vai dizer que você nunca soltou um palavrão, irmão?
vai dizer que você nunca soltou um palavrão, irmão?

Depois que meu amigo Ariovaldo Jr ficou popular com seu site “Bíblia FreeStyle” , que usa uma linguagem moderna e irreverente para apresentar as Escrituras a um contexto mais “underground”, usando de gírias e palavrões, muita gente me torra a paciência por simpatizar com esse trabalho (mesmo que não fosse um amigo meu que estivesse fazendo, eu simpatizaria, como simpatizo com outras iniciativas que dariam muito mais polêmica ainda se fosse mais populares), me dizem que não posso concordar com uma coisa dessas e bla bla bla..

Meu, eu fico PUTO (já que o post é sobre palavrão, vou usar esse recurso por aqui, algo que não costumo fazer ao escrever, pq não gosto, não porque acho errado) quando ficam me censurando por qualquer coisa. Ninguém tem esse direito de me dizer o que tenho ou não tenho que fazer. Uma coisa é repreender, conversar, dar um toque, outra coisa é censurar. Se me censuram em algo particular, que só diz respeito a mim fazer ou não, que só afeta a mim, pode estar certo o que for, eu desconsidero. Não suporto mesmo esse tipo de coisa. Ninguém tem o direito de me censurar naquilo que eu faço em meu espaço pessoal, nas minhas atividades particulares. Pode ser amigo o que for, entra por um ouvido e sai pelo outro. Se vier conversar, aconselhar, admoestar, é outra coisa, mas censurar e querer me determinar o que fazer ou deixar de fazer eu não aceito mesmo.

Mas outros com mais bom senso simplesmente têm dúvidas sobre esta minha posição a favor da Bíblia Freestyle, pois nossa cultura evangelical é muito rígida quanto ao vocabulário do adepto dessas vertentes evangélicas e isso causou surpresa e estranheza em algumas pessoas. Por isso estou publicando aqui minha posição sobre este assunto, copiando e colando perguntas que recebi pelo site Ask.fm, de perguntas e respostas.

Caso você tenha dúvida ou interesse sobre o assunto, segue o que tenho a dizer a respeito.

Palavrão e o cristão. O que você acha?

Um elemento cultural que deve ser usado com bom senso. Não existe uma lista de palavras permitidas ou proibidas em português aos cristãos.

Alguns legalistas mudam o sentido de uma passagem bíblica que diz:

Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual nem de qualquer espécie de impureza nem de cobiça; pois estas coisas não são próprias para os santos.

Não haja obscenidade nem conversas tolas nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ação de graças.

Efésios 5:3-4 (NVI)

Aí eles dizem que não é para falar dessas coisas. Como praticamente 100% dos “palavrões” da língua portuguesa têm conotação sexual, eles interpretam que não se pode falar dessas coisas nos termos que a sociedade não costuma dizer. Mas essa passagem e as outras dos capítulos 4 e 5 fala como ter uma vida social como cristãos, evitando brigas e confusões, não piadas, momentos de confraternização e divertimento entre amigos. Paulo apenas pede bom senso. Mais para frente ele também fala da bebida alcoólica, como se estivesse condenando isso, passagem também usada por legalistas para condenar o álcool, mas vemos que Paulo está falando de bom senso, não de regras proibindo a bebida. A mesma aplicação serve para o palavrão.

Segundo a Bíblia, nós temos que ter amor ao próximo, não devemos ofender, mas sermos moderados, ou seja, ter bom senso. Portanto, se no contexto onde estamos não se fala palavrão, não devemos ofender os que não gostam disso. Mas não é uma regra, sim uma questão de bom senso. Por isso também não é bom falar na frente de crianças, que ainda não têm o bom senso e não sabem diferenciar quando usar palavras menos aceitas sem soarem ofensivas. Mas se usado sem ser para ofender, o palavrão não é pecado. Palavras que ontem eram palavrão, hoje não são mais, palavras que eram “normais” hoje são palavrão. isso é uma questão cultural e deve ser submetida ao bom senso, não ao legalismo.

Mas, se você não tem o bom senso necessário, admita sua falha e elimine qualquer atitude que possa trazer prejuízo ao seu próximo de sua vida, seja a bebida, seja o palavrão.

Thiago, vi seu comentário sobre o Palavrão e o Cristão, e vi você chamando de “legalista” quem afirma, com base em Efésios 5, que o cristão não deve falar palavra torpe. Minha pergunta: Como você sabe que “eles” é que são legalistas, e não você que está sendo “liberal”?

O liberalismo é interpretar a Bíblia sengundo o método histórico crítico, é fazer com que as ciências modernas ditem a interpretação das escrituras.

Neoliberalismo é relativizar a Bíblia de acorde com a moda ou corrente de pensamento vigente. É buscar ajustar as Escrituras, afirmando certas partes e rejeitando outras.

Eu não interpretei a bíblia no método histórico crítico no meu comentário, nem rejeitei passagem bíblica alguma, pelo contrário, afirmei a passagem bíblica de acordo com que ela diz, não de acordo com o que as pessoas interpretam.

Agora vamos ao significado de legalismo.

Juridicamente, legalismo significa:

  • Fidelidade ao regime legal, ao governo constituído.
  • Cuidado de respeitar minuciosamente a lei.

Existem diferentes comportamentos que fazem as pessoas serem enxergadas como legalistas. Para o cristão, a lei é mais orientação do que apenas um sistema jurídico que regula a vida do cristão, neste sentido somos todos “legalistas”, pois a o fim (alvo) da Lei é Cristo e pela Lei sabemos como Cristo quer que andemos e amamos a Lei de Deus, pois nos orienta em nossa natureza regenerada, porém a Lei serve mais como espelho, mostrando que somos pecadores e não conseguimos cumprir a Lei. Este uso como Espelho é o principal uso da Lei, pois como sistema jurídico, ou “freio” de Deus para a natureza humana pecaminosa, ela nos condena e nos mostra que merecemos a separação de Deus e o Inferno, mas Deus por amor, em Jesus, e somente pela fé, nos dá perdão e graça e a Lei perde seu efeito condenatório sobre nós, por isso, depois da fé, usamos e amamos a Lei como orientação (“vá e não peques mais”. E aí? Como não pecar? Descobrimos na Lei), jogando fora o medo dos efeitos penais da Lei, porque em Jesus, pela fé somente, temos a graça e o perdão de Deus.

Por causa da desvalorização do uso como Espelho e a valorização do uso como norma (orientação) na vida do cristão por parte de muitos irmãos e adeptos de seitas, o termo legalista se tornou pejorativo no cristianismo. Por causa dos que buscam cumprir minuciosamente a Lei de Deus, ou o que eles interpretam como sendo Lei de Deus. Mas já que ninguém consegue cumprir a Lei de Deus e por isso Jesus veio, para que pelo cumprimento dEle sejamos justificados, o cristão legalista, no sentido pejorativo, é um falso cumpridor da Lei, um hipócrita, como eram os fariseus, pois nem ele cumpre a Lei e fica cobrando dos outros o cumprimento. Já o cristão que busca mostra a Lei de Deus como orientação, busca ajudar as pessoas a direcionarem suas vidas pela moralidade da Lei de Deus, não é um legalista, mas uma pessoa que busca separar corretamente Lei e Evangelho.

O outro tipo de legalista, que é ao qual me referi neste comentário sobre palavrão, é o que ACRESCENTA mais regras ainda à Lei de Deus. nem todos que rejeitam os palavrões são legalistas, mas foram os legalistas que tive em mente ao comentar sobre eles. No meu comentário eu lembrei que não há uma lista de palavras em português que são proibidas e permitidas ao cristão, então devemos ter bom senso e avaliar a intenção e o efeito de nossas palavras. E isso não só para o Palavrão, mas para qualquer palavra. Você pode chamar uma pessoa de Filha da puta e não pecar, mas pode chamar uma pessoa de “abençoada” e estar pecando. Os que condenam o palavrão devem ter uma lista particular de quais palavras podem ou não ser ditas. Se eu disser “cacete” eu peco? E “merda”? E “puta”? Essas palavras são consideradas palavrões em alguns lugares, mas são de uso comum em outros pelo Brasil. E palavrão em outra língua? É pecado também? Enfim, proibições a certas palavras são acréscimos à regra bíblica, não a regra bíblica, que fala sobre bom senso em avaliar a intenção e efeito.

Antes de falar qualquer coisa, temos que avaliar:

Qual a intenção de falar aquilo?

Qual o efeito que aquilo vai causar?

Então buscamos as melhores palavras para aquele contexto, seja um contexto sério, seja um descontraído. Nosso vernáculo é rico em palavras e termos para descrever o que estamos pensando, então temos muitas opções para o que for melhor ou mais engraçado. E não há proibições a palavra nenhuma, mas sim um chamado ao bom senso e amor ao próximo na intenção e no efeito das palavras que usamos.

Ex: Um “filho da puta” pode ser engraçado e não ofender ninguém. Um “herege” pode ser super ofensivo e causar até a ruína de alguém.

Conhecendo melhor agora o que é liberalismo, neoliberalismo e legalismo, faça melhor seu julgamento sobre minha posição a respeito..

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