxofre), um poço (talvez fundo, mas estreito)…”.

Considerando aquelas passagens que mostram uma visão diferente (Mt 7.14; 22.14), Boettner argumenta que aquelas eram as condições existentes no tempo de Jesus, quando a maior parte das pessoas estava caminhando no rumo errado. No entanto, diz Boettner, aquilo não se refere aos tempos do juízo final.34

O mesmo argumento preterista é utilizado para negar que devem ser esperados tempos de tribulação e não de paz. Chilton argumenta que as palavras de Jesus no discurso no monte das Oliveiras (Mateus 24 e paralelos) não se referem ao fim do mundo, mas exclusivamente à queda de Jerusalém. Esta mesma visão é empregada para negar a presença do anticristo e da grande apostasia no fim dos tempos. 35

Pós-milenaristas insistem que o mundo está se tornando cada vez melhor. Boettner argumenta que grandes avanços podem ser observados:
Considere, por exemplo, as terríveis condições morais e espirituais que existiam na terra antes da vinda de Cristo – o mundo em geral crescendo desamparadamente na escuridão do paganismo, com escravidão, poligamia e condições opressivas sobre mulheres e crianças, com a quase completa falta de liberdade política e condições de cuidados médicos extremamente primitivas, que eram a situação de praticamente todas as pessoas, com exceção das que pertenciam às classes dominantes.36

Boettner tenta então mostrar como tais condições mudaram para melhor até os dias de hoje. Ele também procura demonstrar que as condições espirituais melhoraram, dando o exemplo da tradução e distribuição da Bíblia hoje, em contraste com o tempo da Reforma, por exemplo. Ele também cita o crescente número de escolas teológicas, de igrejas e do progresso nas missões estrangeiras. A respeito deste último ponto, ele conclui: “Quando contrastamos a rápida expansão do cristianismo em anos recentes, com a rápida desintegração que está ocorrendo em todas as outras religiões mundiais, torna-se muito claro que o cristianismo é a religião mundial do futuro”.37

Pós-milenaristas observam a referida prosperidade material já ocorrendo na agricultura, transporte, comunicação, equipamentos para o lar, conhecimento, administração da justiça, saúde e condições sanitárias. Boettner argumenta que estes progressos vêm de “nações parcialmente cristianizadas” e não de nações onde as religiões pagãs estão na maioria. Ele completa: “Que maravilhas estão à frente, quando as nações por todo o mundo forem cristãs – quando o milênio se tornar uma realidade!”38

Boettner nega que o pós-milenarismo ensine a existência de um mundo perfeito durante o milênio. Nem toda pessoa se tornará cristã; nem será eliminado todo o pecado, visto que “a perfeição sem pecado pertence apenas à vida celestial”. A diferença será então de grau ou de extensão:
“O milênio é, na verdade, simplesmente o desenvolvimento pleno do reino da graça, à medida em que ele é desfrutado neste mundo. Este reino começa bem pequeno, mas ele cresce e ao final domina o mundo inteiro”.39

Para aqueles que argumentam que as condições do mundo não estão melhorando, contrariando o que dizem os pós-milenaristas, estes respondem que “o pós-milenarismo oferece uma perspectiva global e de longo prazo a respeito do futuro da igreja e não predições locais de curto prazo para igrejas e nações específicas”.40

Desta forma, de acordo com eles, podem existir tempos difíceis para as nações e para a igreja de tempos em tempos, mas ainda é verdade que olhando para o contexto mais amplo, pode-se reconhecer o progresso. A era milenar não vem de repente, dizem os pós-milenaristas, mas “como a vinda do verão, apesar de que bem mais vagarosamente e em muito maior escala”.41

1.6. Reconstrucionismo (Teologia do Domínio, Teonomia)42

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O reconstrucionismo é, talvez, o mais forte ramo do pós-milenarismo hoje. O impacto do reconstrucionismo (também conhecido como “Teonomia”) fez-se sentir desde a publicação de dois livros muito influentes:
Institutes of Biblical Law, de Rousas John Rushdoony, publicado em 1973, e Theonomy in Christian Ethics, de Greg L. Bahnsen, publicado em 1977.43

Nos anos 80, as proposições da teonomia foram especialmente influentes entre os evangelicais, fundamentalistas e alguns carismáticos.44

Grenz destaca o caráter caracteristicamente norte-americano do reconstrucionismo, como sendo “uma resposta ao domínio do dispensacionalismo dentro do evangelicalismo americano”.45

Em um livreto escrito com o objetivo de tornar o reconstrucionismo mais conhecido para não-teólogos, Andrew Sandlin dá a razão para a designação “Teologia do Domínio”. Baseado em Mt 28.18-20, ele afirma:

Temos a ordem de dominar em nome do Rei, Jesus Cristo. […] como devemos fazer isto? Não pelo poder militar ou por revolução sangrenta. […] Nós exercemos o domínio, como diz Mt 28.18-20, pela pregação do evangelho aos não-salvos, e obedecendo a lei de Deus em cada área de nossas vidas (Dt 5.31-33; 28.7; Mt 5.5).46

Sandlin deixa claro que um dos princípios fundamentais do pós-milenarismo se refere ao domínio do mundo. A tentação de Satanás a Adão e Eva foi o começo da “mãe de todas as conspirações”. O plano de Deus era que a raça humana tivesse domínio sobre toda a terra, sob a autoridade de Deus. Satanás ofereceu um domínio sem obediência. A grande conspiração continua hoje, sustenta Sandlin, com a noção humana de criar um paraíso sem Deus. Ele acusa a Igreja de ser negligente no que se refere ao domínio responsável e também por sua ênfase na salvação pessoal do homem. Segundo Sandlin, o propósito de Deus para o homem não é primariamente sua salvação, mas que ele seja restaurado à submissão e que ele tenha domínio, como agente de Deus na terra. Obediência à lei é central. A atitude antinomista é considerada como a tentação mais perigosa para a igreja e para os cristãos. Para uma mudança radical na sociedade, teonomia (a lei de Deus), ou, mais especificamente, biblionomia (a lei da Bíblia) é fundamental, pois uma “renovação” que não reoriente o homem no mais íntimo do seu ser para a totalidade da palavra de Deus é fútil. […] O homem precisa ser salvo principalmente não de sua enfermidade pecaminosa, mas do seu quebrar da aliança. E ele será salvo deste seu quebrar da aliança à medida que ele for santificado pelo Espírito Santo a fim de obedecer e aplicar mais fielmente a lei de Deus.47

Seguindo uma forte ênfase na lei do Antigo Testamento, os reconstrucionistas enfatizam a permanente normatividade não apenas da lei moral, mas também da lei judicial do Israel do Antigo Testamento, incluindo suas sanções penais. Também é crido que tais leis não são designadas apenas para Israel, mas também para as nações gentílicas contemporâneas. Os governos civis de hoje deveriam executar aquele sistema legal com suas penalidades.48

Diversos artigos sobre o pós-milenarismo publicados no The Journal of Christian Reconstructionism vêm de autores alinhados ao ramo reconstrucionista do pós-milenarismo.49 Em um dos artigos, Rushdoony chama as outras posições escatológicas (amilenarismo e prémilenarismo) de “religião impotente”. Ele argumenta que “a tese pós-milenarista era forte na própria descoberta e exploração das Américas”, tendo em vista que Cristóvão Colombo tinha a idéia de que o mundo inteiro deveria ser colocado sob o domínio de Cristo. Depois disto, diz Rushdoony, o pensamento pós-milenarista esteve presente naqueles que vieram para construir a nação.50

Teólogos reconstrucionistas, seguindo o exemplo dos pós milenaristas em geral, dão uma grande ênfase à aplicação da “grande comissão”. Para eles, ela não é apenas uma ordem missionária. Ela é bem mais do que isto. Seu tema é O Cristo Soberano. Ela é uma declaração gloriosa de sua soberania. Sua autoridade não apenas está acima de qualquer outra autoridade, mas ela penetra todas as áreas da vida. Não é apenas na arena espiritual (a área interna da pessoa), mas em todas as esferas da vida. Ela serve de forma universal e compreensiva como a base para uma visão de mundo verdadeiramente cristã.51

Para a teonomia, o conceito de “aliança” é de vital importância. A aliança abraâmica tem um papel chave, pois ela começa a tornar concreta a “aliança do Éden”, que concluiu com a promessa da vinda de Cristo. Aquelas alianças dão suporte ao otimismo histórico do pósmilenarismo:
“As manifestações históricas da vitória do evangelho trazendo bênçãos às nações vêm por uma conversão gradual, não por uma imposição catastrófica (como no pré-milenarismo) ou por uma conclusão apocalíptica (como no amilenarismo)”.52

2. CRÍTICA AMILENARISTA AO PÓS-MILENARISMO53

Richard B. Gaffin Jr. levanta quatro críticas principais ao pósmilenarismo, do ponto de vista da teologia reformada conservadora.

A primeira é que ele “‘de-escatologiza’ a existência presente (e passada) da igreja”.54 Para o pós-milenarismo, a “era de ouro” está sempre no futuro. Isto contrasta com a visão do Novo Testamento, que afirma “que o reinado escatológico de Cristo inicia já na sua primeira vinda, culminando em sua ressurreição e ascensão”.55 Gaffin reconhece que alguns pós-milenaristas realmente consideram o milênio já acontecendo durante todo o período entre os dois adventos de Cristo. Ele argumenta que a questão principal não é se o milênio iniciou quando Cristo veio pela primeira vez, mas “que implicações são tiradas deste reconhecimento […] A vitória do milênio é apenas uma expectativa futura ou também uma realidade presente?”56

Uma segunda crítica é o que Gaffin considera sua “reserva mais substancial”. Refere-se à negação prática do aspecto do “sofrer com Cristo”, que caracteriza a Igreja durante o período entre os dois adventos.
Gaffin usa passagens como 2 Co 4.7-11; Fp 3.10; Rm 8.17ss. para mostrar que uma visão triunfalista da igreja durante este tempo vai contra o testemunho do Novo Testamento.57

A terceira reserva que Gaffin tem em relação ao pós-milenarismo é que este priva a igreja da expectativa do retorno iminente de Cristo. A urgência e realidade da vigilância perdem seu valor diante destas circunstâncias.58 Chilton, em seu Paradise Restored, diz: “Este mundo tem dezenas de milhares, talvez centenas de milhares de anos de crescentes bênçãos a sua frente antes da segunda vinda de Cristo”.59 Gaffin comenta apropriadamente: “Esta predição, ao contrário das profecias de Hal Lindsay e outros, pode ser imune ao embaraço da não-confirmação nos eventos do futuro imediato, mas está no mesmo nível de cálculos quiliásticos”.60

Uma dificuldade final na abordagem pós-milenarista, para Gaffin, é a negação prática de uma tensão importante que o Novo Testamento anuncia para a vida cristã neste mundo e em relação ao próprio mundo. Conforme 1 Co 7.29-31,61 há uma tensão na maneira como os cristãos vivem durante este breve tempo, até que este mundo passe.

Para Gaffin,
Parece que o pós-milenarismo reconstrucionista omite ou ao menos emudece substancialmente este “como se não” (hos me) paulino, esta tensão paradoxal do ‘desinteresse completamente envolvido’ ou, se preferir, ‘envolvimento desinteressado’ nas coisas deste mundo. […] Esta tensão […] reflete uma qualidade essencial do próprio Evangelho; ela exibe uma dimensão daquela ‘ofensa’ e ‘loucura’ referidas por Paulo, que a incredulidade inevitavelmente atribui ao Evangelho (1.23). Certamente o equilíbrio que buscamos aqui é difícil de manter; não há fórmulas fáceis ou sistemas óbvios. O caminho que a igreja é chamada a seguir até a vinda de Cristo, caminho permanentemente exigente, que frequentemente nos deixa perplexos, pode ser negociado somente na medida em que vivemos por fé e não pelo que vemos (2 Co 5.7). […] a fé permanecerá alerta para não ser tirada do equilíbrio – seja pelas tendências pré-milenaristas (ou amilenaristas de-escatologizadas) em direção a uma renúncia ou negligência em relação ao mundo, ou pela disposição, mais pronunciada em alguns pós-milenaristas do que em outros, em direção a uma absorção ou sedução pelo mundo.62

Outra fraqueza do pós-milenarismo, ao tratar da escatologia futura, é o fato que ele se concentra demais no “reino milenar”, dando a impressão que a segunda vinda de Cristo é um evento secundário, apesar de necessário.63 Uma consideração mais cuidadosa do Novo Testamento mostra que a segunda vinda de Cristo é o grande evento escatológico e o grande alvo da esperança cristã. E esta também é a posição que luteranos enfatizam, seguindo o artigo específico da Confissão de Augsburgo (XVII).64

Estas cinco críticas ao pós-milenarismo mencionadas acima são compartilhadas pelo ponto de vista luterano.
Entretanto, a teologia luterana ressalta outros aspectos que a crítica reformada não chega a levantar.

3. TEOLOGIA E PRÁTICA LUTERANA A PARTIR DO PENSAMENTO AMILENARISTA

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Quão “escatológica” é a teologia luterana? Holsten Fagerberg argumenta que seria um grande equívoco concluir, a partir das poucas referências específicas a temas escatológicos nas Confissões Luteranas, que estas questões não são importantes para as Confissões.

A teologia da Reforma foi moldada tendo as coisas eternas em vista e ela tem uma clara direção escatológica.
Melanchthon escreveu a Apologia com o grande dia do juízo em vista [Ap Prefácio 10], e nos Artigos de Esmalcalde Lutero coloca os olhos no retorno de Cristo, esperando nele a solução para as dificuldades para as quais não vê fim [AE Prefácio 15; AE II IV 15]. […]

Os reformadores estão convencidos de estarem vivendo nos últimos tempos.65

A teologia luterana tem uma ênfase escatológica bem definida. O amilenarismo presente na teologia luterana desafia tanto os pontos de vista pré-milenarista (histórico e dispensacional) como o pósmilenarista. E esta crítica não está relacionada apenas à maneira como a volta de Cristo e os “mil anos” estão relacionados.

Teólogos luteranos normalmente entendem que estamos já vivendo nos últimos dias ou, em outras palavras, no milênio. O que é característico deste tempo é que a igreja já vive na presença graciosa de Deus, em Seu reino, mas ainda espera a plena manifestação deste reino com a presença visível de Cristo, que acontecerá em um evento único da segunda vinda. O “já” da equação se refere a dois aspectos que este trabalho sugere serem características distintivas da escatologia luterana.

3.1. A Justificação e a Presença do Reino

É digna de consideração a acusação feita por Judisch, de que os milenaristas “tiraram o cetro da justificação por graça através da fé em Cristo e entronizaram em seu lugar a realização do reino de Deus como o tema predominante da Escritura”.66 Visto que o reino de Deus também se tornou um tema central para alguns teólogos luteranos,67 poder-se-ia perguntar até que ponto a crítica de Judisch também se aplicaria a estes estudos. A teologia luterana entende o reino de Deus como Sua ação graciosa de aplicar os méritos de Cristo ao pecador, para perdão dos pecados. E isto é concedido por Deus através de Sua palavra e sacramentos. O milenarismo em suas diversas formas substituiu aquela ênfase por outras: “Progresso moral (pós-milenarismo e liberalismo protestante), ou arrebatamento e fuga (pré milenarismo dispensacional e fundamentalismo), ou um reino político deste mundo (marxismo, capitalismo, etc.) todos se tornam as muito esperadas utopias que se colocam fora da igreja”.68

Na perspectiva luterana, justificação e escatologia andam juntas. George Forell o afirma desta forma:
Lutero nos ensina que a justificação pela fé sem esta dimensão escatológica é uma auto-hipnose subjetivista e individualista. Contra todos os esforços teológicos de nosso tempo de reduzir a justificação a uma experiência essencialmente psicológica, Lutero insiste em um evento objetivo no final da história. […] A escatologia sem a justificação pela fé é mera utopia. Para Lutero, não é a história que é redentora, mas o Cristo que veio na história. É por causa da ação justificadora de Cristo que podemos ter esperança.69

A transição de Lutero, do desespero para uma confiança jubilante, através da compreensão da doutrina da justificação, pode ser considerada um movimento escatológico: “A grande mudança em sua teologia, a assim chamada ‘experiência da torre’, ocorreu precisamente em relação ao julgamento final. Sua descoberta do evangelho mudou fundamentalmente sua visão a respeito do retorno de Cristo e do juízo final”.70

Se isto pode ser dito de Lutero, não é menos verdade referindo-se às Confissões Luteranas. Fagerberg mostrou que as Confissões operam com o pressuposto que a “justificação, que através do evangelho regenera o homem, é, por assim dizer, o início da vida eterna”71:

“O evangelho não traz a sombra de coisas eternas, senão as próprias coisas eternas, o Espírito Santo e a justiça, pela qual somos justos diante de Deus” (Ap VII 15); “Esta regeneração é, por assim dizer, o começo da vida eterna” (Ap IV 352); “A vida eterna é realizada nos corações por coisas eternas, isto é, pela palavra de Deus e pelo Espírito Santo” (Ap XXVIII 10).

3.2. O ponto de vista Escatológico: Palavra e Sacramentos

Teólogos amilenaristas, incluindo luteranos, têm utilizado a distinção entre escatologia inaugurada e escatologia futura para descrever a visão escatológica da Escritura.72 Um atalho perigoso que pode ser observado no pensamento milenarista (especialmente no dispensacionalismo, mas também no pós-milenarismo) é sua concentração na escatologia futura, dando pouca ênfase à vida cristã sob a cruz, vivida a partir da palavra do evangelho e dos sacramentos.

As palavras de Lutero na explicação do sacramento do altar são escatológicas: “… por essas palavras nos são dadas no sacramento remissão dos pecados, vida e salvação. Pois onde há remissão dos pecados, há também vida e salvação” (Cm VI 6). Era evidente para Lutero e para as Confissões Luteranas que a escatologia não deveria ser vista simplesmente como algo futuro. Ela tem um aspecto presente, como Lutero mostra na explicação da segunda petição do Pai Nosso:
“O reino de Deus vem, na verdade, por si mesmo, sem a nossa prece; mas suplicamos nesta petição que venha também a nós. Como sucede isto? Quando o Pai celeste nos dá o seu Espírito Santo, para crermos, por sua graça, em sua santa palavra e vivermos vida piedosa, neste mundo e na eternidade” (Cm III 7,8); “A vinda do reino de Deus a nós ocorre de duas maneiras: primeiro aqui, no tempo, mediante a palavra e a fé; em seguida, na eternidade, pela revelação” (CM III 53).

Pós-milenaristas afirmam a chegada do reino de forma gradual e crescente, através da ação de Deus – assim o dizem – através do Espírito Santo. Mas como foi visto acima, o objetivo em última análise é uma vida de obediência e de transformação da sociedade. Uma forte ênfase é colocada nas atividades dos redimidos. A teologia luterana testemunha a presença do reino na presença do Senhor através de palavra e sacramentos, que não têm como objetivo a transformação da sociedade, mas a salvação de cada indivíduo, trazendo cada um para a comunhão do Corpo. E isto não acontece de maneira gradual e crescente, mas é sempre dependente da proclamação do evangelho e administração dos sacramentos, levando em conta o ubi et quanto visum est Deo (CA V).

A teologia luterana distingue-se do pós-milenarismo (e o mesmo é verdade considerando a teologia reformada amilenarista) por enfatizar a presença do reino vinculada à proclamação do evangelho (2 Co 6.2 – “hoje”; Lc 10.16) e a administração dos sacramentos (Tt 3.5; Rm 6.4; Mt 26.28; 1 Co 10.16,17). O foco na vida sacramental da igreja é algo que realmente identifica a teologia luterana, quando comparada a outras posições teológicas. Ela não é proclamação pessimista “como sinal para o mundo”, nem um ativismo otimista, que espera mudar o mundo para algo muito melhor; é, sim, uma vida diária dependente unicamente da graciosa presença e ação de Deus através de sua palavra e sacramentos. Desta maneira, palavra e sacramentos não são apenas sinais para o mundo. E também não são simplesmente uma fonte de força para produzir determinada ação. Eles constituem o jeito de viver escatológico do povo de Deus. Cristo mesmo se manifesta por estes meios, reunindo pessoas ao seu corpo e preservando aqueles que já são membros deste corpo.

3.3. Conseqüências do Ponto de vista Escatológico Luterano

A posição teológica luterana sobre escatologia tem consequências para as atividades diárias da igreja, para missão, mordomia (administração), ação social, etc. Ao tratar de tais questões, a teologia luterana entende a abordagem de lei e evangelho como sendo a única que faz justiça ao caráter do reino hoje. Isso quer dizer que toda ação da igreja deveria refletir duas convicções.

Primeira, de que Deus trata com pecadores. E estes continuam a ser pecadores mesmo sendo crentes. A perfeição não é conquistada pelas ações nas quais os cristãos estão envolvidos. O arrependimento e o diário perdão dos pecados é o real “progresso” que pode ser atingido na vida cristã.

Em seu estudo sobre o Pietismo dentro do contexto luterano, Lawrence R. Rast Jr. faz uma séria avaliação do pensamento milenarista no luteranismo nos séculos XVIII e XIX. Ele mostra que “a esperança pietista por melhores tempos para a igreja” era sua vigorosa raiz. De acordo com Rast, “ao comprometer a teologia da cruz, o milenarismo pietista compromete a distintiva doutrina luterana da justificação por graça mediante a fé”.73 Ele sustenta que a definição evangélica da igreja precisa ser utilizada do começo ao fim, a fim de evitar um desvio:
Schmucker e Seiss referem-se à obra expiatória de Cristo em favor da humanidade. Ambos afirmam que é apenas através da graça que alguém se torna membro da igreja de Cristo. Entretanto, aquela igreja é uma reunião de indivíduos que se dedicaram a uma vida de obediência intencional. Em outras palavras, a verdadeira igreja é definida e iniciada pelas obras de seus membros – resposta fiel ao chamado de Cristo – e mantida pelo seu cumprimento voluntário e intencional das exigências da lei. A marca da igreja, portanto, é a obediência coletiva de seus membros consagrados, não a palavra e os sacramentos.74

Uma segunda convicção necessária, do ponto de vista da teologia luterana, é que toda ação da igreja é entendida como ação de Deus através dos meios que Ele constituiu. Um contraste marcante pode ser observado em relação ao pensamento pós-milenarista. Mesmo dizendo que é pela ação de Deus que o milênio será manifestado, o pós-milenarismo se orienta a partir da lei, não do evangelho. A teologia reformada é não apenas reconhecida pelos seus proponentes, como se viu acima, mas é de fato seguida em sua ênfase na soberania de Deus e na lei de Deus como o meio para atingir os propósitos de Deus no mundo.

A teologia luterana insiste na condução da vida sob o evangelho. Portanto, reconhecendo as bênçãos confessadas no primeiro artigo do Credo, os filhos de Deus têm boas razões para alegrar-se no mundo em que Deus os colocou para viver e com todas as bênçãos que Deus está derramando: casamento, família, governo, trabalho, estudo, etc. Ao mesmo tempo, as bênçãos do terceiro artigo são o fortalecimento diário para uma vida que aguarda o futuro e visível cumprimento pleno do reino de Deus.

Lindberg ressalta que a visão luterana sobre a escatologia tem consequências positivas para a vida diária:
O fato que aos olhos de Lutero o mundo está velho e perto de seu fim não produz desespero pessoal ou uma fuga da responsabilidade e ética social. A relevância da escatologia de Lutero para a vida no mundo é que ela liberta o discipulado e a ética das contingências do sucesso.75

Na conclusão deste trabalho, parece-nos importante um olhar crítico para a própria realidade dos luteranos, entre os quais este autor está incluído. Como se viu acima, algumas das principais idéias pósmilenaristas, especialmente do ramo reconstrucionista, são consequências de um teologia que enfatiza a lei como a palavra última e definitiva para guiar a vida da igreja no mundo.76 Isto poderia parecer, à primeira vista, uma garantia de que luteranos facilmente evitariam ser pós-milenaristas. Entretanto, a realidade dos planos adotados pela igreja podem estar apontando para resultados que não são logicamente dependentes da teologia luterana. Antes de olharmos um pouco mais para esta questão de ordem prática, é importante observar um outro aspecto no pós-milenarismo. Trata-se de uma visão pessimista (apesar de seu caráter de forma geral otimista), especificamente no que se refere à igreja das eras anteriores à atual. Ele se apresenta como um chamado para a igreja estar atenta para sua missão e tornar-se mais ativa naquilo que ela deveria estar fazendo, mas não está, ou pelo menos não na medida que o Senhor espera.

Um teste para planos e projetos contemporâneos de igrejas cristãs (também de igrejas luteranas) seria perguntar se estão sendo lançados de uma maneira que tratam as ações do passado como sendo sempre ineficientes ou insuficientes dentro da fidelidade que se espera do povo de Deus no mundo. Ou se ao lançar planos de trabalho, a igreja parece implicar que os novos projetos causarão uma verdadeira revolução no futuro, coisa jamais realizada por trabalhos anteriormente feitos. Se porventura é isto em última análise que projetos atuais estão comunicando (ainda que implicitamente), não seriam eles tipicamente pós-milenaristas na sua avaliação do passado e na expectativa para o futuro?

Se a realidade da igreja por décadas mostra uma determinada realidade, o que dizer de planos que projetam ter resultados qualitativa e quantitativamente superiores em um breve espaço de tempo?

Mesmo se nestes planos uma ênfase na palavra e sacramentos é referida como a base para os esforços da igreja, não seria verdade que ao final o que realmente estaria contando seriam os resultados atingidos?

Planos práticos oriundos de uma teologia luterana sempre estarão centralizados na pregação do evangelho e administração dos sacramentos, não nos resultados a serem atingidos. Isto não deixará de proporcionar uma visão crítica para a igreja a respeito de sua atuação, pois sempre será pertinente a pergunta se os meios dados por Deus, os meios da graça, estão realmente recebendo o destaque que merecem.77 Mas ao mesmo tempo a igreja sempre olhará para o passado com gratidão ao Senhor do evangelho, que jamais deixou faltar a palavra da vida, o batismo de regeneração e a ceia do perdão e fortalecimento do seu povo.

O reconstrucionista Rousas J. Rushdoony afirma: “Nossa fé precisa ser escatológica ou ela será impotente. Uma fé cristã impotente é uma contradição em termos”.78 Em sua abordagem, fé impotente significaria uma ação tímida no mundo, que está em falta na tarefa de transformá-lo. No caso da escatologia luterana, a importância de uma visão escatológica da fé é afirmada levando em consideração o fato de que a obra de Cristo foi e é escatológica. O que esperamos para o futuro tem suas raízes na cruz e na ressurreição, torna-se contemporâneo através dos meios da graça e desta maneira se torna uma perspectiva concreta e prática de vida. Neste sentido, a fé não será impotente. Ela estará conectada à mais poderosa verdade, que é escatológica e plena da graça de Deus.

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1 O Professor Gerson Luis Linden, Mestre e Doutorando em Teologia, é Diretor Geral do Centro Educacional Concórdia de São Leopoldo, RS, e Professor de Exegese Bíblica (Novo Testamento) e Sistemática no Seminário Concórdia e na ULBRA.

2 Erickson, Opções Contemporâneas na Escatologia, 51. Erickson não é o único autor que classifica a teologia luterana como sendo pós-milenarista. Judisch argumenta contra uma tal posição mostrando que a Confissão de Augsburgo explicitamente “exclui da Igreja Luterana todos os que advogam o milenarismo (incluindo o pós-milenarismo)”, não apenas no artigo específico sobre o assunto (XVII), mas em outras partes (“Postmillennialism and the Augustana,” 159).

3 CTRE – LCMS, Os Tempos do Fim, 11. As designações pré-, pós- e amilenarismo caracterizam diferentes posições teológicas quanto à relação entre a segunda vinda de Cristo e o milênio mencionado em Apocalipse 20. Assim, resumidamente, o pré milenarista sustenta que a vinda de Cristo acontecerá antes do milênio, ou seja, inaugurará um período (normalmente entendido como literal) de mil anos de paz sobre a terra. O pós-milenarismo sugere que a segunda vinda de Cristo acontecerá após o milênio, entendido este como um período não literal de tempo. E o amilenarismo interpreta o milênio como sendo todo o período entre a ascensão de Jesus e sua segunda vinda: “algumas vezes chamado ‘milenarismo realizado’ porque o período referido em Apocalipse 20 está agora em um processo de realização. […] aqueles que adotam esta posição concordam que os ‘mil anos’ referidos em Apocalipse 20 é uma expressão figurada para o presente reino de Cristo, que começou com sua ascensão ao céu e será manifesto plenamente na sua seguinda vinda” (Ibid., p. 11).

4 É importante lembrar que há outras subdivisões nestas posições teológicas. A mais importante delas diz respeito à distinção entre o pré-milenarismo histórico e o dispensacionalismo (pré-milenarismo dispensacional). Para maiores detalhes, ver: CTRE, Os Tempos do Fim, pp. 7-10.

5 Clouse, Four Views, 209.

6 Davis, Christ’s Victorious Kingdom, 9.

7 Sandlin, A Postmillennial Primer, 1.

8 Davis, Christ’s Victorious Kingdom, 17.

9 Bahnsen, “The Prima Facie Acceptability of Postmillennialism”, 69-76.

10 Por exemplo, Barker e Godfrey, Theonomy – A Reformed Critique.

11 “Em 1609, uma exposição otimista de Thomas Brightman sobre o livro de Apocalipse foi publicada, Apocalypsis Apocalypseos; nela ele tentou criar coragem na igreja em meio a perseguições, apontando para a promessa da Escritura de uma era de triunfo para a igreja na terra. Esta era seria caracterizada pela conversão dos judeus e da plenitude dos gentios, pela queda do papado e dos turcos, por tranquilidade e por uma igreja revitalizada, tendo Cristo governando as nações pela sua palavra“ (Bahnsen, “The Prima Facie Acceptability of Postmillennialism“, 77).

12 Um dos delegados ingleses à Assembléia de Westminster: “Gouge falava das ‘promessas específicas a respeito de um futuro de glória para a igreja cristã’, encontradas nas profecias do Antigo Testamento, nas palavras de Cristo e de seus apóstolos, e especialmente no livro de Apocalipse; de acordo com ele, elas não se aplicam ao mundo porvir, mas ao ‘estado glorioso’ da igreja antes do dia d2o julgamento – um estado caracterizado pelo chamado e conversão dos judeus e da plenitude dos gentios para dentro de uma igreja visível“ (Bahnsen, 79,80).

13 De acordo com Bahnsen, “o mais famoso teólogo dos anos 1630 e 40 … o líder puritano em Boston“. “Os textos que aparecem na página título de seu sermão de despedida para aqueles que partiam para a Nova Inglaterra no navio Arbella em 1630 (2 Sm 7.10; Sl 22.27,30,31) evidenciam sua crença de que todas as nações do mundo virão para reconhecer o verdadeiro Deus vivo; os colonizadores deveriam guardar na mente que os propósitos de Deus em relação ao milênio deveriam ser servidos através dos seus esforços (especialmente na evangelização dos índios)“ (78).

14 “O principal teólogo independente” na Inglaterra na última metade do século XVII: “Ele explicou o reino de Deus como o controle espiritual dos cristãos, resultando na conformidade obediente à palavra de Cristo. Os reinos anticristãos serão então abalados, conforme Owen, e serão substituídos com o triunfo do reino de Cristo, sinalizado pela conversão dos judeus“ (Bahnsen, 84).

15 Clouse, Four Views, 11.

16 Davis, Christ’s Victorious Kingdom, 18.

17 Bahnsen, “The Prima Facie,“ 98, 99. Uma pergunta que se poderia fazer é qual o posicionamento específico sobre a escatologia está por detrás da visão luterana a respeito da missão!

18 Davis, Christ’s Victorious Kingdom, 21.

19 “Walter Rauschenbusch, por exemplo, em seu A Theology for the Social Gospel, falou do ‘milênio’ vindo através do desenvolvimento natural de uma sociedade ideal que expressaria a irmandade pública do homem“ (Bahnsen, “The Prima Facie“, 50).

20 Bahnsen, “The Prima Facie“, 48-50.

21 Davis, Christ’s Victorious Kingdom, 12-16.

22 David Chilton argumenta fortemente contra a identificação do ‘evangelho social’ com o pós-milenarismo: “Tal identificação é completamente absurda, sem qualquer fundamento. Os líderes do movimento do evangelho social eram humanistas e socialistas evolucionistas e eram abertamente hostis ao cristianismo bíblico. É verdade que eles emprestaram alguns termos e conceitos do cristianismo, a fim de pervertê-los para seus próprios usos. Assim eles falavam a respeito do ‘reino de Deus’, mas o que eles queriam dizer com isto estava muito distante da fé cristã tradicional“ (Paradise Restored, 228).

23 Boettner, The Millennium, 4.

24 Para Boettner, o livro de Apocalipse tem de ser interpretado figurativamente também em referência aos mil anos. Para ele, aquele período se refere a um tempo do futuro sobre a terra e ao tempo em que as almas estão no estado intermediário (The Millennium, 66). Para uma interpretação de Apocalipse 20 do ponto-de-vista amilenarista e luterano, ver: Paulo F. Flor, O Milenismo à Luz de Apocalipse 20.1-10, Vox Concordiana 13/2 (1998), São Paulo, pp. 41-61.

25 Sandlin, A Postmillennial Primer, 29.

26 Sandlin considera o texto de Daniel como sendo “talvez o argumento mais persuasivo a favor do pós-milenarismo no AT” (Ibid, 32).

27 Sandlin, Ibid., 30-38.

28 Sandlin, Ibid., 27.

29 Grenz, The Millennial Maze, 184.

30 Bahnsen, “The Prima Facie“, 66, 67.

31 Ibid., 68.

32 Boettner, The Millennium, 14.

33 O teólogo dispensacionalista Herman A. Hoyt concorda que um grande número de pessoas será salvo. Entretanto, na visão pré-milenarista isto acontecerá no período da tribulação e durante o milênio (In Clouse, Four Views, 146).

34 Boettner, The Millennium, 36.

35 Chilton, Paradise Restored, 107-113.

36 Boettner, The Millennium, 38.

37 Boettner, The Millennium, 40-44. Deve-se observar que o livro foi editado em 1958. Hoje – 50 anos depois – a situação mudou, tendo em vista, por exemplo, o rápido crescimento do Islamismo.

38 Ibid., 50-53.

39 Ibid., 54,55.

40 Davis, Christ’s Victorious Kingdom, 16.

41 Boettner, The Millennium, 58.

42 Outra subdivisão do pós-milenarismo é o “Restauracionismo“. Conforme Stephen Hunt, “Em contraste com o reconstrucionismo, o restauracionismo formou um grupo sectário que propunha uma retirada do mundo social e político. […] Os restauracionistas interpretaram seu movimento como precipitando um derramar do Espírito Santo, que assumiria uma expressão concreta através de estruturas eclesiásticas sem paralelo. O reino não seria deste mundo, mas existiria como uma sociedade alternativa, dirigida conforme as regulamentações de Deus, por Seu povo“ (“The Rise, Fall and Return of Postmillennariarism”, 57,58). Outros dois movimentos podem ser considerados como representando alguma forma de pós-milenarismo. Primeiro, a teologia da libertação, na América Latina. Operando com algumas bases da teologia da esperança, a teologia da libertação criticava a teologia européia por ser tímida em termos de ações práticas que provocariam uma mudança na sociedade. A teologia da libertação mudou a metodologia que era utilizada pela teologia européia, focalizando sua atenção na atividade correta (ortopraxis) e não na ortodoxia (a crença correta). Segundo, o movimento neopentecostal, com a teologia do ‘reino agora’. “(Grenz, The Millennial Maze, 193,4.). Um exemplo pode ser visto na Igreja Universal do Reino de Deus. Fundada em 1977 por Edir Macedo, tem mais de cinco milhões de seguidores e é proprietária de diversas estações de rádio e de um canal de TV nacional. Uma de suas características principais é a teologia da prosperidade. Em sua tese de doutoramento, o teólogo e sociólogo Leonildo Silveira de Campos cita Edir Macedo: “Nós jamais teremos fé suficiente nas promessas de Deus para ter o que queremos se nossos lábios continuarem a confessar derrotas […] Para um cristão não existe um “eu não posso’, nem o ‘é difícil’. Não, não é. Você pode fazer qualquer coisa se você crer“ (Teatro, Templo e Mercado, 366,7).

43 Barker, William S. & W. Robert Godfrey. Eds. Theonomy – A Reformed Critique, p. 11. Na opinião destes autores, a Teonomia é uma visão distorcida da tradição reformada.

44 Ibid., p. 9.

45 Grenz, The Millennial Maze, 194. Stephen Hunt chama a atenção para o fato que o “Reconstrucionismo tem pouca aceitação fora dos Estados Unidos e pode ser entendido como parte da nova direita cristã que surgiu nos anos 70“ (“The Rise, fall and Return of Post-millennarianism”, 55).

46 Sandlin, A Christian Reconstructionist Primer, 36, 37.

47 Ibid., 47.

48 Barker & Godfrey, Theonomy – A Reformed Critique, 9.

49 Esta revista era publicada pela “Chalcedon Foundation”, fundada em 1965 por Rousas John Rushdony. Hoje ela edita artigos através de uma página eletrônica: http://www.chalcedon.edu

50 Rushdoony, “Postmillennialism versus Impotent Religion”, 124.

51 Gentry, “Postmillennialism”, 44,45.

52 Ibid., 29,30.

53 Há pontos de contato entre o amilenarismo e o pós-milenarismo. Hoekema, em sua resposta ao capítulo de Boettner (no livro, Four Views), aponta quatro aspectos nos quais há concordância: (1) a maneira como o reino de Deus se amplia hoje, i.e., através da obra do Espírito Santo e da pregação do evangelho; (2) o retorno visível de Cristo e a subsequente ressurreição dos mortos e o julgamento geral; (3) uso tanto de interpretação literal como de figurativa da Escritura; (4) uma interpretação não-literal do milênio como um período que dura mais de mil anos. O ponto de discordância refere-se a “como devemos entender o milênio“ (Four Views, 149).

54 Gaffin, “Theonomy and Eschatology,” 202.

55 Ibid., 202.

56 Ibid., 207.

57 Ibid., 210-214.

58 Ibid., 218. “Uma consideração básica é que de acordo com o Novo Testamento, Cristo poderia ter voltado a qualquer tempo desde o ministério dos apóstolos; tudo o que se esperava a partir das profecias, exceto o retorno de Cristo e suas consequências, foram satisfeitas no decurso da história da redenção, terminando com o ministério deles“ (Ibid., 219).

59 Chilton, Paradise Restored, 221,2.

60 Gaffin, “Theonomy and Eschatology”, 220.

61 Especialmente as palavras “os casados sejam como se o não fossem; mas também os que choram, como se não chorassem …”.

62 Gaffin, “Theonomy and Eschatology”, 221, 2.

63 Robert B. Strimple, “An Amillennial Response”, 65.

64 Isto é exemplificado por um breve sumário da visão escatológica dos luteranos, conforme Walter A. Meier, em seu estudo, “Eschatological Events…”, 19,20. A mesma ênfase sobre a segunda vinda de Cristo pode ser notada no estudo de Jeffrey Gibbs, “Regaining Biblical Hope: Restoring the Prominence of the Parousia,” Concordia Journal, Outubro de 2001, 310-322. Traduzido em Igreja Luterana, 65/1 (2006), “A Proeminência da Parousia”, 28-43.

65 Fagerberg, A New Look at the Lutheran Confessions, 297.

66 Judisch, “Postmillennialism and the Augustana”, 161.

67 Ver: W. Pannenberg, Systematic Theology, vol. III. Traduzido por George W. Bromiley. Grand Rapids: Eerdmans, 1998; também: James W. Voelz, “The Kingdom of God and Biblical Eschatology”, What Does This Mean? Principles of Biblical Interpretation in the Post-Modern World. 2 ed. St. Louis: Concordia, 1997.

68 Nichols, “Sectarian Apocalypticism”, 328.

69 George Forell, “Justification and Eschatology in Luther’s Thought”, citado em Lindberg, “Eschatology and Fanaticism in the Reformation Era,” 276,7.

70 Lindberg, “Eschatology and Fanaticism in the Reformation Era,” 265, 6.

71 A New Look at the Lutheran Confessions, 298.

72 Por exemplo, o teólogo reformado Anthony Hoekema, em seu livro A Bíblia e o Futuro, usa esta distinção como critério para a principal divisão do livro. Entre os luteranos, podem ser citados, por exemplo, John R. Stephenson, Eschatology. Confessional Lutheran Dogmatics. Vol. XIII. Fort Wayne: Luther Academy, 1993; Comissão de Teologia e Relações Eclesiais – Lutheran Church-Missouri Synod. Os Tempos do Fim – Um Estudo sobre Escatologia e Milenarismo. Tradução de Gerson Luis Linden. Porto Alegre: Concórdia, 2003.

73 Rast, “Pietism and Mission“, 299. Rast cita teólogos luteranos dos séculos XVIII e XIX (Johann A. Bengel, J. George Schmucker, Joseph A. Seiss) que exemplificam a conexão entre pensamento pietista e uma interpretação milenarista da escatologia.

74 Ibid., 318.

75 “Eschatology and Fanaticism in the Reformation Era”, 275.

76 Chilton deixa isto muito claro quando argumenta que “os profetas anunciaram o futuro a fim de estimular uma vida piedosa. O propósito da profecia é ético“ (155, ênfase de Chilton).

77 É neste sentido que nos parece pertinente que a Igreja faça planejamento de suas ações e seja pró-ativa na sua atuação no mundo; ou seja, no aproveitar das oportunidades dadas por Deus para que a palavra da salvação seja veiculada de todas as maneiras e para o maior número de pessoas.

78 Sandlin, A Postmillennial Primer, 2.

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Do orginal “POR QUE LUTERANOS NÃO SÃO PÓS-MILENARISTAS?”

Autor: Gerson L. Linden

Publicado originalmente em:

Revista Igreja Luterana

Seminário Concórdia
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